<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-587022535532538904</id><updated>2012-02-16T21:48:22.397Z</updated><category term='não-propriedade'/><category term='desafios ciência'/><title type='text'>THE MEDIUM IS THE MESSAGE</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://migueljcoelho.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/587022535532538904/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://migueljcoelho.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Miguel Coelho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15933314384177424603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>35</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-587022535532538904.post-2164254430443549497</id><published>2010-07-14T01:15:00.001+01:00</published><updated>2010-07-14T01:16:28.047+01:00</updated><title type='text'>Tarde demais</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Queria escrever um poema da solidão, pôr por palavras prenúncios e auroras do abandono e libertar a energia, romântica, de acutilante expiação.&lt;br /&gt;Fazer vibrar o peito de quem as lê-se, como um sopro de cumplicidade inflama a vontade de partilha. Mas não consigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei o que isso, de estar-se só, é. E por isso, quando leio esses poemas que não consigo escrever, posso apenas supor a real dimensão da dor. Entendo a evidencia da profundidade da sentença mas não sinto, o que lá está escrito, directamente. Tenho sempre que criar um universo, onde já não sou eu quem sente, para que possa sentir o que me está inibido. E então, já não sou eu e o texto já não é o texto. É uma nostalgia pontual e arrepiante. E sabe bem. Mas não chega a ser o que quer que seja.&lt;br /&gt;A inibição vem duma constatação - do mesmo sitio de onde vêm todas as inibições - a de que o contacto é permanente. Em todos os momentos, olhamos o universo e ele olha-nos de volta. É um pacto. Uma simetria fundamental subjaz à reedição repetitiva da mesma fórmula que dita que a ligação permaneça intacta, mesmo quando descontínua (e parece que a descontinuídade é a regra).&lt;br /&gt;Tudo está, literalmente, em tudo. E a relação com o universo não é um espelho antropomorfico onde vemos reflectida a representação do que é uma relação. É mais do que isso (embora seja também isso). É a relação total e é o modelo a partir do qual irradia, entre várias outras coisas, a própria ontogénese - e logo a sua exegese - do humano e das relações entre os humanos, que são já reedição, por definição. É repetição. É iteração do mesmo princípio. É esse o molde: a matriz. E não ao contrário.&lt;br /&gt;A interacção é uma permanência e a mutação é a forma primordial. Imparável e indeterminada. Implacável e indeterminística. Aquilo que acontece entretanto, ou seja, aquilo que reconhecemos, é só uma benção intrínseca ao próprio movimento mais geral. Não o que reconhecemos, mas a própria habilidade (em si) de reconhecer.&lt;br /&gt;Decorre que a ilusão da separação seja uma benção, mais estética do que operacional - mas com potencial operativo - que merece e deve ser preservada. E assim, fico cheio de pena de não conseguir escrever poemas que ajudem a explorar essa habilidade. Mas não consigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque sinto que a separação é uma ilusão a todo o instante e de tão presente que está este clima, ele influencia as tonalidades emocionais com que sinto o mundo. E sinto-me o mundo. E a solidão está-me vedada. Como os poemas sobre ela.&lt;br /&gt;É um território da alma humana de que a minha rota me afastou e não houve nada a fazer. Nem tinha que haver. Mas é irreversível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aprendi que a matéria de que sou feito foi fabricada numa supernova. E então tenho esta mania de que sou eterno e tal. Que energia e matéria são re-conversíveis, o que nos autoriza a especular que sejam a mesma coisa em versões diferentes…embora saibamos muito mais acerca da energia do que acerca da matéria, claro…&lt;br /&gt;Descobri que ninguém sabe o que é a consciência ou sequer se é individual. E posso sonhar que seja colectiva. E ela passa a ser colectiva. E tal como as células do meu corpo colaboram mediante um princípio que por acaso ninguém conhece, para que eu seja o Miguel - e mais interssante ainda, que o Miguel nunca seja o mesmo a cada instante nem se repita vez alguma - talvez a consciência “celular”, que podemos apelidar de indivídual, seja também, não uma individualidade mas uma singularidade, que conspira colectivamente para que a humanidade seja a humanidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez até haja continuidade entre consciência e física e tudo seja uma coisa só. E a versão que temos da física seja incompleta…o que ninguém contesta obviamente porque esta geração de cientistas é qualquer coisa que ainda não podemos perceber, mas parece transcender tudo aquilo que lhe antecedeu e a todos os níveis em simultâneo. Como é que poderiam contestar? Eles vivem para a frente, não estão nada preocupados com os alicerces e pressentem até a ligação daquilo que vão descobrindo com sabedoria milenar espalhada pelo mundo. Não têm uma “visão” do mundo, são ciclopes em comunhão. É a reunião.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ainda há outra coisa. É que quando me lembro de algumas pessoas elas fazem-se presentes e com a sua presença, imediato se faz o comprimento de onda emocional que geralmente acompanha ou acompanhava a pessoa quando ela esta(va), de facto, presente.&lt;br /&gt;Estou, naturalmente a falar de pessoas a quem me sinto ou senti ligado. Pessoas que reflectiram pontualmente aquilo que sou e que são, por isso, pessoas que entendi. Com quem tenho (ou tive) empatia e com quem, nem que fosse por um instante, fui conjuntamente arrancado à realidade do tempo-espaço. E esse momento pode ser considerando arte, porque torna possível a vida e a sobrevivência por meio do reconhecimento de um padrão: o padrão fundamental do amor. Transcendendo em conjunto o horizonte do tempo, fizemo-nos eternos um no outro. E na generalidade dos casos, nenhum de ambos o percebeu.&lt;br /&gt;É no olhar de um, o do outro, na dor de um, a do outro e é a evidência de que não há diferença ou distinção. Aí, é a certeza da união essencial em que nos percebemos localizados num espectro infinitamente mais amplos do que podemos imaginar. Tão amplo quanto a ipseidade de um é intangível ao outro. Conservando a alteridade e formando sempre novas singularidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E se a pessoa, o lugar, ou, já agora, o que eu quiser, nunca estão verdadeiramente ausentes de mim, a saudade está-me vedada. E inibida.&lt;br /&gt;Tudo está na presença de tudo a todo o momento e só o que falta é amor. E é a sua ausência afinal o que se lamenta quando se fala de solidão. E é a sua ausência que torna impossível a reabilitação do complexo depressivo, que torna ironicamente mais intensas as palavras do poeta. Tal como a dor é parturiente da beleza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o poema não me sai. É tarde demais.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/587022535532538904-2164254430443549497?l=migueljcoelho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://migueljcoelho.blogspot.com/feeds/2164254430443549497/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=587022535532538904&amp;postID=2164254430443549497' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/587022535532538904/posts/default/2164254430443549497'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/587022535532538904/posts/default/2164254430443549497'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://migueljcoelho.blogspot.com/2010/07/tarde-demais.html' title='Tarde demais'/><author><name>Miguel Coelho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15933314384177424603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-587022535532538904.post-2540365182661327098</id><published>2010-05-24T21:47:00.004+01:00</published><updated>2010-05-24T22:07:14.094+01:00</updated><title type='text'>O gato</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;“Mestre de filosofia com mais saber e engenho, meu gato mia” Agostinho da Silva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo o que é absoluto e total é invisível. E assim é o milagre em que me sinto mergulhado: Invisível e total. Tudo em que pouso os olhos torna-se progressivamente abissal e à urgência de permanecer sobrepõe-se a sedução que me arranca de mim próprio em direcção ao mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Digo abissal porque a sensação é a de vertigem, não imediata estupefacção. É uma coisa que cresce dentro, não algo que arrebata de fora. E sinto-me ir. Pela literal infinitude do grão de areia, pela estocástica benevolência que nos conduz e torna possíveis, a ir…&lt;br /&gt;Pudéssemos nós entender que o milagre que é “ver”, é permanente enquanto vemos e que tudo o que existe, existe só para nós em cada instante. Que toda a atmosfera se configura em tons oníricos diariamente, indiferente à nossa indiferença. Que o que é justo é uma mentira, como de resto tudo o que sabemos. Porque a estrutura da verdade é exactamente a mesma que a do engano e só o que muda são as circunstâncias que determinam que num determinado momento tenhamos uma versão tão reduzida do mundo que chegamos a crer que é só definição. Quando a sua singularidade das coisas está em serem sempre mais do que significam…como qualquer língua…como qualquer Ser-Humano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toda a genialidade filosófica que nos têm guiado é somente passado, pois vivemos sempre muito à frente do que entendemos e a sua fantástica dimensão inspiradora parece um inocente e atabalhoado exercício de estilo quando comparado com a complexidade orgânica necessária para que se leia sequer o que aqui se escreveu. “Ver” é um milagre. Não porque é impossível, mas porque a sua mera possibilidade transcende em termos de complexidade aquilo que ainda somos capazes de entender. E se não somos capazes de entender, devemos deixar todas as explicações possíveis em aberto. Inclusive a de ser impossível - embora secretamente saibamos que nada é impossível - e no entanto acontecer.&lt;br /&gt;Em cada cor que se vê, a luz desacelera o seu curso e transmuta-se quando se encontra com o objecto…para caminhar em nossa direcção traduzida em tom…um tom que entendamos, claro, porque sabe-se agora que o olho humano se desenvolveu em função da luz do Sol…benevolente…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o que vemos é apenas uma parte do espectro electromagnético, aquela a que chamamos região do visível e que se encontra entre o ultra-violeta e o infra-vermelho, uma pequena parte…Por isso quando alguém diz “ver para crer”, a questão que se levanta imediatamente é “Crer no quê”? Na realidade do objecto? É que a realidade é um princípio e, por princípio, não é lá muito boa ideia acreditar-se em princípios…não vão eles estar errados…e o erro é a regra, e a verdade é a tras-aparente ilusão circunstancial que dele sai, qual femme fatale.&lt;br /&gt;Parece-me sempre muito mais ao contrário. Parece-me sempre que se trata mais de “crer para ver”, ou na sua versão niilista, de “não-crer para não-ver”. Reconstruimos o mundo em cada instante, cada percepção é um gesto de pura criatividade. Uma criatividade tal que deixaria qualquer Picasso estarrecido, se não fosse tão absoluta e, portanto até a ele próprio, invisível. Sim. Trata-se de criação permanente o mundo que vemos e constantemente fundimos e ocultamos aspectos que ameaçam a coerência da cena. Esta é a regra do jogo: tudo é criação.&lt;br /&gt;E como nunca sabemos ao certo o que uma coisa é na realidade, o melhor é nunca a definirmos para que não deixe de poder ser todas as outras…como de resto o Agostinho sugeriu. O melhor é deixar as coisas serem o que são e estarmos sempre muito atentos e calmos para que se revelem sem precipitação e sem que a precipitação nos precipite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, é um precipício…um abismo…frontispício da alma que me puxa em direcção ao mundo e me faz perceber agora que tudo é infinito e que o desnorte perante isto é certamente uma forma de lucidez. E o instante em que deixo de ser é exactamente aquele em que começo a existir.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/587022535532538904-2540365182661327098?l=migueljcoelho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://migueljcoelho.blogspot.com/feeds/2540365182661327098/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=587022535532538904&amp;postID=2540365182661327098' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/587022535532538904/posts/default/2540365182661327098'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/587022535532538904/posts/default/2540365182661327098'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://migueljcoelho.blogspot.com/2010/05/o-gato.html' title='O gato'/><author><name>Miguel Coelho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15933314384177424603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-587022535532538904.post-7859505443501220549</id><published>2009-03-02T22:03:00.003Z</published><updated>2009-03-18T00:13:04.017Z</updated><title type='text'>Racismo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;O racismo não existe. Pelo menos, o racismo não existe entre seres humanos. O que existe é uma confusão conceptual que leva indivíduos a recriminarem outros com base na sua própria ignorância. O que, diga-se de passagem, não enaltece em muito a estratégia humanista de quem luta contra o racismo….que não existe!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Do ponto de vista biológico (e são razões biológicas que se invocam quando se diz que determinada raça é diferente de outra) o conceito de raça é um sinónimo de sub-espécie. Ora uma das condições fundamentais para o aparecimento de sub-espécies (ou raças) dentro de uma mesma espécie é a variabilidade genética. Acontece que na espécie &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;homo &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;sapiens (que, para quem não sabe, é só uma…) a variabilidade genética representa 3 a 5% da variabilidade total, nos sub-grupos continentais, o que caracteriza, definitivamente, a ausência de diferenciação genética.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Mas se quiséssemos, ainda assim, usar o conceito de raça para nos referirmos a seres humanos, teríamos que recorrer a uma definição da botânica, onde se pode chamar “raça” a uma espécie inteira, no caso desta ser monotípica. Isto é, embora a variação dentro de uma espécie seja evidente e siga um padrão, não existem nela divisões claras entre os diferentes grupos, mas apenas uma variação morfológica, de pigmentação, etc…a que em contextos humanos chamamos “etnias” e que englobam, mais do que diferenças fenotípicas - que resultam da expressão dos genes no organismo, da influência do ambiente e da possível interacção entre genes e ambiente…daí já se falar em Epigenética que, talvez também neste contexto, possa vir a ajudar a esclarecer diferenças comportamentais, desenvolvimentais, cognitivas, etc, injustificadas pela simples variabilidade genética - diferenças culturais.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;A raça, em espécies monotípicas (como a espécie humana), é a espécie inteira e por isso, entre Humanos, a Raça é a Humanidade inteira.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;Ser-se racista, implica uma relação com outra espécie que não a humana e há exemplos abundantes de formas extremas de racismo. Por exemplo, quando seguindo um determinado estilo retrógrado de antropocentrismo, os seres humanos se servem de animais para seu proveito, desrespeitando a sua natureza e por vezes até a sua existência.&lt;br /&gt;Sim, sempre que se espeta com um pássaro dentro de uma gaiola para entretenimento daquele que se diz seu dono (que absurdo!), é o racismo. Cada vez que se trata o “cão como se trata um familiar”, obrigando o cão a deixar de ser cão, domesticando-o, no sentido se tornar uma extensão do seu “dono”, é o racismo!&lt;br /&gt;Cada vez que se empalha o gato em afectos retorcidos e que sobre ele se deposita a confusão entre os reinos (num sinal claro de psicotismo) e se lhe atribuem características humanas, e indo ainda mais longe, julgando-o como se fosse humano - diminuindo a glória que há em ser-se gato - e apelidando-o de “falso” (que é ironicamente tudo o que um gato não é…pois a autenticidade é talvez a sua característica mais evidente), é o racismo!&lt;br /&gt;Do mesmo tipo de racismo que se pratica nos laboratórios onde se fazem experiências macabras. É o mesmo! A única diferença é que nos laboratórios não há histerismo e assume-se claramente que os animais existem para nos servirem. Enquanto na sociedade civil tratam-se os animais com o mesmo desrespeito, mas com o requinte de deixar as consciências intacta. E é o mesmo racismo!&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Entre seres humanos não há racismo, o que pode haver é ignorância. O que pode haver é fragilidade identitária e então logo nasce uma outra coisa que habitualmente se confunde com o racismo e que é o “medo da diferença”: a Xenofobia. Que como o nome indica, se trata de um traço patológico, do qual a violência é a manifestação clínica da luta pela identidade. É porque a identidade está frágil que se agride o diferente e confundir isto com racismo é contribuir para a confusão conceptual.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Punir com base nessa confusão, é admitir&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt; a validade da posição racista, quando em tudo sobressai a evidência de sermos apenas um. Discriminarias uma criança por achá-la cruel? E se discriminasses, serias preconceituoso? Ou simplesmente ignorante? E a ignorância resolve-se com punição ou com esclarecimento? O primeiro deles que se nos exige é o de que…o racismo não existe!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/587022535532538904-7859505443501220549?l=migueljcoelho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://migueljcoelho.blogspot.com/feeds/7859505443501220549/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=587022535532538904&amp;postID=7859505443501220549' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/587022535532538904/posts/default/7859505443501220549'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/587022535532538904/posts/default/7859505443501220549'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://migueljcoelho.blogspot.com/2009/03/racismo.html' title='Racismo'/><author><name>Miguel Coelho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15933314384177424603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-587022535532538904.post-299678325112051586</id><published>2009-03-01T16:34:00.000Z</published><updated>2009-03-01T16:36:21.944Z</updated><title type='text'>Compatibilidade</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;“Compatibilidade” - é o conceito que o Gerald Edelman ( http://en.wikipedia.org/wiki/Gerald_Edelman ) escolheu para definir a relação entre a estrutura neuro-anatómica do cérebro, a sua dinâmica processual e o exercício da consciência.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Primeiro a definição:&lt;br /&gt;A palavra compatibilidade significa, «qualidade, estado, capacidade ou condição do que é compatível»; «capacidade daquilo que pode existir ou harmonizar-se com outro»; e «faculdade do que pode ser possuído ou exercido simultaneamente por um mesmo indivíduo (cargo, função, ofício, vantagem, direito etc.)».&lt;br /&gt;Em farmacologia, trata-se da «capacidade dos medicamentos entrarem em contacto sem alterações químicas ou perda das qualidades terapêuticas».&lt;br /&gt;Em imunologia, é a «capacidade que apresentam dois grupos sanguíneos, ou outros tecidos, de se unirem e funcionarem em conjunto».&lt;br /&gt;Em informática (compatibilidade reversa, ou compatibilidade descendente), é a «capacidade de programas, dispositivos e componentes funcionarem em conjunto e interagirem sem prejudicar o funcionamento do computador, do sistema operacional ou de outros programas, dispositivos e componentes».&lt;br /&gt;Por fim, na área da matemática, trata-se de «propriedade que possui um sistema de equações quando existe pelo menos um conjunto de valores das variáveis que satisfazem todas as equações; consistência».&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O Edelman auto-refere-se como um antigo-reducionísta-convertido, seja lá ao que for. Diz ele que percebeu no decorrer da sua brilhante carreira de investigação que é um absurdo tentar reduzir em termos moleculares a complexidade que o processo da vida, nas suas mais diversas expressões, pode assumir.&lt;br /&gt;Avança, então, numa direcção bastante consensual, que descreve o processo da consciência como irredutível. Parece que de facto, os estados de consciência não são redutíveis e que num dado instante, a concentração da atenção sobre um aspecto sensorial particular, não obsta a que a dinâmica subjacente a esse estado mantenha presente a participação de outros elementos provenientes de outras categorias perceptuais. Por exemplo, quando nos concentramos numa determinada categoria de um qualquer objecto (e falamos das categorias e não dos objectos, porque os objectos são sempre dependentes do observador e tratam-se de conceitos que são impostos no contexto de uma semiótica essencial) - tomemos a cor preta de um lápis de carvão - não conseguimos reduzir o estado da consciência a essa “quale”. No mesmo estado de consciência em que nos concentramos na “quale” preta, participa inadvertida e simultaneamente, a percepção duma panóplia de percepções que não se reduzem à visão, mas que incluem elementos provenientes dos outros sentidos, que influenciam profundamente a forma como a cor preta é percebida. Assim como - e se calhar até mais importante do que os elementos perceptivos - a integração de estados afectivos ligados a cada um desses estados de consciência, num fantástico e infinito emaranhado de vida.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Tal significa que aparentemente há um princípio unificador do estado da consciência, integrando num único estado, percepções provenientes de diversos sentidos e emoções a elas associadas, sem que seja possível reduzir o estado geral a uma categoria única. É isso que significa a irredutibilidade da consciência.&lt;br /&gt;O princípio pelo qual o estado é unificado é ainda menos redutível à lógica da racionalidade, pois, tanto quanto se sabe, não há nenhuma correspondência anatómica para um eventual mecanismo unificador permanente. Isto é, não existe nenhum núcleo fixo na estrutura neuro-anatómica que se possa considerar fundamental para que a consciência tenha lugar. Pelo contrário, aquilo que se admite poder estar na origem da organização espaço-temporal dos elementos percepcionados é um processo e não uma estrutura ou configuração. A esse processo chama-se “reentrada” (não sei se há tradução para Reentry…mas ainda assim vou adoptar o termo).&lt;br /&gt;A reentrada opera estabelecendo, simultaneamente e em sentido bidireccional, a comunicação sináptica entre 2 neurónios (ou grupos de neurónios) que se encontram mais ou menos afastados - e podem estar mesmo muito afastados - na estrutura neuronal do cérebro. “Os neurónios ligam-se juntos, porque disparam juntos” e parece que há processos epigenéticos - que não são determinados somente pelos genes - a ocorrer ao nível sináptico. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Esse é de resto um campo onde a ciência tem feito alguns avanços interessantes, nomeadamente em Microbiologia e Embriologia onde o “Controlo Epigenético” se oferece como uma nova esperança contra o determinismo genético, enquadrando-o num ambiente mais abrangente com o qual interage, influenciando-se mutuamente. Talvez a descontinuidade entre o mundo e nós seja apenas aparente e talvez o Edelman tenha razão quando diz que “The brain is embodied and the body is embeded - it´s the whole that counts”. Aquilo que recebemos do mundo são impulsos electromagnéticos interpretados pelo cérebro (?) e “ver”, “ouvir” ou “sentir”, são processos mentais que não passam o teste da física, pois o nosso cérebro reconstrói a realidade. Se ainda houver dúvidas, procure-se esclarecimento na Gestalt, que é, a este nível, a única ferramenta adequada.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A reentrada, na neurociência, segue um princípio equivalente ao da não localidade do Universo, que se propôs em física há mais ou menos 60 anos (Paradoxo EPR) e que se confirmou uns 20 anos depois (através do Teorema de Bell). Pela reentrada abre-se a porta à excepção à causalidade, ao nível do funcionamento cerebral e trata-se por isso, de um processo verdadeiramente excepcional.&lt;br /&gt;A única questão que sobra é a de saber se a excepção é um conceito aplicado com alguma adequação ou se, assumindo que tudo seja eventualmente excepcional, a excepção é afinal e paradoxalmente, a regra linear e a ilusão da causalidade.&lt;br /&gt;Chegados a este ponto, percebe-se porque é que o Edelman se “converteu” ao não reducionismo. Não foi uma mudança de perspectiva, mas sim uma incompatibilidade entre a causalidade e os processos que investigava: Não é possível que o funcionamento cerebral obedeça a regras de causalidade sem violar a segunda lei da termodinâmica. O que nos deixa perante a evidência da consciência ter subjacente a si, regras bem mais complexas e deslumbrantes do que as de um determinismo psicótico que é a imagem acabada do desencanto do mundo, no mau sentido da palavra.&lt;br /&gt;Não há qualquer base de sustentação para se acreditar que a causalidade seja mais do que uma ilusão, assim como não há qualquer argumento a favor do determinismo, que sobreviva à prova pura da física. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Está-se longe de uma posição céptica quando se defende que só a experimentação dá prova de veracidade. Pelo contrário, acreditar na “veracidade” marca a separação derradeira e definitiva de qualquer ideia de aproximação ao mundo. A verdade é a última prisão e a sua estrutura ficcional (como de resto o Lacan avisou) aconselha a que nunca se a assuma como um facto, mas sim como uma sedução. Uma possibilidade que nos arranca para fora de nós próprios e que parece ganhar existência exterior independente do observador.&lt;br /&gt;A verdade é a ilusão no seu esplendor e reduzi-la ao concreto é subjugá-la ao âmbito do qual ela própria se oferece como princípio libertador. Ser-se céptico implica, em primeiro lugar, abandonar a ideia da verdade. Ser-se verdadeiro implica deixar de lado toda a ideia de cepticismo. São processos incompatíveis.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Abandonar a ideia de verdade faz deliquescer imediatamente todo um nível de discurso que irradia dessa ideia fundamental. Nesse abandono vemos revelado o carácter burguês de conceitos como “justiça”, “”valor” ou até “liberdade”…embora esta última transcenda, naturalmente, o âmbito com que os Homens a inscrevem nos seus discursos e é por isso, um segredo que se esquiva, tornando-se demasiado visível (que é uma das formas de se desaparecer): todos a referem e ninguém concorda quanto ao que significa essencialmente.&lt;br /&gt;Não há volta atrás nesse caminho. Não há ilusão que resgate o conforto que essas coisas proporcionam e encontramos assim, ironicamente, uma nova forma para a liberdade: a libertação da verdade e de todos os labirintos intelectuais que dela decorrem. Há uma incompatibilidade fundamental entre verdade e mundo e o absurdo cristalizado nas ideias delirantes de justiça, liberdade e História, são simplesmente a configuração aburguesada de um pensamento ocidental obsoleto e impossível na direcção em que o futuro insiste em apontar. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Falar-se de “fim da justiça” é uma idiotice só igualada com a de falar-se em “fim da História” - como é que algo que nunca existiu pode ter um fim? O que pode ter um fim é a perspectiva que gerou toda essa confusão a que chamamos História e justiça, mas nunca os conceitos em si…eles são uma brincadeira e quando são levados a sério tornam evidente a sua face delirante expressa nos fins violentos e destrutivos a que conduzem invariavelmente. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A compatibilidade que o Edelman adivinha entre a estrutura neuro-anatómica do cérebro, a sua dinâmica processual e a consciência, é precisamente aquela que falta entre o Universo e a razão. Aplicar a razão para compreender o Universo equivale a aplicar a causalidade para perceber como a consciência funciona. Como já disse, pura e simplesmente implica a violação dos princípios da física tal como a conhecemos. Podíamos argumentar que talvez a física, tal como a conhecemos, sofra um dia uma reversão e a causalidade ganhe um novo fulgor…mas esse argumento seria um simples sinal de denegação, sintomático de um pensamento mágico. Nada aponta nesse sentido e o enquadramento da ilusão do causal num “mainframe” mais abrangente apresenta-se inevitável.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Embora dissidir da verdade e da justiça seja uma tendência filosófica que assumo natural em mim, a ciência mostra cada vez mais que não há utilidade para esses conceitos. Não é uma área específica da ciência que o dita, mas a revelação desse princípio de unificação não-Euclidiana grita de todas as direcções e em simultâneo.&lt;br /&gt;Não espero que isto seja evidente em breve, mas espero que aqueles para quem isto já for evidente, sejam breves na sua divulgação. E espero que inventem outras formas mais inteligentes e agradáveis de dizê-lo do que através de 4 páginas de exercício intelectual.&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/587022535532538904-299678325112051586?l=migueljcoelho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://migueljcoelho.blogspot.com/feeds/299678325112051586/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=587022535532538904&amp;postID=299678325112051586' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/587022535532538904/posts/default/299678325112051586'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/587022535532538904/posts/default/299678325112051586'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://migueljcoelho.blogspot.com/2009/03/compatibilidade.html' title='Compatibilidade'/><author><name>Miguel Coelho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15933314384177424603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-587022535532538904.post-3666107907743473487</id><published>2009-02-23T00:44:00.000Z</published><updated>2009-02-23T00:45:27.433Z</updated><title type='text'>Espiral</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;O “Curioso caso de Benjamin Button” dá um exercício engraçado. Coloca a questão do crescimento em espelho invertido. Outra forma de olhar para a cena é considerar a ligação que no trajecto normal os seres humanos estabelecem com a vida. Com as formas que a vida adopta.&lt;br /&gt;Há uma espécie de reversão do crescimento se se pensar que a ligação ao mundo se faz mais forte com um elemento humano exterior que rejuvenesce. Nos primeiros anos, os avós representam um papel único na relação das nossas crianças com o mundo. Ainda vivemos essa tradição, mesmo que disfarçadamente.&lt;br /&gt;No segundo momento, a relação com os pais enquanto figuras de introdução ao mundo adulto torna-se central e a “ruptura geracional” é a confirmação dum amor impossível.&lt;br /&gt;O par resplandece, então livre da obrigação do teste, na idade adulta. Ser-se adulto é também reconhecer o outro como alteridade e intangibilidade, além da óbvia continuidade que insiste em representar.&lt;br /&gt;Depois os filhos. Renovada esperança, eterna lembrança, a saudade de um entardecer que se prefigura no horizonte. Abandono. Liberdade.&lt;br /&gt;Nos netos, o redescobrir da vida, depois da infalível desilusão que os filhos deixaram com amor quando aceitaram passar a ser um orgulho maior e diferente.&lt;br /&gt;Nos netos não é o futuro, mas a ironia da infinitude da vida revelar-se tardia, mas a tempo de segredar: A morte não existe e o fim é o inicio. Circularidade que vai do berço à sepultura, onde enterrado jaz o corpo de uma ilusão: A da sequência. Em equilíbrio genial, tudo flui…nada permanece, e a impermanência é a totalidade.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/587022535532538904-3666107907743473487?l=migueljcoelho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://migueljcoelho.blogspot.com/feeds/3666107907743473487/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=587022535532538904&amp;postID=3666107907743473487' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/587022535532538904/posts/default/3666107907743473487'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/587022535532538904/posts/default/3666107907743473487'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://migueljcoelho.blogspot.com/2009/02/espiral.html' title='Espiral'/><author><name>Miguel Coelho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15933314384177424603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-587022535532538904.post-9109659776221253272</id><published>2009-02-11T21:23:00.016Z</published><updated>2009-02-20T23:36:57.203Z</updated><title type='text'>Bill Hicks</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;"Today, young man on acid realized that all the matter is merely energy condensed to a slow vibration. That we are all One consciousness experiencing itself subjectively. There´s no such thing as death, life is only a dream and we are the imagination of ourselves..."&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;O Bill Hicks - que usava o "stand up" para o que realmente serve - dizia que isto lhe tinha sido transmitido telepaticamente por extra-terrestres durante uma trip de LSD. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Se foi ou não, não sei. Mas sei que o ácido lisérgico tem uma acção química sobre o cérebro, que pode alterar a sua dinâmica e que proporciona alterações dos estados habituais da consciência (tal como acontece nos "estados místicos" ou nas alucinações audio e/ou visuais na esquizofrenia - estudados de forma inovadora, por exemplo, pela psicologia transpessoal).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Estamos à beira de perceber onde andam os restantes 96% do Universo - alguns dizem que vai nas dimensões extra, outros que se faz de matéria e energia escura e outros até dizem que estão aqui e que este universo não é único. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Estamos à beira de perceber a base químio-electrica subjacente ao processo a que chamamos consciência (o Edelman tem feito realmente avanços notáveis com esta possibilidade brilhante do cérebro ser afinal um sistema selectivo). &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Estamos estarrecidos em todos os sentidos, em todas as áreas do conhecimento cientifico, com um mundo novo que parece ter decidido abrir-se, em todas as direcções e em simultâneo, em frente a nós. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Parece ser certamente o fim da configuração euclidiana e de todos os pontos-de-vista (sem Euclides não há perspectiva pq o movimento tansforma a configuração em acção e não há posições fixas nesse novo espaço - no virtual há uma imersão e desencarnação, estamos em todo o lado) como o conhecemos...ou talvez o novo "mainframe" o ínclua o revele como uma simples expressão desse outro enquadramento mais profundo e mais abrangente, como parte de simetria fundamental reunificada...ou como o Einstein fez com a gravidade do Newton...como o standard model fez com a mecênica quântica...e como as cordas prometem fazer, na prática, com o standard model e a relatividade...ou como a neurociência unifica biologia e psicologia num arranjo ainda mais deslumbrante...um novo esplendor...um novo fascínio...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;E esta frase a ecoar...We are all One consciousness...em tudo o infinito...em todos os lugares o destino...em todos os Humanos o Singular...em cada olhar a criatividade...literalmente! (sim! recategorizas o mundo em cada instante e a memória não é representacional nem obedece a critérios temporais: em cada percepção a criatividade; em cada memória, a imaginação!).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;O Presente não é um tempo, mas "Ser-se-Um-com-o-Universo"! Uma presença imediata. Todo o drama é resultado da racionalização deste princípio e da ilusão da sequência - é por isso que melancolia e tédio, devem ser, por excelência, os simbolos do tempo...é no intervalo que tudo acontece!&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt; Viver no Presente é sabê-lo!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;O Bill, que parecia não saber nada destas coisas, só podia estar a alucinar..."we are the imagination of ourselves..."&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/587022535532538904-9109659776221253272?l=migueljcoelho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://migueljcoelho.blogspot.com/feeds/9109659776221253272/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=587022535532538904&amp;postID=9109659776221253272' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/587022535532538904/posts/default/9109659776221253272'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/587022535532538904/posts/default/9109659776221253272'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://migueljcoelho.blogspot.com/2009/02/bill-hicks.html' title='Bill Hicks'/><author><name>Miguel Coelho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15933314384177424603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-587022535532538904.post-4209651990085269361</id><published>2009-02-05T22:46:00.003Z</published><updated>2009-02-16T20:58:42.950Z</updated><title type='text'>...o Obama..hahaha</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;“Eu acredito no Obama!” O quê? O que é que isso significa? Não percebo isso…Percebo a necessidade de acreditar, percebo os labirintos em que a esperança circula interminável…mas não percebo o que significa a frase em relação ao Obama.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“A solução para um problema exige o desenvolvimento de uma consciência diferente daquela que o gerou” dizia o Einstein que, sendo físico e matemático, soube sempre encontrar formas de abordagem renovadas, nas quais a “imaginação foi sempre mais fundamental do que o conhecimento”…como ele reconhecia.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A esperança que se pode por no Obama é muito concreta. É a de que ele “mude o sistema por dentro”. O que é um absurdo, na medida em que ele próprio, enquanto presidente dos EUA, é um resultado e simultaneamente um produto, desse sistema que se espera que ele mude. Um contra-senso profundo…&lt;br /&gt;Como é possível acreditar que a crise política e económica que o Ocidente atravessa possa ser resolvida por um esforço conjunto entre política e economia, quando foi justamente essa união perversa que gerou a consciência social responsável pelo colapso? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Não…a coisa está no exterior desse arranjo…e já lá está! Não há reabilitação possível do sistema que vemos perecer, mas qual é o pânico? Estávamos todos por acaso muito satisfeitos com o que havia? Não! Claro que não…&lt;br /&gt;Temos esta tendência, quase instintiva, para crer na continuidade entre as coisas e para a aplicação de um modelo processual a tudo. E então acreditamos que uma mudança profunda só é possível, obrigatoriamente, através de um processo sistematizado e linear de transformação…prolongado…demorado. Ouvi dizer que “já não vai ser no nosso tempo que a consciência social vai mudar”. Então do que é que estás à espera?? Escolhe outra forma de consciência que não obedeça às mesmas regras que essas em relação às quais te desiludiste!…&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Não é verdade que as mudanças profundas aconteçam de forma processual, causal, linear, nem sequer que tenham que ser demoradas no tempo. Pelo contrário, as mudanças profundas caracterizam-se por constituírem uma quebra com um determinado estado de circunstâncias. E essa quebra é instantânea. Aliás, nem é bem uma quebra, mas sim uma cartada fora do jogo. Uma violação das regras que suportavam a lógica anterior. As mudanças profundas acontecem instantaneamente, como instantânea e imediata é a violação da regra.&lt;br /&gt;Se no jogo social há uma necessidade de dramatizar os processos e de insuflá-los de significados e complexos intelectuais, é natural que a “consciência social” demore a mudar. Agora não se confunda regras sociais da mudança com o significado essencial da mudança em si. A mudança social é só uma forma ao lentificada de mudar para que a consciência individual da mudança possa chegar a todos. É um artifício. É uma estratégia. Faz-se o processo correr muito devagarinho para que todos entendam…é como ver um replay num jogo de futebol.&lt;br /&gt;E é por isso que esse tipo de mudança é a única que todos entendem. E é por acreditar-se que a única forma de mudança é a social, que se subsume que toda a mudança seja lenta. Mas é um engano. Óbvio.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A monitorização do planeta por satélites cria um novo tipo de consciência. A percepção do planeta com uma unidade. No contexto social, a expressão desta nova realidade ganhou a forma dum conceito: O panoptismo, popularizado pelo Foucault há uns anos.&lt;br /&gt;Porque será que as novidades da consciência, quando traduzidas para o contexto social ganham sempre esta expressão paranoide? Porque será a perspectiva social sempre tão esquizofrénica, confundindo permanentemente o princípio de realidade com as coisas em si? Sempre esta perda de distância, sempre a mesma perspectiva do perigo…Se calhar é por isso que os “grandes” ideais dos direitos humanos se fundam numa visão mesquinha e reducionista do Homem, tratando-o como um criminoso natural que precisa de ser protegido de si próprio…O que é que se pode esperar que saia de positivo daqui? Sinceramente…&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Se o processo de individualização foi coisa do acaso? Eu não acho. Acho que foi coisa estratégica. Mas não dessas estratégias de lógica bélica em que o Homem é um inimigo de si próprio no caminho da evolução. Foi um movimento natural da espécie, no sentido de se experimentar subjectivamente. Faltava essa forma de consciência, a subjectiva, para que a espécie possa concretizar parte do seu destino, para que possa finalmente, em comunhão, regressar ao contacto com o sagrado que era parte integrante da sociedade tribal - a comunhão gera a consciência. Se só houvesse uma visão, a consciência seria impossível.&lt;br /&gt;Eis a tribo a emergir de novo e isso não é um pesadelo…só o é para quem entra em pânico quando se fala no fim do social.&lt;br /&gt;Para nós não. Nós sabemos que não será um movimento regressivo, porque entretanto a subjectividade foi inaugurada. Nós sabemos que a experiência da tribo corresponderá a uma volta da espiral à sua posição anterior, mas agora sob a aurora de um novo signo. Um autêntico Renascimento! Estou convencido que no futuro a época actual será estudada com maior admiração do que a época do Renascimento e muito provavelmente o Renascimento será considerado um ensaio para o que já está a ter lugar no século XXI.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Não, o Obama não entra nessa História. Lamento por quem nele “acredita”.&lt;br /&gt;Por outro lado, se “o sistema” quiser utilizar o Obama de forma proveitosa só lhe restará uma solução: Perante o descrédito absoluto e o inicio da construção de uma visão do mundo em que os lugares, quer da política, quer da economia (que de resto, já se fundiram nesse fantasma especulativo), são incertos e inseguros, o “sistema” será obrigado a executar o Obama. Será obrigado a aproveitar o crédito que lhe é conferido neste momento de desespero ocidental, a promovê-lo rapidamente, para em seguida executá-lo, fazendo viver no seu espírito mártir o fogo-fátuo da esperança no social.&lt;br /&gt;No plano está dizermos então: “Se o tivessem deixado ele tinha mudado as coisas”. Ou seja, as coisas podiam ser sido mudadas. O que traduzirria uma sensação bem diferente da actual em que toda a gente já percebeu que as coisas não vão mudar. Não dessa maneira linear, progressiva e a partir de reformas políticas ou económicas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mas as coisas já mudaram. E isso é o mais interessante. O Obama já não tem lugar neste mundo que percebo despontar. Tornou-se, pura e simplesmente irrelevante. Tão irrelevante como as instituições do mundo social moderno (ou será só do ocidental?) entretanto volatilizadas pela circulação acelerada dos símbolos no mundo.&lt;br /&gt;Pressinto em muita gente e em muitas movimentações à minha volta o emergir de uma consciência de espécie. Em várias ferramentas que temos à nossa disposição, reconheço a estratégia da sua divulgação. O que eu não reconheço é o papel do social, nem da política nesse novo contexto. O que de certa maneira é pena, porque essas coisas foram muito interessantes enquanto duraram…fica uma certa nostalgia. Mas não há problema, poderemos sempre revisitá-las nos museus da internet.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Uma sugestão para terminar com este assunto: Trata o outro como se se tratasse de ti. Não "porque a liberdade do outro não sei o quê"...até porque essa liberdade do proverbio é um conceito burguês. Mas porque o outro, és tu!…literalmente! Não é metáfora. Percebe isso imediatamente porque é muito evidente. Não te dediques a processos intelectuais demorados para abordar a questão…não vale a pena..é desperdício de tempo e de energia. A separação é uma ilusão. Trata os outros como se fosses tu. Porque São-no de facto! Somos UMA só consciência e experimentamo-nos subjectivamente como se fossemos um movimento do Universo tentando perceber-se a si mesmo. Aproveita a boleia e diverte-te!&lt;br /&gt;Um mundo! Uma consciência! Uma ilusão! Um Amor!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/587022535532538904-4209651990085269361?l=migueljcoelho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://migueljcoelho.blogspot.com/feeds/4209651990085269361/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=587022535532538904&amp;postID=4209651990085269361' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/587022535532538904/posts/default/4209651990085269361'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/587022535532538904/posts/default/4209651990085269361'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://migueljcoelho.blogspot.com/2009/02/o-obamahahaha.html' title='...o Obama..hahaha'/><author><name>Miguel Coelho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15933314384177424603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-587022535532538904.post-3480837317761288784</id><published>2008-12-23T13:50:00.004Z</published><updated>2008-12-23T13:59:40.102Z</updated><title type='text'>Consenso</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Coerência, derradeira prisão, clausura do intelecto, obstrução! Redução, fusão…repetição em que nada se repete e onde o nada, que é o concreto, ressoa em perpétua indefinição.&lt;br /&gt;A ternura do teu entardecer, o teu brando abandono, tarde, retorno.&lt;br /&gt;Cena a cena, sequência, tempo, tudo…explode em tudo a excepção e a coerência, que é razão, reduz a jusante o destino ao fado. Enquadra, significa e desarma. Anestesia global da oportunidade além do processo. E ao sentido, sempre, o regresso.&lt;br /&gt;Um despertar que nunca acontece, um amor por concretizar, agonia da ausência da agonia, transparência derradeira…convertes o segredo em revelação, confissão, desilusão!&lt;br /&gt;Nunca ninguém tira nada do mundo, além da ilusão de ter tirado o que quer que fosse e livre, indiferente à evidencia, prossegue o Ser…será que se concretiza? Só a ele interessa o bastante de nada lhe interessar quando a amarra se solta e o delírio se instá-la. Que ao menos seja…triste, só, vulnerável…que Seja…mau, errado, honesto ou verdadeiro, que Seja…no mundo, ou fora dele, consciente ou nem por isso, oblívio ou espástico, reactivo e inocente…Seja!&lt;br /&gt;Nada faz sentido, tudo é caos, mas ninguém sabe quais as configurações que o caos, que é a verdade, assumiu? Na ordem o Caos, no linear a quebra, na simetria a ilusão, espreitam como um animal que olha de volta sem que saibamos em que consiste o mistério que nesse olhar trás enterrado…a repetição não existe, nem a evolução, só caos e conversão. Eterna despedida, precoce chegada, convergem para o ponto em que tudo é coerente, seguro e adiado. Platitude…permanência…reflexo e convergência...convergência...convergência...&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/587022535532538904-3480837317761288784?l=migueljcoelho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://migueljcoelho.blogspot.com/feeds/3480837317761288784/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=587022535532538904&amp;postID=3480837317761288784' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/587022535532538904/posts/default/3480837317761288784'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/587022535532538904/posts/default/3480837317761288784'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://migueljcoelho.blogspot.com/2008/12/consenso.html' title='Consenso'/><author><name>Miguel Coelho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15933314384177424603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-587022535532538904.post-2650243585611505709</id><published>2008-12-23T03:38:00.004Z</published><updated>2008-12-23T04:18:41.564Z</updated><title type='text'>Quadrado</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Há um espaço com características euclidianas no qual se move uma determinada perspectiva sobre a fenomenologia psíquica. É uma perspectiva que cultiva a prevalência da visão sobre os outros sentidos. Assim, as dinâmicas são representadas nesse espaço formando, por vezes, autênticas configurações geométricas. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Por exemplo, as díades relacionais são vistas como linhas que estabelecem a ligação entre dois pontos. A díade não é os dois pontos, nem a sua soma, assim como também não é a linha que vai de um para o outro. Ela é a combinação desses elementos: os pontos e a linha que os estabelece, num espaço.&lt;br /&gt;Temos também as triangulações relacionais, que não se resumem, nem nos pontos nem nas linhas que os estabelecem, mas na sua configuração triangular, sendo que as linhas são ambivalentes e bidireccionais - como em processo de reentrância sináptica - mas nunca se cruzam. Ou seja, a comunicação que permitem é, em si, absoluta e única, embora se encontre enquadrada num contexto, visualizável, triangular de possibilidades.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quando desta perspectiva se procura olhar para a dependência, a imagem contra-intuitíva que se prefigura para a descrever é uma circunscrição. Uma revolução sobre si mesmo. Digo contra-intuitiva porque a dependência aparentemente implica uma relação de sujeição a algo exterior ao sujeito. Nesse sentido, poder-se-ia pensar numa forma geométrica que se guiasse por esse princípio relacional.&lt;br /&gt;Mas o que acontece no caso da dependência não é verdadeiramente anaclítismo, mas uma circunscrição do espaço a um único princípio: o da redução da ansiedade. Sendo esse o princípio prevalente, a circunscrição é a configuração que melhor o descreve, pois o objecto ao qual o sujeito sacrifica a sua estrutura egóica não é um fim, mas o meio por intermédio do qual pretende reduzir a ansiedade.&lt;br /&gt;E se a visão for mesmo a fonte perceptíva primordial, dir-se-á que esse objecto se tornou a única coisa que o sujeito “vê-à-frente”, embora ele nunca encerre naquilo que “É” (mas sim naquilo que proporciona) o objectivo de redução da ansiedade.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;No caso das dependências de substâncias com acção química sobre as funções neurofisiológicas, o que parece passar-se é uma tentativa do sujeito se libertar da realidade. Não no sentido vulgarmente entendido de libertação, mas no sentido de percipitar as funções do seu corpo a mobilizarem-se de maneira a proporcionar determinadas sensações sem que seja necessário passar-se pelas experiências vividas que seriam naturalmente susceptíveis de desencadeá-las.&lt;br /&gt;Há, portanto uma luta contra dependência do estímulo, embora essa luta adquira no final a total reversão de todo o seu princípio, configurando-se o processo na tal circunscrição do EU e de todo o desejo, sobre o estímulo substitutívo que a engenharia química - não essa engenharia que se ensina nas faculdades, mas uma outra engenharia da qual a primeira é um dos reflexos e cujo centro é sempre a simplificação processual (teremos que incluir nessa forma de engenharia todas as técnicas de manipulação química dos materiais e não somente as técnicas laboratoriais) - sintetizou.&lt;br /&gt;A circunscrição surge nesse momento, o momento em que o processo de dependência se instalou, admito que sob o signo do anaclitísmo, mas que reflecte mais declaradamente a vitória fatal do objecto, que de medium, passou, aparentemente, a objectivo. Esse processo nunca se faz com o exterior, mas é uma simples estratégia combinatória, interior ao sujeito, para lidar com os seus próprios conteúdos internos. É, por isso, um processo geometricamente circular, que se fecha sobre si próprio.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A dependência da nicotina instala-se, não no momento do consumo ou da abstinência, mas no momento em que o seu consumo desregulou o organismo, reduzindo as funções que proporcionavam a sensação de equilíbrio que o consumo de nicotina passou a restabelecer. Não é da nicotina que o sujeito depende, mas da reorganização interior das suas funções para que a abstinência do consumo não corresponda a uma expansão da ansiedade.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;No caso da dependência de um objecto relacional, a processo é semelhante - embora nesse terreno me escuse de abordar questões relacionadas com aspectos químicos resultantes e resultados de movimentos emocionais, porque não tenho conhecimento para o fazer.&lt;br /&gt;Mas a tentativa de libertação face à realidade está lá. Neste caso totalmente investida no objecto relacional que proporciona, por si só, aquilo que seriam requeridas várias experiências vividas para se chegar a sentir.&lt;br /&gt;Ele sintetiza - aqui através de uma engenharia que poderíamos dizer “da alma” - a substituição de vários estímulos e quanto mais totalmente o fizer, mas totalmente dele o sujeito dependerá. Repare-se que numa relação amorosa não é preciso que o sujeito se encontre apaixonado para que dependa do outro, basta que esse outro lhe proporcione todas as sensações que o sujeito deixa progressivamente de ser capaz de despertar em si mesmo. Chamem-se elas segurança, paixão, conforto, compleição ou até (porque não?), liberdade.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Claro que se optássemos por um espaço não-euclidiano de abordagem, teríamos que rever completamente tudo aquilo que entendemos sobre relação de objecto - se calhar a começar pelo conceito - mas isso é coisa que não nos interessa muito fazer pois não? Pois, o risco de o não fazermos é o de que, enquadrando tudo, acabemos por tornarmo-nos quadrados….&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/587022535532538904-2650243585611505709?l=migueljcoelho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://migueljcoelho.blogspot.com/feeds/2650243585611505709/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=587022535532538904&amp;postID=2650243585611505709' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/587022535532538904/posts/default/2650243585611505709'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/587022535532538904/posts/default/2650243585611505709'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://migueljcoelho.blogspot.com/2008/12/quadrado.html' title='Quadrado'/><author><name>Miguel Coelho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15933314384177424603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-587022535532538904.post-6409988499045931810</id><published>2008-12-19T22:00:00.004Z</published><updated>2008-12-23T14:03:33.591Z</updated><title type='text'>A hiper-definição é a hiper-exclusão do sujeito</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Aquilo que acontece quando o sujeito recebe do mundo a imagem possível na região do visível do espectro electromagnético, não é uma introjecção, mas uma projecção no seu espaço psíquico de uma representação da realidade. O que acontece é pura criação no interior do sujeito de uma cena que pode partir da percepção, mas que a ela nunca se confina. É mesmo de questionar se é da percepção realmente que parte, na medida em que a percepção é sempre sacrificada à exigência da coerência da cena. E a coerência é a “luz” do sujeito e não a luz percepcionada do objecto.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Na relação do sujeito com o mundo pouco há de troca e mais sobra de combinatória e até por vezes de pura criação. A criatividade, neste caso, dispensa em quantidade a participação do exterior e eclode mais na relação do sujeito com as suas memórias - leia-se com os seus conteúdos. É da construção desse ambiente que depende a capacidade para introduzir novos elementos. Esse ambiente é a casa do sujeito. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Desabrigado, o sujeito é mais livre, mas essa liberdade é cara quanto ao que custa de espaço para ser exercida.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/587022535532538904-6409988499045931810?l=migueljcoelho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://migueljcoelho.blogspot.com/feeds/6409988499045931810/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=587022535532538904&amp;postID=6409988499045931810' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/587022535532538904/posts/default/6409988499045931810'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/587022535532538904/posts/default/6409988499045931810'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://migueljcoelho.blogspot.com/2008/12/um-momento-de-solipsismoe-segue.html' title='A hiper-definição é a hiper-exclusão do sujeito'/><author><name>Miguel Coelho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15933314384177424603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-587022535532538904.post-7932044965813837309</id><published>2008-11-19T00:49:00.002Z</published><updated>2008-11-19T01:23:10.285Z</updated><title type='text'>Extraordinário</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Com o tempo a propriedade sobre as coisas vai tornando-se uma forma de propriedade das coisas sobre nós e a relação de propriedade é por isso, num sentido mais lato, uma relação de expropriação. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Não da propriedade que se toma, que essa entardece, mas do que se entrega em troco dela…e acontece ser por vezes a liberdade. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Então, o sintoma do aprisionamento sobre a inevitável contradição de nos termos tornado, nós mesmos, propriedade, é a exigência do limite entre o que é próprio e o que não o é, e por isso se considera desapropriado. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Esse é o jogo da razão, o da proporcionalidade entre as coisas, ou seja, o de fazê-las exibir uma estética comum. Esse é o jogo de identidade, o da demarcação do território. Da demarcação de uma mesma propriedade sobre as coisas. É o jogo da unidade e da unificação. A fusão final entre sujeito e objecto, por intermédio da reversão contínua de papeis. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Quando a alteridade do mundo se revela nas suas pequenas sumptuosidades, todo o edifício da propriedade se torna irrelevante. Seja perante a magnificiência, ou perante a crueza, o sistema estarrece e curto-circuita e os terrores e os fascínios correm livres por um instante. E surge uma oportunidade. Um rasgo. Nesse instante, a regra é quebrada e o momento é como uma intermitência em que arrebatados para fora e  expropriados de nós mesmos, a liberdade é pontualmente possível. É irónico que assim seja, mas neste contexto, a ironia pode também ser tomada como um piscar de olhos de confirmação.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Acontece por toda a parte a todo o instante, porque por todos os lugares o mundo revela-se extraordinário e há sempre alguém que descobre o que precisa de inventar para extraordinariamente agir. E tudo é humano. Tanto a privação que sentimos e que por isso parece real, como a ilusão da posse que nunca verdadeiramente sentimos e que por isso parece ideal, se revelam nos quotidianos que ainda tão bem sabemos dramatizar.&lt;br /&gt;Talvez o drama seja só o artefacto para que qualquer coisa possa acontecer. Talvez possa também acontecer que aquilo que acontece coincida simplesmente com o drama e que assim o concretize, talvez não haja ordem nas coisas e tudo seja extraordinário.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/587022535532538904-7932044965813837309?l=migueljcoelho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://migueljcoelho.blogspot.com/feeds/7932044965813837309/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=587022535532538904&amp;postID=7932044965813837309' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/587022535532538904/posts/default/7932044965813837309'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/587022535532538904/posts/default/7932044965813837309'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://migueljcoelho.blogspot.com/2008/11/extraordinrio.html' title='Extraordinário'/><author><name>Miguel Coelho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15933314384177424603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-587022535532538904.post-7288075456037606137</id><published>2008-10-29T16:42:00.003Z</published><updated>2008-10-30T13:07:55.550Z</updated><title type='text'>Verticalidade</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;“Temos a direita a crescer”…ao que parece…os resíduos parecem começar a acumular-se e a ignorância a comandar uma nova legião investida com a recordação de um passado tenebroso.&lt;br /&gt;“Como foi possível voltar a acontecer? Depois de tudo o que aprendemos?” Mas o que será que aprendemos? E será que o que está a acontecer é efectivamente uma repetição?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Esta legião não é contra os “pretos“. Esta legião não é contra os homossexuais. Não é fascista, nem por ideais nacionais. Ela é outra coisa. Ela é (ainda que sem o saber) contra a demagogia que transparece do discurso político. Ela é contra a total incapacidade do discurso político se ligar com a realidade e as questões sociais são só a forma com que a ignorância – que é autentica! – molda a violência que resulta desta falta de identidade, traduzida no facto dessa legião não ser a favor, nem contra o que quer que seja…além da superficialidade que a realidade política travestiu. E a manifestação de posições políticas é simplesmente o medium da pulsão de rejeição.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Essa posição belicosa é sedutora para os jovens…claro! Mas não é por serem demasiado novos para recordar, ou ignorantes para compreender, o significado do desastre da direita no passado tenebroso - do qual esta, vez alguma, se libertará. O que os jovens são é irreverentes – talvez por procurarem uma reverência maior a que se entregar - e por isso, sentem afinidade com toda a posição que for contra a inevitabilidade da superficialidade.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Os argumentos da direita (mas afinal, será de direita que se trata?) não são conservadores, nem são fundamentalistas, eles são a exploração das fendas evidentes do discurso da formatação pela transparência. Esses argumentos inscrevem fundo no corpo do social a cicatriz que a superficialidade do discurso pseudo-humanista jamais conseguirá apagar. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não tendo qualquer conexão com a realidade, o discurso demagógico e simulado, revela-se absolutamente incapaz de resolver os seus próprios paradoxos. O movimento de inspiração de direita, oq ue faz, é desmascarar a face hipócrita do pensamento ocidental e porque "é em bruto", é inviolavel por todo o discurso da flexibilidade e da falta de carácter.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Não, não é de direita que se trata e é por isso que a resposta educada com que se os tenta esclarecer em nada afecta a sua convicção. Eles cultivam sabia e deliberadamente a ignorância como estratégia contra a degradação que adivinham no “jogo das transparências” e dedicam toda a energia que dispõem no seu espaço intelectual à confirmação da rejeição. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É por isso que a convergência para esse tipo de movimentação social não é exclusiva da juventude, mas tenderá, cada vez mais, a reunir simpatias aleatórias de todas as faixas etárias e de todos os quadrantes que se sentirem "ofendidos" com o autismo latente, e os delírios evidentes, da classe política.  &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Essa legião está noutro jogo, um outro que não o político. Estará eventualmente no pré-político, ou seja, tendo as suas raízes brotado nas fendas da volatilidade do discurso político, usa o discurso político para passar uma outra mensagem, que não tem nada a ver com política. É uma mensagem de rejeição…e os jovens, porque foram abandonados, encurralados e chantageados, sentem afinidade... Ser de extrema-direita tornou-se uma forma de ser rebelde. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Uma das poucas formas de marcar efectivamente uma posição de rejeição. Essa rejeição não é a de um ideal em particular, mas a rejeição dos "ideaizinhos" como ideal...e nesse caso, temos que admitir, antes isso...&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Os argumentos desta nova forma social pré-política triunfam com facilidade porque a construção desta realidade política em que desesperadamente fingimos viver, aconteceu sob o signo do histerismo – que é um ambiente no qual nenhum ideal perdura – e aconteceu com presunção descuidada. Clivando o mundo entre o absolutamente correcto e o absolutamente errado (ou entre os muito-bonzinhos e os maus-da-fita...que é a mesma coisa) numa perspectiva maniqueísta, impossibilitou uma posição alternativa. E rejeitar, não é já fazer o errado, mas o sair fora dessa moral…ou o inscrever-se fundo nela, que é uma outra maneira de o fazer – num eixo de imediata verticalidade.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O eixo dessa legião não é horizontal e não se posiciona face a um centro, é uma verticalidade que explora os núcleos inacessíveis à horizontalidade de superfície do discurso político. E os miúdos não são reaccionários, eles são a própria abreacção do sistema a tentar procurar um contacto com a realidade…pela violência pois então…que é a única forma de se chegar a qualquer coisa parecida com identidade. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/587022535532538904-7288075456037606137?l=migueljcoelho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://migueljcoelho.blogspot.com/feeds/7288075456037606137/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=587022535532538904&amp;postID=7288075456037606137' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/587022535532538904/posts/default/7288075456037606137'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/587022535532538904/posts/default/7288075456037606137'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://migueljcoelho.blogspot.com/2008/10/verticalidade.html' title='Verticalidade'/><author><name>Miguel Coelho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15933314384177424603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-587022535532538904.post-4592989661229478977</id><published>2008-09-13T19:19:00.005+01:00</published><updated>2008-09-13T19:33:49.076+01:00</updated><title type='text'>A brincar</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Tanto entusiasmo com o LHC, tanto tempo dedicado a pensar no que significa e o que poderá desvendar e agora esta inflamação. Pois…lá acabou por ficar ainda mais presente para mim. Começou, com esta publicidade, a tornar-se mais constante e mais presente na minha vida e tudo o que lhe está associado e me faz sonhar, a participar mais na minha experiência quotidiana. E foi puxando pela fantasia...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Faz parte da minha actividade pensar o comportamento humano, até por motivos profissionais - mas é claro que a minha profissão fui eu quem a escolhi! - e a cena do LHC presente. Então comecei a fantasiar com as coisas e a brincar - sim estas coisas inspiram à brincadeira - e lá fui pensando que é gira a ideia de, inspirado no standard model da física das partículas, imaginar uma forma de abordagem do comportamento humano. Claro que não vou tomar a brincadeira a sério, porque então deixava de ser uma brincadeira e tornava-se uma coisa séria - e isso é tudo aquilo que não pretendo: ser sério com o mundo. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Pensando nas partículas elementares (por exemplo segundo as forças a que estão sujeitas), Hadrões (quarkz) e Leptões, podia estabelecer uma analogia com os objectos/elementos que habitam a intelectualidade participante na definição do comportamento humano. Mas tal como as partículas do standard model estão sujeitas a forças, também o processo intelectual está sujeito a emoções.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se estas partículas fundamentais (reduzidas no standard model a apenas 12) fossem os objectos/elementos da intelectualidade, as forças que agem sobre essa matéria, teriam de ser, nesse caso, as emoções que influenciam o processo intelectual.&lt;br /&gt;E se pensarmos que essa matéria precisa de um &lt;strong&gt;espaço&lt;/strong&gt; para existir, somos automaticamente recordados que também a intelectualidade reclama uma consciência que a unifique num processo colectivo. E sem consciência não há princípio de realidade, da mesma forma que sem espaço não há matéria.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Toda essa matéria (que na verdade também participa na constituição do próprio espaço, tal como a a consciência participa directamente na constituição do princípio de realidade - temos esta mania de separar as coisas..)  nesse espaço exige um &lt;strong&gt;tempo&lt;/strong&gt;, para que a sua existência seja selada com acontecimentos. E, inelutavelmante, a consciência precisa de uma memória para que possa prosseguir. Assim, o par espaço-tempo, que na verdade não é um par mas sim uma entidade única, encontra uma correspondência imaginada no par consciência-memória da psique humana. E começamos a ter “chão“.&lt;br /&gt;Sobre esse chão caminham os objectos do mundo - os elementos intelectualizados - ao sabor do vento emocional, moldando-se às épocas, como as partículas caminham por tudo o lugar, aparentemente livres, mas sujeitas a forças determinantes e a regras misteriosas, que as moldam em concreto.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;E lá volta a cena do LHC outra vez e lá me recordo, outra vez mais, do bosão de Higgs (e da ponte para a abordagem da matéria e energia escura - fala-se em WIMPs e MACHOs…) e da possibilidade iminente de se responder à questão “O que é a matéria”, depois de se já ter apalpado a resposta da questão de “como se comporta”.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Pois…falta o Higgs…supõe-se…acredita-se…age-se de acordo com a sua existência….mas não se sabe se existe. A parte irónica é a de, da sua existência depender a lógica interna que rege todo o standard model. Assim como da existência da alma - ou outra coisa que se lhe queira chamar, como por exemplo mente - depende toda a lógica interna de toda a estrutura sob a qual se constroem modelos de abordagem do comportamento humano. Não é o comportamento que se quer conhecer, mas o humano e nele uma parte sua a que se chama comportamento. Quer-se conhecer o comportamento porque se acredita que o humano é mais do que comportamento - aborda-se o comportamento animal quando se começa a acreditar que o comportamento pode ajudar a conhecer o animal e não a contrário.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;É a centelha que nos diferencia que se acredita que vale a pena tentar conhecer, assim como é aquilo - o Higgs - que torna o standard model mais do que uma descrição arbitrária do comportamento da matéria aquilo que nos fez investir tanta esperança no LHC. Claro que não foi só o Higgs, mas como para mim o Higgs é importante, já se pode adivinhar que aprecio as coisas que tornam os seres humanos mais do que comportamento.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Incluir nesta fantasia outros processos fundamentais da física das partículas como os princípios de simetria e fazê-los corresponder a regras relacionais essenciais, incluir possibilidades contextuais como o tunelamento quântico e encontrar um padrão metafórico na genialidade humana, considerar possibilidades imaginárias como wormholes e associá-las ao papel misterioso das capacidades extra-sensoriais - e ainda nem estou a falar em supersimetria, teoria de cordas ou desse “brane new world” (como a ele se refere o S.Hawkins) - seria um passeio tão interessante…e eu tenho tanto tempo…e estou tão bem disposto…acho que me vou divertir a brincar mais um bocadinho com o LHC…hehe&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/587022535532538904-4592989661229478977?l=migueljcoelho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://migueljcoelho.blogspot.com/feeds/4592989661229478977/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=587022535532538904&amp;postID=4592989661229478977' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/587022535532538904/posts/default/4592989661229478977'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/587022535532538904/posts/default/4592989661229478977'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://migueljcoelho.blogspot.com/2008/09/brincar.html' title='A brincar'/><author><name>Miguel Coelho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15933314384177424603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-587022535532538904.post-8646883788906497806</id><published>2008-09-03T18:45:00.002+01:00</published><updated>2008-09-04T02:13:54.576+01:00</updated><title type='text'>II - A reversão do paradigma</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;A mudança do &lt;strong&gt;paradigma biónico&lt;/strong&gt; – em que se procuravam, no contexto biológico e natural, os padrões determinantes da tecnologia futura, enquanto extensões do Homem – para o &lt;strong&gt;paradigma cibernético&lt;/strong&gt; – em que é o modelo tecnológico, que serve de guia, ou piloto (&lt;em&gt;Kybernétés&lt;/em&gt; – do grego piloto, governo) para a interpretação dos sistemas biológicos e naturais (sendo o caso da memória uma metáfora perfeita) – sugere que a reversão já tenha tido lugar e que a espécie se transformou numa tecnologia, sendo o Humano a extensão do tecnológico e já não o contrário. No centro da equação o que encontramos é a tecnologia e é ela que dita as regras do espaço-tempo, arquitectando formas de fazer cruzar estes eixos sobre os quais se alicerça todo o edifício do real.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A técnica (desde a sua percussora análise), através da fragmentação de todo o campo Humano, instaurou a descontinuidade entre os elementos fundamentais, apagando o caminho de volta para a unificação e para a com-preensão da realidade a partir de uma perspectiva Humana e humanista, como a entendíamos anteriormente. Ela especializou, separou, uniformizou e aboliu a criatividade. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Já não é o Homem que determina a evolução da tecnologia em função das suas necessidades ou sequer em honra do desejo, mas é a tecnologia que determina a evolução da espécie, em função da sua expansão inexorável. Esta é a resolução final, e inscreve-se na lógica de todas as soluções finais: É o fim de uma situação. A inversão do paradigma é, naturalmente, o sintoma incontornável.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A quântica não foi uma inspiração biónica, ela foi uma reversão cibernetica a partir de uma abordagem probabilístico-matemática e quando o seu modelo foi importado para o campo das ciências humanas - porque mesmo que só o percebamos com 100 anos de atraso, estas coisas estão sempre ligadas e traduzem-se umas nas outras - o padrão que saíu dessa abstracção foi o de um Homem atomizado e insularizado em plena crise de identidade que se  traduz no seu comportamento, quando considerado numa perspectiva "científica". &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nem simplesmente individual, nem apenas social...nem exclusivamente particular, nem obedecendo a funções de linearidade ou uniformidade associativa...contudo, sendo tudo isso e ao mesmo tempo, quando é posto a confissão, define-se numa das possibilidades e fazendo colapsar a outra. Paradoxal e livre até ao momento em que cede à chantagem.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O modelo computacional, a resposta automática, a reverberação e a ressonância, o acting out e a compulsão irresistível, a substituição do espaço fixo (e linear) euclidiano por um outro, acústico, onde os estímulos surgem de todo o lado e em simultâneo – no qual a margem não existe e o centro está em toda a parte – a passagem para a época do electrónico, para a hiper-definição, etc, são todas elas coisas que pertencem a um contexto de Incerteza. Identidade incerta, futuro incerto, propósito incerto. Incerteza, que foi, ironicamente, um dos princípios fundamentais da quântica quando esta surgiu. Resta-nos a estratégia do paradoxal quando o causal deliquesceu.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;À incerteza responda-se com o paradoxo e a circunscrição. Numa posição paradoxal estaremos presentes, perante nós próprios, relembrando o facto do “Presente” não ser um tempo, mas uma ideia: a da presença. A de uma presença que se “faz-se-a-si-própria-no-mundo”.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/587022535532538904-8646883788906497806?l=migueljcoelho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://migueljcoelho.blogspot.com/feeds/8646883788906497806/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=587022535532538904&amp;postID=8646883788906497806' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/587022535532538904/posts/default/8646883788906497806'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/587022535532538904/posts/default/8646883788906497806'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://migueljcoelho.blogspot.com/2008/09/ii-reverso-do-paradigma.html' title='II - A reversão do paradigma'/><author><name>Miguel Coelho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15933314384177424603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-587022535532538904.post-1766199461079126667</id><published>2008-09-02T07:51:00.006+01:00</published><updated>2008-09-11T11:12:22.648+01:00</updated><title type='text'>I - A posição paradoxal</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;A abstracção consiste num movimento que se inscreve numa ordem de abordagem do real, simétrica da análise. Ela falha no mesmo ponto em que falha toda a análise e é na convicção profunda de que existe uma realidade absoluta por debaixo do véu que cobre tudo quanto existe.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Sendo simétricas, análise e abstracção operam segundo uma lógica comum, a da abordagem, mas em direcções opostas. Se uma se precipita na direcção do objecto, a outra ausenta-se para que ele possa surgir. Sinédoque do observador, através da qual se converte em observado - em continuidade psicótica.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Toda a análise fragmenta e toda a abstracção enfraquece. Uma divide tudo na esperança que exista uma unidade mínima e identificável que permita entender os elementos mais fundamentais - é desconstrucionista. A outra subtrai-se ao objecto e retira dele consigo tudo aquilo que o tornava significante, aguardando pacientemente que dele um padrão seja confessado. A confissão é, aliás, o traço fundamental que caracteriza todo o processo de abordagem da realidade que orbita em torno deste eixo que exige que exista uma verdade. E exigir uma confissão é sempre um processo delirante. É que se houver alguma coisa a confessar, a própria chantagem torna a confissão desvirtuada e apenas virtual. Aí, entramos no campo da incerteza…&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;A proposta vai no sentido de aceitar-se a incerteza como garantida. No sentido de se adoptar uma &lt;strong&gt;Posição Para-Doxal&lt;/strong&gt; que permita assumir a incerteza, admitindo as coisas e a sua negação em simultâneo. Perante a impossibilidade de praticar a abordagem, procurar uma outra forma de relação com a realidade que permita uma convivência mais sim-pática com o mundo. Não é uma estratégia nova, por certo. Mas é uma estratégia que não sabemos se será ou não adequada. E neste caso a dúvida constitui uma vantagem sobre a certeza da impraticabilidade da abordagem.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Aceitando a limitação de tudo quanto existe ser Humano e do Humano ser o limite para o entendimento de tudo quanto existe, circunscreva-se o círculo e que a sua circularidade não seja mais preocupação. Que se adopte a desilusão como lição e que a realidade passe a ser vivida como a ilusão, que é a nova possibilidade.&lt;br /&gt;Se aceitarmos que toda a intelectualidade que caminha para o real seja um treino da faculdade de complexificar e descobrir a beleza das coisas, em novas configurações, então ela torna-se uma estratégia bela. Será bela a relação que aceitar a alteridade e que com ela se fascinar sem nunca esperar possuí-la. Sem nunca lhe exigir o seu segredo. Sem nunca a pôr a confissão, mas compreendendo o significado autentico do contexto em que se encontra - será também uma prova de singularidade. Pois a Singularidade é o par da Alteridade neste paradigma, assim como a identidade é o par da diferença no paradigma dos sistemas semióticos.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Talvez a hiper-estimulação seja uma estratégia da espécie, no contexto moderno (o contexto da hiper-definição), para desenvolver novas capacidades e então o que interessa é a evolução e não as circunstancias mediante as quais ela acontece. Numa perspectiva evolucionista, interessa mais o desenvolvimento das capacidades do que o processo por intermédio do qual se o faz. Se nesse processo intermédio se criarem novos mundos, se se acreditará totalmente na sua autenticidade, se depois será a desilusão e se ela resultar em novas ilusões, são questões secundárias. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Na perspectiva da evolução o que interessa é o que há de novo e o que se aprimorou e então o que pode haver de novo não são mundos novos, mas novas potencialidades e com elas novas possibilidades...completamente indiferentes a dispositivos de ilusão tais como a ética ou a moral, ou sequer a hierarquia - de onde grande parte da escolástica contemporanea adivinha perigos futuros para o social. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Claro que o modelo absolutista do antagonismo dominador/dominado nos traumatizou, mas a profundidade do trauma está sobretudo no facto de não nos permitir pensar as coisas sem reviver os pânicos do passado. É de um provincianismo completo e de um monismo intelectual absoluto, aquilo que se vive intelectualmente nos circuitos académicos. Aí sim, encontramos a versão revivida do absolutismo anterior.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Há uma componente física da progressão pela modernização, no âmbito das "estratégias de espécie". A expansão da intelectualidade é acompanhada por uma progressiva estimulação e o nível de complexidade em que nos encontramos exige um sacrifício físico. O processo torna-se aditivo, pois sem estimulo não há expansão e o estímulo contínuo reduz progressivamente a capacidade de autonomia. Pode dizer-se que estamos autenticamente viciados na realidade.&lt;br /&gt;No período do estímulo há envolvimento e concretização, no da abstinência, ausência e frustração. O tédio irrompe por todo o quotidiano, mas talvez esse seja o seu destino. Talvez tornando-se entediante, o quotidiano passe a dar um contributo mais válido para que haja condições para a adopção da tal posição paradoxal que se propõe. Essa posição paradoxal é menos exigente fisicamente porque não é viciada, ou seja, não depende da confirmação do real. E não dependendo da confirmação do real não depende de estímulos para que o envolvimento e a concretização sejam possíveis. É menos exigente, além de poder ser mais sim-pática.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Uma menor dependência da realidade dispensa a constância do estímulo e permite uma reserva de energia. A quanto mais estímulos se submete um organismo, menor será a energia que lhe restará, pois ela consumir-se-á mais rapidamente…aos solavancos. E não há gestão, há espástica, acting out, há compulsão e há destruição.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;A posição paradoxal é uma alternativa à posição moral e quando adoptada a moralidade é desconsiderada. Ou seja, a definição não é a sua referência. A sua referência é, justamente, a indefinição - da mesma maneira que a definição é a estratégia sábia no seio da indefinição, a hiper-indefinição e o paradoxo são a posição adequada no centro da hiper-definição moderna. É que a hiper-definição é a incerteza absoluta do significado...é a sua forma pura e vazia.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Nada é o que é fora de si. Mas só fora de si pode ser outra coisa. A reversão do paradigma biónico, no paradigma cibernético não é uma profecia, é um facto. E se nos tivermos transformado numa extensão da tecnologia? E se, hoje, formos nós a tecnologia? Se a técnica for o braço-armado, por intermédio do qual a análise praticada fragmentou o mundo humano, tornando irreversível o caminho de volta à compreensão da realidade? E se o mito de Narcíso for a descrição derradeira e a série de "últimos homens", for o resultado da produção em massa de "humanidade"?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/587022535532538904-1766199461079126667?l=migueljcoelho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://migueljcoelho.blogspot.com/feeds/1766199461079126667/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=587022535532538904&amp;postID=1766199461079126667' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/587022535532538904/posts/default/1766199461079126667'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/587022535532538904/posts/default/1766199461079126667'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://migueljcoelho.blogspot.com/2008/09/i-posio-paradoxal.html' title='I - A posição paradoxal'/><author><name>Miguel Coelho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15933314384177424603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-587022535532538904.post-3197411355488523949</id><published>2008-08-27T11:53:00.003+01:00</published><updated>2008-08-28T13:03:02.001+01:00</updated><title type='text'>Aporia imunitária</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Retirar o sentido critico a uma pessoa equivale a subtrair o sistema imunitário a um organismo. E é a vulnerabilidade.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“Há violência no país“. Pois…é um facto. Pior seria se a violência fosse impossível. Não é isso que me interessa. O que me interessou o foi o facto de me aperceber de uma leve erupção de incredulidade perante a informação acerca da violência que existe no país. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Descobri no discurso de algumas pessoas certo sentimento de desorientação, não porque exista violência, mas porque essas pessoas começaram a por em causa a informação, o que é obviamente desnorteante quando a informação é a única coisa que se tem. Ouvi dizer que, se calhar, aquilo que dizem no telejornal talvez não seja o retrato fiel daquilo que está de facto a acontecer.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A cena tornou-se interessante porque pus me a pensar na lógica da circulação da informação e das consequências que por em causa o circuito pode trazer. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Por um lado, a posição sobranceira dos serviços informativos imbrica-se numa lógica arrogante o que conduzirá naturalmente o “Oráculo da Opinião Pública” à interpretação deste fenómeno, não como uma desconfiança autentica, mas sim como uma denegação da realidade. “As pessoas põem em causa porque não querem acreditar, preferem duvidar do que se lhes diz quando não lhes agrada”.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Só que esta interpretação é superficial. De tal forma superficial que desconsidera o facto das pessoas ficarem mais vulneráveis à informação quando se sentem ameaçadas. O que implicaria, não que as pessoas pusessem em causa a informação, mas que a passassem a aceitar mais completamente. Aliás, o que seria expectável seria que passassem a agir de acordo com a informação e que se organizassem com base nessa informação. O que é exactamente o oposto dos casos em que todo o circuito informativo é posto em causa. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Essa interpretação é tão ingénua que leva a querer que a denegação da realidade está sim, do lado dos meios de comunicação, ao rejeitarem a hipótese de algo mais profundo poder estar a acontecer, e não do lado das pessoas que colocam todo o sistema em questão, procurando uma versão mais complexa do que aquela servida fria com o jantar enquanto se assiste ao telejornal…mesmo que isso traga inicialmente um certo sentimento de desorientação.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A resposta será tentar inflamar o espaço dedicado à violência dentro do circuito informativo, de forma a que tornando-se mais total, o tema da violência acabe por se tornar presente à força. E será uma resposta desadequada, porque quem já pôs em questão todo o circuito, poderá reagir inesperadamente (ou talvez não) aumentando a desconfiança numa escalada proporcional ao aumento da informação acerca da violência. Se a informação sobre a violência se tornar caricatural, ela revelará ainda mais o segredo da sua insustentabilidade. Ela existe, mas não dessa maneira. E há quem já o tenha percebido. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não são de esperar núcleos de resistência à informação. O que é de esperar é que o resgate da critica nasça da sua anarquia categórica. A critica é anárquica (sem arche - sem princício) e quando se torna impossível a partir de grupos, porque os grupos já não existem realmente, ela floresce intermitente, como nós de uma rede que se acendem aleatoriamente. Isso, é uma massa em acção.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não é uma multidão, não é uma colectividade, mas uma massa inter-conectada, incontrolável a partir de lugar preciso. Anarquicamente, sem obedecer a princípio, a critica floresce aqui como uma erupção trespassando um corpo fragmentado, embora inconsequente, contudo fazendo-se presente. Como um recurso natural e não como resultado de uma construção intelectual. E por isso a intelectualidade é, quanto a isto, impotente. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Se houve uma tentativa para anestesiar o sistema imunitário das pessoas, leia-se o seu sentido critico, quanto à sua receptividade à informação, ela não foi perpetrada por processos intelectuais - o intelecto é impotente perante a critica - mas por reflexo condicionado, por habituação, por contaminação da sua realidade. Por isso, dizermo-nos “intoxicados de informação”, é uma expressão tão engraçada. Ela é uma expressão engraçada, porque todas as expressões que acariciam a consciência o são.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Só que esse ataque obedece a regras traçadas para atingir as pessoas inseridas em colectividades. Através de estratégias baseadas em princípios de médias e sondagens, como técnicas de padronização. E o padrão deixa de existir no contexto da massa. E, como numa superfície duma massa um electrão muda de posição desprezando as regras do espaço em que se movimenta, ligadas apenas superficialmente ao espaço da representação que torna possíveis as colectividades, estas pessoas mudam de posição perante a vida instantaneamente. E mesmo aquelas que parecem mais conectadas, aliás, sobretudo nessas pessoas, a mudança de posição acontece brusca e inesperadamente, desrespeitando as regras do espaço da representação.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Neste arranjo, as estratégias preparadas para adormecer o sistema imunitário, o sentido critico, por contaminação, são totalmente impotentes. Elas pertencem a um contexto passado, e perdurarão, mas somente enquanto simulação de si próprias. A critica floresce e elas perduram para assistirem à consequência de terem sido ultrapassadas no seu próprio jogo. Neste arranjo de massa, não haverá revolução. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Haverão revoltas. Revoltas por toda a parte a eclodirem, fazendo brilhar o fogo fátuo da revolução permanente. Intermitente, a critica ressurgirá, por toda a parte e em lugar algum em particular.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Com tendência expansionista, como a informação acerca da violência, declara-se a critica com carácter total, expandido a todo o sistema e anárquico.&lt;br /&gt;É giro ver os resultados dos referendos acerca do projecto para os Estados Unidos da Europa. É tão giro que é do tipo de assunto que me merece uma consideração tão grande que não cabe aqui neste texto. Fica para outra oportunidade.&lt;br /&gt;Não vejo solução na critica, porque a critica sendo, na minha concepção, anárquica, não obedece às regras dos processos com princípios e finalidades. O que sinto é o pulso da critica a latejar e acho isso interessante. Não espero que resulte em qualquer coisa, mas espero que continue a latejar, como um fluxo que anima. A potencia da critica não está no seu processo, mas na sua possibilidade. Enquanto houver critica há fluxo e imunidade.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;“Será que a cena é mesmo como passa no telejornal?”? O que é que interessa? O que interessa é a pergunta!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/587022535532538904-3197411355488523949?l=migueljcoelho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://migueljcoelho.blogspot.com/feeds/3197411355488523949/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=587022535532538904&amp;postID=3197411355488523949' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/587022535532538904/posts/default/3197411355488523949'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/587022535532538904/posts/default/3197411355488523949'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://migueljcoelho.blogspot.com/2008/08/imunidade.html' title='Aporia imunitária'/><author><name>Miguel Coelho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15933314384177424603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-587022535532538904.post-833328835334318045</id><published>2008-08-04T00:02:00.003+01:00</published><updated>2008-08-04T00:19:45.593+01:00</updated><title type='text'>Virtual</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Sim, o Jean é capaz de ter razão e a tecnologia talvez esteja a substituir em nós a forma de inteligência que era caracteristicamente humana. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;No entanto, num quadro mais amplo, a presença do virtual, que foi primeiramente assinalada pelo Platão, oferece uma alternativa à obrigatória expansão da espécie. A possibilidade de existir sem absorver os recursos não nos é estranha, na medida em que o organismo humano não consome verdadeiramente o que o rodeia. Transforma-o. E ao consumo aparente subjaz um processo de conversão da energia cujo resultado é sempre igual ao inicial, num crescendo perpétuo de entropia. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Nessa medida, o engano não está em considerar o artificial não-natural, mas sim em considerar que o artificial não obedece ao mesmo princípio que o natural.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Numa perspectiva económica da vida, o processo artificial é similar ao natural a partir do momento em que em ambos, o que obtemos no fim é igual ao que tínhamos no início, ainda que com uma disposição diferente. A questão não se coloca pois em termos de respeito pelos princípios da vida, mas sim do respeito pelos princípios que determinam o campo humano. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Vermo-nos como espécie é talvez o imperativo mais obvio para resolver as questões que nos ameaçam enquanto espécie. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Porém, esse é apenas o primeiro dos momentos que constituirão o despertar da consciência planetária, uma vez que enquanto espécie, o facto mais evidente que se nos apresentará, será o de habitarmos um ambiente e em certa medida não termos possibilidade de Ser, sem esse ambiente. O que nos conduzirá à inevitável conclusão de que não somos efectivamente diferentes desse ambiente. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Esse, será o esboço daquilo a que atabalhoadamente chamamos ecologia. A sabedoria do eco e da sua impossibilidade desligada da forma (que é radicalmente diferente dessa propagandazinha moralista, oportunista e capitalista que explodiu nos últimos tempos na opinião pública e que constitui, como já tive oportunidade de opinar, uma simulação do mundo e da nossa preocupação mesquinha com ele).&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Assim, sendo a espécie “não-diferente” do ambiente, a conservação das características da espécie depende da conservação do ambiente com as características que apresenta. Uma alteração no ambiente e a espécie será inevitavelmente alterada. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Por outro lado, acreditar que estamos a consumir o mundo é um engano, pois o que estamos de facto, é a alterá-lo e a alterarmo-nos com isso. Nada mais.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É corrente, em psicologia, considerar que o que afecta a psic humana é mais aquilo que ela retira da existência, do que aquilo que acontece realmente durante essa existência. Considera-se que a realidade é um princípio e que enquanto princípio, exige um mundo referencial de representações. Sendo a realidade exterior, para um ser humano, aquilo que ele é capaz de representar, a sua primeira limitação para a transcendência desse real é precisamente a intangibilidade de tudo quilo que não é (ainda) representável em termos humanos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;É patológico confundir a realidade com a representação, pois é patológico confundir as coisas em si com aquilo que elas são para nós. Ou seja, o traço patológico ascende do próprio facto de se considerar a realidade, enquanto princípio, a realidade factual das coisas. Confundir as coisas com o seu princípio é sempre a abolição do princípio em si.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas considerar irreal tudo o que transcende a possibilidade de representação em termos humanos, é um traço patológico de uma outra natureza. Ele constitui a manifestação da fragilidade do ser perante a evidência da sua existência. A reacção é simplesmente a recusa, mas veicula a denegação do próprio Eu, na medida em que se recusa a alteridade do mundo e nela a circunscrição do campo da identidade.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ultrapassadas estas questões, sem esquecer que tudo quanto existe é humano, e que o humano é o limite para o entendimento de tudo quanto existe, estarão reunidas as condições para sondar o significado da tendência para a introdução de tecnologias no nosso processo, assim como para a convergente fascinação com a virtualidade. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Independentemente de toda a discussão filosófica acerca da condição humana, a possibilidade de uma existência de espécie que não coloque em questão a existência de um ambiente com as características daquele no qual existe, abre uma perspectiva de solução para um problema que ainda é muito recente na psic humana: o problema da sobrevivência da espécie. Pois, pela primeira vez o nosso destino parece entrelaçado com o do ambiente no qual existimos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Essa perspectiva de solução reside na possibilidade de continuarmos a existir enquanto seres humanos, sem perturbar significativamente o ambiente em redor e novas tendências têm surgido, por exemplo, no campo da biotecnologia ou da arquitectura (a futura disciplina, a que já se chama arcologia e os modelos auto-sustentáveis), etc. - sim porque no campo da economia não é novidade que a sua natureza especulativa é antiga e que há muito que se desligou da realidade - &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quem quiser sondar o futuro deve olhar para o presente. O presente é o futuro sem tradução imediata. Tem sido sempre. Os traços já lá estão todos e só se vislumbram mais tarde. Mas é inegável que a economia capitalista não passa de um delírio do século passado, embora a continuemos a tratar como se ainda existisse. Como em plena industrialização os contemporâneos daquela época se julgavam a viver o renascimento…isto não é nada de extraordinário e tem se repetido em todas as épocas. Já não estamos aí, e isso percebe-se…o que não se percebe é onde estamos e por isso, a última referência é a única que nos resta. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Agora estamos munidos da ferramenta intelectual que é o esclarecimento de que a realidade se trata de um princípio, que é humana, que tem por isso limites quanto ao entendimento acerca dela, que é diferente das coisas em si e cujo impacto se majora mais pela forma como a percebemos, do que pelo que efectivamente acontece nela.&lt;br /&gt;Só uma abordagem responsável da questão em torno do conceito de humano permitirá criar um solo onde a ética poderá assistir a um novo cíclo e nada daquilo que se baseia nos antigos conceitos permanecerá ligado às suas raízes. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Quando se fala de possibilidades biotecnologicas, não se fala do respeito pela condição humana, fala-se simplesmente de possibilidades. Se o seu uso coloca em causa o respeito pela condição humana, é uma questão absurda, na medida em que nada do que fazemos ou do que entendemos acerca do mundo, está para lá do campo humano. Como poderíamos então violar um conceito que é a própria malha com que se tece o mundo? No limite violar-se-ia a moral, mas não essa nova "ética" por advir.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E uma coisa é certa, ainda não conheci um ser-humano a quem reconhecesse a capacidade para me determinar o que significa ser-se humano.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Essa ética (não gosto do nome, mas é provisório…verão..) dependerá de vários momentos, todos eles cruciais e alguns que se podem antever sem evoluir muito no raciocínio. Um primeiro, que passa pela consideração da não-diferença entre humanos, é evidente e um seguinte, o do reconhecimento da não-diferença entre humanos e mundo, nele amadurece.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É tipicamente humano temer que as máquinas se nos substituam, pois esse tem sido o nosso processo em relação ao mundo que nos é parturiente. A ciência tem sido uma forma de vingança contra a insegurança e a instabilidade e o receio que dela nasça uma reversão, não é estupidez, mas sim intuição. Estúpido é acreditar que essa reversão obedeceria às regras do humano e da subjectividade, como o seria o caso das máquinas ganharem características humanas e procurarem dominar-nos "a la" Asimov, como nós tentamos fazer com os nossos parturientes. (Lembro-me sempre de um artigo q li em q o conceituado autor estava preocupado com a eventualidade da introdução de engenharia genética vir a prejudicar a entrada do seu filho em Harvard - sim, também é a gente desta, que não compreende minimamente o que está em questão, que está entregue o debate!) &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O perigo não está no facto das máquinas se poderem parecer com os humanos ou sequer no facto da hiper semelhança assassinar sempre o original - já que de hiper semelhante o máximo que as máquinas poderiam ter seria a aparência. O perigo para a condição humana está muito mais na possibilidade de sermos nós próprios a tornarmo-nos maquinais e a criação da disciplina foi o primeiro degrau nessa escalada. A transmutação da inteligência em qualquer coisa que ainda não é evidente será talvez o dado mais recente.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O virtual será certamente tudo aquilo que o Jean disse. Simboliza tudo aquilo que o Jean anteviu. Mas o virtual não é um fim, como o Jean avisou.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Cada vez que introduzimos uma nova tecnologia, a anestesia dessa zona do “corpo psiquico” parece evidente. Como uma anestesia que se aplica para a introdução de uma prótese. Inexplicável é talvez a recusa em admitir esta evidência. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Que a electricidade constitui um acting out do sistema nervoso central humano, é uma tautologia. Que o virtual será o acting out correspondente para a nossa identidade, é uma inevitabilidade. A questão está, não em recordar, mas sim em REINVENTAR o nosso nome.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/587022535532538904-833328835334318045?l=migueljcoelho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://migueljcoelho.blogspot.com/feeds/833328835334318045/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=587022535532538904&amp;postID=833328835334318045' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/587022535532538904/posts/default/833328835334318045'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/587022535532538904/posts/default/833328835334318045'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://migueljcoelho.blogspot.com/2008/08/virtual.html' title='Virtual'/><author><name>Miguel Coelho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15933314384177424603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-587022535532538904.post-1140421787953639674</id><published>2008-06-04T01:10:00.006+01:00</published><updated>2008-06-16T10:21:19.768+01:00</updated><title type='text'>Simetria e fragmentação</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Antes de mais, quero fazer um esclarecimento. Na realidade eu não sou um psicólogo. A minha formação académica foi feita na área da psicologia clínica, mas não me digo um psicólogo porque tal seria reduzir-me a uma função: a de realizar uma abordagem psicológica dos fenómenos. E como não creio que a psicológica seja uma abordagem que se aplique sempre, aprendi a “desconfiar” dela.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Acredito mesmo que há um movimento fundamental que compete a cada pessoa que evolui num sistema de pensamento, que consiste em aprender a desconfiar do seu instrumento, pois sem critica não há qualquer possibilidade de utilização responsável de qualquer instrumento que seja. Não ser capaz de fazer este movimento significa uma total irresponsabilidade prática. Um psicólogo que não desconfia da psicologia é como um carpinteiro que procura resolver todos os problemas que se-lhe colocam, pregando pregos.&lt;br /&gt;Claro que “pregar pregos” (e isto é obviamente uma simplificação) é a função do carpinteiro e que isso, é aquilo que ele sabe fazer…ou pelo menos, é aquilo que “aprendeu” a fazer correctamente. A segurança com que prega os pregos é um conforto, mas esse conforto torna-se prejudicial, até mesmo no exercício da sua função, quando se consolida como único recurso possível. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Na minha escola, poderíamos dizer que esse bloqueio corresponde à fixação num momento específico do desenvolvimento, que moldaria toda a estrutura do indivíduo, restringindo o seu campo de recursos intelectuais. Por exemplo, uma estrutura psicótica não é aquela que recorre a mecanismos psicóticos, mas aquela que “só” utiliza mecanismos psicóticos - esta analogia deve no entanto reter que se trata de uma ilustração e que não há “tipos puros”, pelo que dizer que “ determinada estrutura só utiliza mecanismos psicóticos” é um grande exagero, que só serve, neste caso, para evidenciar uma distinção entre processos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Talvez haja mesmo uma relação entre o conforto de fazer só aquilo que se sabe (ou julga saber) fazer e a fixação a esse modelo de referência. Afinal, toda a responsabilidade é evitada no momento em que se confronta o sujeito com a sua acção: ele está “só” a fazer aquilo que é a sua função - seja a pregar pregos ou a interpretar psicologicamente.&lt;br /&gt;Indo mais longe e arriscando um pouco mais, talvez haja mesmo uma relação entre esta tendência para os sujeitos se considerarem aquilo que fazem (carpinteiros ou psicólogos) e a necessidade de justificar a sua utilidade social, evitando assim qualquer responsabilidade exotérica. “Cada macaco no seu galho” como se costuma dizer, e quem não se encaixa nesta configuração torna-se “exótico”, o que nos dias de hoje pode ser entendido como um elogio, mas que retira qualquer validade e profundidade ao que diz ou faz.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A minha questão é que nem me considero um “macaco” que tenha que permanecer num galho (ou ramo), nem a ideia subjacente ao exotismo me assusta, já que exótico é aquele que tem uma óptica exterior. Ou seja, é aquele cujo distanciamento do fenómeno lhe permite um olhar desintoxicado e, por assim dizer, mais livre.&lt;br /&gt;Há riscos em assumir esta posição, mas o descrédito, que é o mais evidente, também não me assusta, porque não pretendo que dêem crédito ao que digo. Quero apenas levantar hipóteses e se me fizer entender, considero o objectivo atingido.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Vou entrar num terreno estranho, o da física e é a primeira vez que o faço. Por isso, quero salvaguardar que as referências que fizer nesse campo são apenas superficiais, tal como o entendimento que tenho desses fenómenos.&lt;br /&gt;Não é a primeira vez que alguém o faz, pelo contrário, alguns dos autores que mais admiro já o fizeram com as noções e conceitos da mecânica quântica e com pertinência e elegância, devo acrescentar. Por isso, a questão não é se estou autorizado a fazê-lo, mas simplesmente se serei capaz de me fazer entender sem cometer erros grosseiros.&lt;br /&gt;Posto isto…Siga!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Há um conceito, entre tantos outros, que me fascina no mundo da física a que se chama “simetria”.&lt;br /&gt;A sua expressão corrente é encontrada quando se pretende referir a “correspondência entre partes situadas em lados opostos de uma linha ou em torno de um centro”. Ou ainda “a propriedade de um corpo, de ter dois lados como que reflectidos num espelho”. É por assim dizer, emanente do antagonismo.&lt;br /&gt;Mas em física, este conceito adquire um significado muito mais profundo. Tão profundo que parte da comunidade cientifica defende que a simetria está na base das leis do Universo. Defende-se mesmo que as descobertas mais duradouras têm a característica comum de terem identificado as propriedades do mundo natural que permanecem inalteradas quando submetidas a diversas manipulações.&lt;br /&gt;As simetrias de um objecto são as manipulações, reais ou imaginárias (e esta segunda acepção tem uma importância capital para o que estou a tentar propor), às quais ele pode ser submetido sem qualquer efeito sobre a sua aparência , isto é, sobre a forma como é percebido. Portanto, quanto mais tipos de manipulações um objecto admite, sem que ostente efeitos perceptíveis, então, mais simétrico ele é. (Uma esfera, por exemplo, é altamente simétrica, na medida em que qualquer rotação do seu centro a deixa perfeitamente inalterada). As simetrias são, a la Jean um “crime perfeito” - não deixam qualquer indício. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Correndo o risco de ser exaustivo, quero ainda fazer mais uma aproximação ao conceito: embora intuitivamente possamos pensar que a ordem permite uma maior simetria, em física, considera-se exactamente o contrário. Ou seja, como o que define a simetria é o facto de algo poder ser sujeito a mais transformações conservando a sua aparência inalterada, podemos dizer que, embora o gelo seja mais ordenado, no seu estado líquido, o H2O é mais simétrico. Mas esta simetria pode ainda ser aumentada, se o aquecermos e promovermos a sua transição ao estado gasoso, pois então as moléculas flutuaram por todo o lado livremente, deixando de existir um padrão para a sua orientação - este é, de resto, um processo partilhado pela maior parte das substâncias: na transição de fases, desde o estado sólido até ao gasoso, a simetria aumenta - e assim vemos como também o conhecimento de noções de termodinâmica representam uma papel fundamental para se entender o que significa falar de simetria em física.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Há efectivamente diversas formas de simetria e as de espaço - a translacional (invariância translacional), a rotacional (invariância rotacional) - são particularmente importantes se tivermos em conta que as leis que nelas se baseiam parecem aplicar-se a todo o Universo observado. Nele, o que muda são os ambientes, não as leis que o regem e estas parecem ser uniformes através do espaço. As que se aplicam aqui em Setúbal, são válidas para a Lua, como o continuam a ser nas imediações do planeta e não dependem, nem do local onde estamos, nem da forma como nos orientamos no espaço.&lt;br /&gt;Parece que nenhum local do Universo é “especial” em relação a qualquer outro, pelo que a relatividade restrita, ao englobar a simetria entre todos os observadores, que dita que “qualquer perspectiva de observação seja tão válida como qualquer outra”, tenha sido aceite entre os físicos, como uma das leis que governa universalmente os fenómenos naturais. Eis a simetria implícita numa das 4 forças fundamentais conhecidas - a &lt;strong&gt;força da gravidade&lt;/strong&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Há, no entanto mais 3 forças fundamentais na natureza, que vale a pena descrever, ainda que muito superficialmente.&lt;br /&gt;Assim, começando pela &lt;strong&gt;força electromagnética&lt;/strong&gt;, há, primeiro, que referir que os constituintes mais elementares do seu campo (o electromagnético) são os &lt;em&gt;fotões&lt;/em&gt;, que podemos imaginar como se fossem microscópicos agentes transmissores desse tipo de força. Quando vemos qualquer coisa, o fenómeno que subjaz ao processo é a entrada pela nossa retina destas partículas minúsculas que trazem uma mensagem a que chamamos luz. É por isso que chamamos aos fotões a partícula mensageira da luz, ou, numa linguagem mais técnica, mensageira da força electromagnética.&lt;br /&gt;Mas para contextualizar as restantes duas forças conhecidas, temos que mergulhar num ambiente muito mais “hostil” e irrazoável: O mundo subatómico.&lt;br /&gt;São elas as forças nucleares: a &lt;strong&gt;força nuclear forte&lt;/strong&gt; e a &lt;strong&gt;força nuclear fraca&lt;/strong&gt;. Também estas forças exercem a sua influência sobre a matéria através de campos - os campos Yang-Mills. As suas partículas mensageiras são os &lt;em&gt;gluões&lt;/em&gt; - no caso da força forte - e os &lt;em&gt;bosões W e Z&lt;/em&gt; - no caso da força fraca - e já lá vamos às suas funções…(ah e sim, bosões como o de Higgs, de cuja existência se procura actualmente prova no Large Haldron Collider (LHC) na Suiça - mas essa é outra maravilhosa história…).&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Para entender a função destes campos e mais particularmente de cada uma das duas forças nucleares, é importante falarmos aqui de outra coisa: a composição elementar da matéria, sobre a qual estas forças se exercem, porque o átomo não é o seu constituinte mais fundamental (pequeno, básico, elementar, o que se lhe queira chamar…). É por isso que se fala de mundo subatómico, é porque encontramo-nos ao nível das infra-estruturas atómicas. É do senso comum que os átomos são constituídos por um núcleo (que por sua vez é constituído por neutrões e protões) e por electrões, que rodam à sua volta.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mas não é tudo! Esses protões e neutrões são compostos por elementos ainda mais fundamentais, a que se chamam quarks (o Gell-Mann retirou o nome do romance do James Joyce “Finnegan´s Wake“, que era uma referência assídua no pensamento do Marshall McLuhan que eu adoro). São conhecidos (tanto quanto sei) 6 tipos de quarks, mas para o que nos interessa vou só descrever que os protões são compostos por 2 quarks up e 1 down e que os neutrões são compostos, inversamente, por 2 quarks down e 1 quarks up.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Além dos quarks, existem outras partículas fundamentais conhecidas - com nomes estranhos como o muão, o tao, os neutrinos, o electrão (este menos estranho hehe) - e todas elas apresentam massas diferentes e por sinal, valores com discrepâncias significativas e inexplicáveis, entre essas massas. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Já o fotão - o mensageiro do electromagnetismo - não tem massa (mas quanto a isto, talvez venhamos a ser surpreendidos brevemente…) e por isso move-se muito mais livremente que o resto da matéria (talvez seja por isso que se diz que nada viaja a uma velocidade superior à da luz, o que é completamente diferente de dizer que não há possibilidade de transmitir uma mensagem a uma velocidade superior à da luz e o entrelaçamento quântico é a prova).&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A razão de ser destas diferenças (ou ausência no caso do fotão) entre massas é ainda desconhecida e deverá ser revelada nos próximos meses na Suiça, onde está concentrada actualmente toda a atenção da comunidade de físicos das partículas (e não só, obviamente). Mas também não é esse o motivo deste texto.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Voltando às forças subatómicas, nomeadamente à força nuclear forte e às suas partículas mensageiras - os gluões - podemos dizer que este nome é particularmente feliz porque aquilo que eles fazem - além de contribuírem significativamente para a massa total dos protões e dos neutrões, pois são muito energéticos e como o Einstein esclareceu: E=MC2) - é manter os quarks unidos (colados..“glued“..) no seu interior.&lt;br /&gt;Ou seja, são umas particulazinhas minúsculas, que estão no interior dos protões e dos neutrões (que por sua vez compõem o núcleo dos átomos) que mantém os seus constituintes - os quarks (bem como os próprios protões e neutrões no interior dos átomos) colados! &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quando se imagina o núcleo de um átomo, a imagem só é possível graças à acção dos gluões, que impedem que a matéria no seu interior se disperse.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Quanto à força nuclear fraca e aos bosões fracos de gauge (mais particularmente W e Z), pode dizer que estes são os responsáveis por certos fenómenos de transmutação de partículas relacionados com decaímentos radioactivos - por exemplo de substâncias como o cobalto ou o urânio - mas é cem mil vezes mais fraca do que a força forte, razão pela qual o núcleo atómico é possível, embora não necessariamente estável.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Estas partículas mensageiras - fotões, gluões e bosões - não são os transmissores das forças por si próprios. Eles funcionam antes como se fossem os transmissores de uma mensagem que determina como é que o seu recipiente responde à força em questão. Por exemplo, quando 2 partículas apresentam cargas diferentes (+- ou -+) o fotão passa a mensagem “aproxima-te”, quando têm cargas iguais ele sussurra “afasta-te”…tão simples quanto isto.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Voltando à Simetria, já vimos que a força da gravidade obedece a este princípio garantindo a igual validade de todos os pontos de vista observacionais possíveis - de todos os referenciais de observação possíveis. De tal maneira que, mesmo um observador que intuitivamente consideraríamos em aceleração, pode, se o tomarmos como referência, considerar-se em repouso, atribuindo o seu movimento ao campo gravitacional sob cuja influência se encontra. E é isto que significa o termo relatividade.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Embora, como disse, tanto quanto sei existam 6 tipos diferentes de quarks, eles podem ser divididos em 3 famílias diferentes - e aqui vais “simplesmente acreditar porque senão nc mais chego à parte importante do texto! Podemos dar-lhe 3 cores, que correspondem a cargas diferentes da força forte - vermelho, verde e azul - para podermos ter uma imagem mental do processo (o que é uma péssima ideia já que isto só se pode entender profundamente com matemática..mas como não tenho a matemática..vou optar pela péssima ideia..).&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Assim, ao que parece, os dados experimentais também confirmam uma simetria entre os quarks. As interacções entre quarks com a mesma cor (vermelho-vermelho; verde-verde ou azul-azul) são todas idênticas! Tal como as interacções entre quarks com cores diferentes (vermelho-verde; verde-azul ou azul-vermelho) também o são. Isto significa que mesmo que mudemos as cores (cargas de força forte) eles continuarão a comportar-se fisicamente da mesma maneira. Ou seja, por mais manipulações que exerçamos, a física permanecerá inalterável, já que o critério a que o comportamento dos quarks obedece é um princípio de simetria. Neste caso, a Simetria de Gauge.&lt;br /&gt;Esta descrição, também é válida para as forças electromagnetica e nuclear fraca e a própria existência destas forças (que em 1979 ficámos a saber que na realidade deverão ser 2 faces da mesma moeda, tal como a electricidade e o magnetismo - mais uma pa resolver na Suiça no LHC!) fica a dever-se a outras simetrias: a Simetria de Gauge Electromagnética e a Simetria de Gauge Fraca.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Temos assim um resumo, que admito eventualmente aborrecido porque esta não é a minha área e por isso não consigo dizer estas coisas duma maneira mais poética ou inspirada...mas acredito que a poesia se encontra latente na própria concepção do Universo.&lt;br /&gt;Compreender a improbabilidade de tudo isto é compreender o quanto tudo quanto existe é extraordinário! E esse terreno, fora da ordem, para além da ordem, é o terreno de toda a poesia.&lt;br /&gt;Reconhecer uma descrição disto, provoca um arrebatamento absoluto para fora de nós próprios e recorda-nos o sentido de toda a sedução…sem que no entanto alguma vez tenhamos tido acesso algum ao descrito..e isso chega-nos!&lt;br /&gt;Perceber o quanto tudo é inominável, o quanto tudo é benevolente, o quanto até a violência indelével em todo este existir resulta num mundo que nos é oferecido de forma a que o possamos ir sondando aos poucos, descobrindo-o e descobrindo-nos nesse mesmo gesto…enche de uma alegria inusitada e é aquilo a que posso chamar “o mais próximo de felicidade que alguma vez me senti“. Não está na física, como não está na psicologia, como não está em lugar nenhum em particular. Pelo contrário, está em todo o lugar! Por toda a parte por onde se estende esta imensa bondade que nos rodeia e que quando nela reparamos nos segreda que tudo está bem e que os nossos dramas, são inteiramente isso…somente dramas e somente nossos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;À Simetria, então e à sua expressão na minha área.&lt;br /&gt;Como quero acreditar que já se percebeu, ela encontra-se inscrita na forma que confere existência ao Universo. Pode ser uma descoberta recente para o Homem, mas parece que sempre esteve lá (aqui?) e aquilo a que temos acesso é a um seu estado já bastante degradado, pois segundo as teorias físicas actuais, ela terá sido imensamente maior, senão absoluta, no momento zero: O momento do Big Bang!&lt;br /&gt;É nossa responsabilidade, agora que a conhecemos, respeitá-la e dar-lhe a atenção que verdadeiramente merece.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;É minha obrigação e de todos os meus colegas, sair de dentro das cavernas das faculdades e enfrentar o mundo.  Como diz o Coimbra de Matos: “Só puxa dos galões quem não tem colhões!”, por isso, é o momento de deixarmo-nos de fantasias de criações de ordens e outras dispersões de atenção que tais, de parvoíces e disputas pelo reconhecimento (se se queriam encapsular, tivessem seguido carreira política que é onde se concentram os autistas). É hora de crescermos e de sondar o mundo, considerando as descobertas do nosso tempo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Somos qualquer coisa radicalmente diferente das ciências exactas e conservarmo-nos como tal é a nossa obrigação. Para que sejamos sempre uma alternativa. Para que sejamos sempre um último reduto, onde o número não chega e a razão se inclina.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Temos então a simetria e a relação objectal. E no meio a função e a utilidade.&lt;br /&gt;Relações funcionais, todos sabemos o que são. Não são relações. São delírios que partem do pacto secreto que fazemos connosco próprios de nos tornarmos princípio, meio e fim! E a descoberta do próprio como uma finalidade em si, é a descoberta, por excelência do Homem moderno. Pois que o processo é a sua única razão.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“Para seres eficiente, sê preciso no que fazes” segredam-nos de todas as direcções. “Especializa-te!”…“porque não és especial“, deviam acrescentar…mas nem precisam…porque a capa da banalidade assenta-nos como o conforto de uma luva.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E de fragmentação em fragmentação, o quadro psicótico estilhaça por todo o lado e só quem vive no psicotismo não o percebe - tudo o que é absoluto é invisível (é por isso que se diz que "não se sabe quem descobriu a água, mas sabe-se que não foram os peixes"). Só quem já perdeu o princípio de realidade não percebe que a realidade é um princípio e que não são as coisas em si. E que para as coisas obedecerem a princípios, elas têm que ter um representação para nós - ou seja, têm que ser sempre diferentes do que são. Nesta perspectiva, o princípio de realidade não existe fora do quadro psicótico. Ele, como obrigação, é a pura emanência da psicose generalizada. A confusão entre ele e as coisas em si, é a confusão de tudo e a perda do princípio.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O Homem individualizado não é um indivíduo. É um fragmento. Como uma partícula. E comporta-se como uma partícula (com aparentes particularidades e idiossincrasias, mas na verdade repetindo padrões). Se não olhamos para ele, parece agir em grupo, por modelos, por identificação. Mas quando o observamos directamente, ele comporta-se individualmente e descontínuo do resto. Como na incerteza quântica, aquilo que enfrentamos quando olhamos para um Homem atomizado é uma total irrazoabilidade e uma crise de identidade instalada.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mas não se nota. Claro que não se nota, porque ninguém olha! Olham os psicólogos para os pacientes, mas não olham para os Homens nem se preocupam em perceber o que está a acontecer com eles. Apenas se preocupam em “com-preendê-los” e em obter confirmações da validade da sua abordagem.&lt;br /&gt;E quando o fazem, recorrem sempre aos mesmo recursos: as teorias de outros psicólogos….como um doente psicótico, que usa sempre os mesmo recursos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A simetria está por todo o lado na relação objectal. É por isso que não temos relação com os objectos e é por isso que tudo se tornou objecto - porque perdemos a alteridade, perdemos o outro e só nos temos a nós.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;É porque tudo é simétrico que embora a repetição seja impossível, tudo é repetição simétrica. Tudo é copia e o espaço para o autêntico está cada vez mais reduzido, pois a hiper semelhança assassina sempre o original.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Nada nos faz falta, porque tudo é trocável, desde que cumpra a sua função e a nossa actual tendência nómada só se libertou porque nada é fundamental. Nem a cultura, nem a família, nem os amigos, nem as coisas. Tudo, sem excepção, é simétrico e cumpre a função.&lt;br /&gt;Perde-se? Arranja-se outro! Outro computador, outro livro, outra TV, outro ipod, outra namorada, outra família, outros amigos…outro EU.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mas a questão que a simetria no contexto da relação objectal levanta, é muito mais profunda e está para lá de qualquer parábola. Ela é a própria ilusão que é, paradoxalmente, a própria realidade em que nos encontramos: Simétrico do quê?..se já não há o Outro..&lt;br /&gt;E no entanto, tudo continua a ser extraordinário, mesmo no meio do drama!&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/587022535532538904-1140421787953639674?l=migueljcoelho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://migueljcoelho.blogspot.com/feeds/1140421787953639674/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=587022535532538904&amp;postID=1140421787953639674' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/587022535532538904/posts/default/1140421787953639674'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/587022535532538904/posts/default/1140421787953639674'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://migueljcoelho.blogspot.com/2008/06/simetria-fsica-e-relao-objectal.html' title='Simetria e fragmentação'/><author><name>Miguel Coelho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15933314384177424603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-587022535532538904.post-5803778904777742740</id><published>2008-05-23T22:26:00.003+01:00</published><updated>2008-05-23T22:30:16.046+01:00</updated><title type='text'>As PSA</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;O mundo em que vivemos oferece-nos lições verdadeiramente fascinantes…vê lá bem esta cena:&lt;br /&gt;Praticamente assim que comecei a trabalhar com as pessoas sem-abrigo, confrontei-me com a questão do conceito. Entretanto, mudei de opinião em relação a muitas coisas, mas não em relação ao conceito. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Hoje, como no inicio, refiro-me às pessoas que se encontram naquela situação como pessoas sem-abrigo e faço questão de dizer a palavra “pessoa” antes de designar a condição, pois sempre me pareceu uma forma mais adequada, na medida em que tratando-se de pessoas, o risco de perderem a sua dimensão essencial ao serem categorizadas num grupo, é para mim uma preocupação importante.&lt;br /&gt;Pôr lá a palavra pessoa é relembrar simultaneamente a sua condição humana e a sua condição individual e dizê-la antes da categoria, é torná-la principal. Pensei pois que protegia melhor o meu “objecto”. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Esta perspectiva vale por si própria e nem merece muita consideração para ser aceite, pelo que, sempre que me empenhava em explicar porque o fazia, os meus interlocutores rapidamente concordavam. Era engraçado vê-los (e ver-me porque comigo também acontecia) a ficar atrapalhados quando se esqueciam e diziam “os sem-abrigo”. Mas o tempo passou e claro, habituamo-nos a fazer a referência dessa maneira e isso, além do efeito que tem sobre a perspectiva com que abordamos as questões que dizem respeito àquele grupo, torna-se “natural” e passamos a fazê-lo espontaneamente. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Claro que a partir desse ponto, quando alguém se refere “aos sem-abrigo”, a verbalização passa a “ferir-nos” e sentimo-nos desconfortáveis, porque não simpatizamos com a expressão. Como não somos histéricos, nem nos queremos impor, aprendemos também a acreditar que é uma questão de tempo até que o termo seja abandonado, e vamos refinando a explicação da inexactidão e começando a distinguir entre os momentos em que é propositado corrigir dos que em que não o é.&lt;br /&gt;E às tantas cada vez mais colegas dizem “pessoa” e essa deixa de ser uma questão muito importante para nós. Afinal está tudo no bom caminho.&lt;br /&gt;Começam então a ser cada vez menos os momentos em que sentimos necessidade de chamar à atenção para o desrespeito e começamos inadvertidamente a desejar interiormente uma oportunidade excepcional para fazer esse movimento. E a oportunidade, de desejada, acabou mesmo por chegar. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Então, fui chamado para um trabalho de reorganização desta área de intervenção social e além do privilegio de poder participar na promoção de um diagnóstico do fenómeno, que permita a tal reorganização, evidentemente percebi que havia também a oportunidade de um trabalho num universo paralelo - o conceptual - que podia aproveitar para ajudar a concretizar.&lt;br /&gt;Esses trabalhos em que me vi envolvido, quis o destino que os partilhasse com “novos” colegas que partilham comigo, antes do trabalho, a vontade de contribuição e a humildade para admitir que pouco sabemos acerca do fenómeno em si. O que foi excelente, pois instalou as condições para que o tal trabalho conceptual paralelo se tornasse possível. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;E lá se colocou a questão do conceito outra vez…quase 5 anos depois..e eu com 5 anos a mais de convicção e de esclarecimento intelectual acerca disto tudo…com 5 anos a mais de contacto com pessoas sem-abrigo e 5 anos mais de confirmação da evidência de se tratarem efectivamente de pessoas. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;É o facto de serem pessoas e de o continuarem a ser, que não me deixou cair a esperança, até porque com o tempo fui percebendo que a esperança não é para aqui chamada, a não ser que tenhamos a convicção inequívoca do que é “melhor” para os outros.&lt;br /&gt;Pois..quando a questão se colocou e vi imediatamente que a proposta de conceito apresentada não se referia a pessoas, mas a “sem-abrigo”, não foi preciso muito esforço para defender a correcção. Pelo contrário, fi-lo naturalmente e naturalmente havia quem até já concordasse e estivesse até bem mais empenhado do que eu em fazer valer a ideia de se colocar lá o “pessoa” antes. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;E passou! Agora, dizer “os sem-abrigo” é finalmente tão deselegante e até discriminatório como dizer “os deficientes”, esquecendo que antes de o serem, se tratam de seres humanos e que se há alguma coisa que possamos fazer em sua honra, tal só é possível precisamente a partir do trabalho sobre essa sua dimensão: a humana. E é por isso que, sendo primordial, merece privilegio e passa agora a vir antes da categoria! &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Mas há ainda outra coisa. É que quando nos referirmos a uma pessoa sem-abrigo, não nos estamos a referir a uma categoria, ou a um grupo. Aquilo que estamos, na realidade, é a descrever uma situação - e intimamente, esse sempre foi o meu segredo e a verdadeira razão para ter insistido tanto neste ponto. Claro que não a podia ter confessado antes, porque essa perspectiva torna o movimento muito mais subversivo e a subversão só resulta enquanto guardar o seu segredo. Agora posso finalmente dizer isto, porque não terá qualquer consequência: os colegas passaram a dizer pessoas sem-abrigo porque o argumento humanista era válido, mas a realidade é que quebraram a fronteira e deixaram de referir um grupo compreendido e passaram a usar um termo descritivo, como termo referenciação. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;E parecia que tinha conseguido…pois..parecia, mas não tinha. É que como lhes escapou este princípio subversivo, não perceberam que a linguagem e as palavras são sempre mais do que significam e que isso as torna singulares. Não perceberam que há uma potência ritualística na língua e que se pratica uma forma de magia quando se diz as coisas todas e correctamente. É o respeito que devemos à língua: falá-la correctamente…e é, de resto, o respeito no uso da língua que devemos também a nós próprios. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Este sujeito que aqui escreve, por sua vez, não percebeu outra regra do jogo. É que não se devem tomar as hipóteses por realidade. Não se deve contar com a absoluta cumplicidade dos nossos objectos, porque ela é apenas uma hipótese. E quando o fazemos, eles vingam-se e tornam-se paradoxais. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Foi o que aconteceu. A jogada final ainda estava guardada e quando pensei que tinha compreendido e promovido a compreensão, a coisa virou-se e zás! Quando esta nova geração de técnicos (à qual, não obstante, me orgulho imenso de pertencer) começou a usar o termo, apropriou-se dele e perdeu a distância exigida para o respeitar. E então, como passou a sentir-se tão próxima do “objecto” começou a “tratá-lo por tu” e agora todos sabemos que, para simplificar, a sigla PSA passou a significar “pessoa sem-abrigo“…E daqui não consigo imaginar saída. Não há força intelectual que consiga derrubar o fascínio que a utilidade de uma sigla oferece. PSA… &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Olha…se ainda me for permitido desejar alguma coisa, desejo que ao menos lhes perguntem muitas vezes o que significa…lol&lt;br /&gt;E agora a sério, quando é assim, com esta ironia, fico com um sorriso no rosto e nem me importo de não conquistar com o meu ponto de vista. Provavelmente também não era o correcto. Os pontos-de-vista nunca o são.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/587022535532538904-5803778904777742740?l=migueljcoelho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://migueljcoelho.blogspot.com/feeds/5803778904777742740/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=587022535532538904&amp;postID=5803778904777742740' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/587022535532538904/posts/default/5803778904777742740'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/587022535532538904/posts/default/5803778904777742740'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://migueljcoelho.blogspot.com/2008/05/as-psa.html' title='As PSA'/><author><name>Miguel Coelho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15933314384177424603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-587022535532538904.post-3686621564220055495</id><published>2008-04-25T11:12:00.003+01:00</published><updated>2008-04-25T11:21:31.296+01:00</updated><title type='text'>Desidealizar</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Sempre que assumo uma posição tomam-me por idealista. E fico incomodado. Parece que adoptar uma posição exige coragem e que quando alguém a adopta, logo se entende que tem algo a defender. Como não é, de forma alguma, o que se passa comigo, incomoda-me o mal entendido.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;Dissidí do idealismo, assim como me demarquei da verdade. Ambas são guias onde fulgura latente o perigo. Animam os movimentos que fazemos, com a obrigação secreta da finalidade e reduzem tudo o resto à condição de transitório e eventualmente desprezível. E como acho tudo extraordinário, não vejo porque motivo haveria o fim de ter qualquer espécie de preferência sobre os outros momentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mesmo se aplica relativamente às ideias. Parece-me que são precisamente as ideias que precisam de ser defendidas, aquelas que o devem não ser e por isso recuso-me ao ideal. É ele que deprecia o resto e não o contrário. Ao contrário do desejável que reclama defender, é ele quem instaura o conflito.&lt;br /&gt;Hoje o ideal é impossível, porque tudo se declara com tendência idealista. É a profusão de ideais que extingue a sua validade, não a sua escassez. E por isso há uma generalizada tentação de confundir tudo a que se reconhece valor como sendo ideal…até a coragem, que de ideal não tem rigorosamente nada. A coragem é um meio, não é um fim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num espaço em transformação permanente, a ressonância é a regra e deixámos de ter diferenças mas somente esta forma de estática como uma atmosfera acústica uniforme, onde nada pode sobressair pois a sua função esgota-se na manutenção da ambiência.&lt;br /&gt;Toda esta diferença que se nos apresenta disfarçada de exotismo compõe, na realidade, uma indiferença instalada e tornada absoluta. Aqui, tudo é transitório, trocável e destinado à perpétua circulação…é por isso que desesperamos na expectativa de uma finalidade que adicione um qualquer propósito às coisas e as distinga. E é também daqui que parte a obsessão com a ruptura, que eleva a destruição à qualidade de estética - é daqui deste preciso lugar a que chamamos tédio.&lt;br /&gt;Tudo se justifica com a pretensão de ambicionar a quebra da rotina e é esse o projecto idealista. Só que a mudança “É!” a rotina e nada dela advém para além de mais mudança. É, também, por isso que quando alguém adopta uma posição, parece que quebra a rotina, quando está apenas a reorganizar o cenário...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste jogo de inversões percebi, porém, que a minha demarcação violenta (teve que o ser, pois não havia outra solução) contra o ideal, surge sorrateira como uma outra forma de idealismo e afinal chamaram-me o nome certo…mas pelas razões inversas.&lt;br /&gt;Se sou idealista, sou-o porque ainda há uma posição ideal que me permito: a de ser radicalmente contra o ideal.&lt;br /&gt;Sou idealista porque acredito que as ideias não precisam de ser defendidas (aliás estou convencido que não o “podem” ser). Não há nada que possamos fazer, para defender uma ideia, sem a desvirtuar imediatamente, traindo-a com a introdução do elemento da finalidade. Devem ser livres! E como acredito que as mais adequadas prevalecerão, independentemente do que por (ou contra) elas possamos fazer, sou mais idealista do que os idealistas - porque não considero que haja uma qualquer ideia que mereça destaque e confio mais em todas elas…é deixá-las ir e cumprirem-se.&lt;br /&gt;Não é essa a liberdade de nos cumprirmos a única que, de facto, nos assiste? Então para que outra coisa devem servir as ideias, senão para isso?&lt;br /&gt;Quanto à “Felicidade“…que felicidade é que nos trás a felicidade? Arredar-nos-iamos da liberdade e do destino, em nome da segurança de um ideal (pois…a segurança custa-nos sempre a liberdade e quase sempre o destino)? Que liberdade há num projecto que traça as suas fronteiras à partida, sem nunca as reformular, rejeitando toda a oposição, como se de veneno ou degradação se tratasse? Não consigo imaginar um mundo onde todos seremos felizes dessa maneira…seria triste demais. A felicidade é um momento e assim deve ser recebida, deve ser respeitada e sempre que a tentamos alcançar ou prolongar, traímo-la e a sensação que fica é a de entediamento.&lt;br /&gt;Que olhemos para o tédio, que o apreciemos, que o agradeçamos, que o louvemos..e veremos como na realidade não existe…é só uma distorção reflexa do ideal.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/587022535532538904-3686621564220055495?l=migueljcoelho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://migueljcoelho.blogspot.com/feeds/3686621564220055495/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=587022535532538904&amp;postID=3686621564220055495' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/587022535532538904/posts/default/3686621564220055495'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/587022535532538904/posts/default/3686621564220055495'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://migueljcoelho.blogspot.com/2008/04/desidealizar.html' title='Desidealizar'/><author><name>Miguel Coelho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15933314384177424603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-587022535532538904.post-2174661535714021498</id><published>2008-04-06T19:40:00.002+01:00</published><updated>2008-04-09T18:12:39.548+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='não-propriedade'/><title type='text'>Da não-autoria</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Há qualquer coisa estranha, que fica a tinir por dentro, sempre que cito um autor. É qualquer coisa desconfortável.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Não porque me sinta a apropriar-me de qualquer coisa que pertença a outro, mas sinto-me desconfortável, justamente, porque ao citá-lo, reconheço o que cito como pertencendo a esse autor. Ora, nem o autor alguma vez me autorizou a que o fizesse, nem eu, alguma vez, lhe reconheci propriedade sobre as matérias que referiu. E esta é uma das razões do desconforto.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Por outro lado, quando faço uma citação, sinto-me como se estivesse a apropriar-me indevidamente, não do que cito, mas de tudo o resto, que por não ser citação, é assumido como sendo originalmente meu.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ou seja, não é a citação, em si, que me causa desconforto, mas a questão da propriedade, que impõe. Nada daquilo que escrevo considero como meu, mas se o sonho como pertencendo-me - e sonho-o por vezes - sinto-o, mais como um “mal-entendido”, do que como uma singularidade. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Tudo o que escrevo e penso é um resultado de um processo sobre o qual não possuo qualquer espécie de controlo. Todo o conhecimento implícito no texto, não fui eu quem o construiu, simplesmente “chegou-me” e em mim é unificado por uma forma a que se chama habitualmente consciência. É ela quem reúne toda essa memória e que a organiza. É ela que a unifica e que a configura em coerência, de forma a que possa ser exprimida.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mas, tal como tantos outros conceitos referidos a despropósito, também a consciência se trata de qualquer coisa que ninguém sabe ao certo o que é.&lt;br /&gt;Presumimos que é da sua acção interfacial, entre o mundo interior e o exterior, que nasce a possibilidade da personalidade. Que é outro conceito muito interessante.&lt;br /&gt;“Personalidade” vem do grego “persona”, que significa máscara. Então, quando dizemos que alguém tem uma grande personalidade, o que estamos efectivamente a dizer, é que esse outro tem uma máscara bem ornamentada e definida. Mas então, é a consciência quem opera e aquilo que vemos é apenas o reflexo de qualquer coisa projectada no exterior, através dessa simulação a que chamamos tão inspiradamente, personalidade.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Esse outro que escreve através de mim, não sei quem é. Nem sei se é individual e o que me resta é a esperança de o não ser. É essa a esperança que ponho no que escrevo, a esperança de compreensão e de fusão intelectual, ao que gosto de chamar: possibilidade de cumplicidade.&lt;br /&gt;E sinto-me um seu medium. Um medium da expressão das suas colecções interiores, depois de submetidas a um complexo processo de sentimento. Mas nada disso sou eu quando escrevo, quando escrevo sou apenas o canal…&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Dou por mim, muitas vezes, a encontrar escritas por outros, coisas que eu próprio já tinha escrito e pergunto-me se as terei lido antes. E nunca me respondo com certeza…mas o que sei imediatamente, é que o simples facto de me colocar a questão, indicia que, tenham sido lidas ou não, aquelas palavras deixaram naquele instante de me pertencer...e esta coisa a tinir silencia-se. Porque então tenho a certeza da minha não-propriedade intelectual.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Sinto-me assim, desresponsabilizado e parece que até dá jeito. Mas afinal o que é a responsabilidade? Ser-se responsável implica ser-se consciente, pois não podemos assumir responsabilidade sobre aquilo acerca do qual não temos consciência.&lt;br /&gt;Eu não tenho consciência sobre a forma como o conhecimento latente no texto foi congregado, não tenho consciência do processo interior que o organizou, não tenho consciência da verdadeira razão pela qual escrevo e muito menos das consequências que o texto pode ter. Escrever é, na minha concepção, um processo de pura inconsciência e de extrema irresponsabilidade. Como posso eu assumir propriedade sobre o que quer que seja, que saia desse exercício?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Assumir o que se escreve só pode fazer sentido quando baseado em 2 motivos. Um, o de conservação da identidade, alicerçando a posição no mundo sobre essa construção intelectual. O outro, o de intensificação da experiência do mundo, por intermédio da procura de validamento pelo outro, da individualidade do próprio (que é também a base de toda a ideologia).&lt;br /&gt;Duas coisas a que me recuso. Primeiro, porque faço tudo quanto posso para me esquecer de quem sou. Parece-me uma forma mais inteligente de me colocar à disposição do mundo e de partilhá-lo. Depois, porque o reconhecimento do outro encurrala-me mais, nessa personalidade em que me configura, do que me liberta da ilusão de mim próprio.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Gostava que houvesse uma terceira via. A via da não-autoria. Gostava que não me apontassem o plágio, mas que me considerassem um plagiador natural. Gostava que tu que me lês, percebesses que não sou eu quem escreve este texto…quem o escreve, é um sonho de mim. Um sonho de liberdade. E todos sabemos que a liberdade só vale enquanto puder ser sonhada.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/587022535532538904-2174661535714021498?l=migueljcoelho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://migueljcoelho.blogspot.com/feeds/2174661535714021498/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=587022535532538904&amp;postID=2174661535714021498' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/587022535532538904/posts/default/2174661535714021498'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/587022535532538904/posts/default/2174661535714021498'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://migueljcoelho.blogspot.com/2008/04/da-no-autoria.html' title='Da não-autoria'/><author><name>Miguel Coelho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15933314384177424603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-587022535532538904.post-6096700090646737725</id><published>2008-04-04T23:32:00.003+01:00</published><updated>2008-04-09T18:41:25.776+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='desafios ciência'/><title type='text'>De frente</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;O mundo mudou de forma. Mas ter mudado de forma não significa que se tenha, já, tornado qualquer coisa. É a velha hipótese nietzschiana, não do “mudar”, mas do “tornar-se”, a resplandescer nesta nova aurora que alguns já pressentem.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Lamenta-se o fim que ela carrega consigo e aí, é a fixação no passado, numa lamúria pós-moderna…o que é, na minha perspectiva, muito pouco saudável. Repetir e anunciar o fim, numa histeria sistematizada e mascarada de ironia, é mais sinal de ressentimento, do que propriamente de clarividência.&lt;br /&gt;Este lamento demorado, este moralismo nostálgico, sob a capa da crítica iconoclástica tornou-se moda - a moda da saudade irónica - e a “sociedade de consumo”, as “necessidades modernas”, ou o “desenvolvimento sustentável”, bem como as constantes referências a conceitos importados de outras áreas que entretanto se tornaram divulgadas (como a electromagnética-quântica, que não se tornou moda por acaso, como este texto insinua) fazem parte de um novo léxico que pretende constituir “a” ferramenta, por excelência, de abordagem do mundo contemporâneo - é por isso que é invocado a propósito de tudo e, quase sempre, de nada. E, então, temos o Sokal e o Bricmont a baralharem-se completamente no sentido da critica que pretendem aplicar (claro que físicos, que fazem questão de não se esquecer que são físicos, só podem organizar as críticas que proferem, no terreno da formalidade do uso dos termos e nunca como demarcação filosófica), sem que no entanto, essa critica perca a sua pertinência, pois que denuncia a apropriação indevida.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Num ambiente acelerado de tecno-novidade e de tecno-inovação, onde a permanente mudança é a regra, é fácil cometer este tipo de abuso, pois aparentemente não é preciso dominar muito bem os conceitos para os extra-polar, sem que, quem quer que seja, se atreva a esclarecer a inadequação.&lt;br /&gt;Em espaços de ressonância tudo pode ser analisado de diferentes perspectivas e essa característica, como todas as outras, não é boa, nem má, mas antes um facto que não pode ser ignorado.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas este "súbito e profundo entendimento” pós-moderno (seja lá o que isso for) das condições da actualidade, é muito suspeito, na medida em que o pensamento moderno, que é o seu horizonte de memória, caracteriza-se justamente por negligenciar (e até de abafar) tudo aquilo que é característica fundamental do presente, e percebemo-lo quando se reclama que “é preciso tempo” para entender o alcance dos fenómenos. Eis a reclamação da representação dos processos, como sinal da total incapacidade e falta de vocação disciplinar, para a abordagem do presente.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Estamos num mundo de eco e o próprio carácter euclidiano do espaço mental ocidental está na iminência de deliquescer nessa dimensão acústica que tomou conta do mundo em que julgamos habitar.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O ponto central do discurso de fecho da presidência da ONU, pelo Kofi Annan, foi precisamente esse: a evidência da teoria do caos - o facto de tudo ter impacto sobre tudo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Dizer que o mundo mudou de forma, implica naturalmente, discordar da sua postura. Dizer que o mundo mudou de forma, implica dizer que a bitola pela qual se analisava a formalidade dos impactos, deixou de ter aplicabilidade. Assim, o Kofi Annan dizer que tudo tem impacto sobre tudo, não foi um último assomo de lucidez, mas simplesmente a declaração pública do fim de uma era, que se revela finalmente incapaz de apreciar o ritual poético do seu próprio desaparecimento. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O discurso do Kofi Annan foi responsável, porque convocou o Poder a aperceber-se do determinismo do seu papel. Mas essa responsabilidade imbrica-se na mesma lógica do discurso historico-tautológico que se limita a descrever tudo, sem pretender entender nada. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;É evidente que num mundo em que a regra é a mudança permanente e o eco, o Poder, se consistir em algo mais do que na sua própria simulação, não se rege pelas mesmas leis da concentração, pelas quais se regia quando o mundo era fixo e burocrático. E é exactamente porque o Poder já não se concentra (sempre que tal acontece, implode sobre si mesmo, porque não se sustenta - o poder nunca se sustenta) que ele não é convocável (localizá-lo num país - os Estados-Unidos - foi apenas uma consequência desta falha de interpretação).&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Apreender a relevância dos fenómenos, pelo impacto que têm, num espaço em que o impacto é a constante, resulta em impotência generalizada. Impotência essa que é, curiosa e simultaneamente, o princípio etiológico e o ambiente intelectual pós-modernista, que afinal não está assim tão distante da desilusão expressa no rosto do Kofi Annan quando se despediu.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Fazendo uma analogia de época - se é que tal coisa é sensata ou, sequer, possível - as condições actuais não se assemelham muito diferentes daquelas em Portugal se encontrava quando partiu para os descobrimentos. Nesta analogia, é fácil adivinhar quem são os “velhos do restelo”. O que é difícil, é adivinhar quem serão os “navegadores”, capazes de descobrir novos mundos, dispostos a sacrifícar-se - via essa que é radicalmente diferente de qualquer via messiânica.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Há subtracções que implicam perdas de várias ordens. Nem sempre aquilo que é subtraído corresponde exactamente ao que se retirou e são, aliás, raros os casos em que isso acontece. Cada vez mais raros, porque as consequências são cada vez mais avassaladoras e imprevisíveis, a partir do momento em que tudo é ressonância…e a ressonância tornou-se o nosso habitat…&lt;br /&gt;Aqui, neste espaço, não tem lugar a nostalgia nem o lamento. No mundo em que fingimos continuar a viver, o social está absolutamente desconfigurado, e a impossibilidade da instituição “família” - que tem sido a sua base - é o sintoma mais óbvio.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas o que é que temos a agradecer à “família” além das neuroses e de alguma eventual herança financeira? Não seria, a segurança que esse esquema oferecia, mais uma denegação da desorientação geral, do que alguma forma orientada de enfrentar o assombroso mundo em que caímos inseguros e desorientados no momento do nosso nascimento? Antes a insegurança, que ao menos é autêntica…&lt;br /&gt;Não! Não lamento o fim da família. Assim como não lamentarei o fim do social…pelo contrário, penso que é urgente que ele se revele para que seja possível uma nova atitude perante o mundo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Aquilo que nos foi retirado, de importante, foi a capacidade de sacrifício e é por isso que tudo parece tão aterrador fora do clima da banalidade - e aí a temos..a banalidade ascendente à categoria de sagrada. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tudo tem implicações e o recuo para os “guetos do quotidiano” é a forma do recuo perante a imprevisíbilidade. Só que a imprevisibilidade é a nova regra. E vai, naturalmente, tomar também o quotidiano.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A cobardia (de que o evitamento ou o adiamento são expressões) perante os desafios que estão a surgir (ou devo dizer descobrimentos científicos?) é, para mim, o perigo derradeiro. E ela nasce da ausência de capacidade de sacrifício em que nos encontramos. Ninguém está disposto a abdicar do que quer que seja de adquirido, mas não percebe que já nada lhe pertence e que já nada o assegura. Vivemos pois a época da privação em pleno contexto da abundância e esse dado é confirmado pela transversalidade social que a privação adquiriu, sob as suas diferentes formas (desequilíbrio económico, emocional, racional, etc).&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Num momento em que a mudança se instalou completamente e em que nada se mantém, já nada há a perder. E não é assim tão utópico pensar em novos “navegadores”, ao melhor estilo do Pedro Álvares Cabral, a quem, num ambiente onde perdera o principio de realidade, o delírio da vitória ordenava que avançasse sobre o medo, pois que essa era a única atitude saudável e sensata. Então (como hoje), não havia volta atrás!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Resgatemos pois a coragem - que não se faz sem sacrifício - não das malhas nostálgicas do messianismo, mas do espírito aventureiro que, desde sempre, nos habita e que, ao longo do tempo, se tem revelado a espaços.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Não há nada a temer e exercícios nostálgicos como a bioética (todas as formas multidisciplinares são nostálgicas e logo impróprias, quando pretendemos relacionarmo-nos com o futuro) ou os discursos apocalíptico-ironicos (tanto o apocalipso como a ironia são, tão despropositados como impossíveis, no ambiente de ressonância virtual em que vivemos) só servem para arquitectar uma tentativa desesperada de conservar a ambiência de familiaridade na qual tratamos, arrogantemente, por “tu” a realidade.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Não há nada a temer, nem sequer o nosso fim, porque, como o Pessoa disse, “sem a loucura o que é o Homem mais que a besta sadía. Cadáver adiado que procria?”. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Não há nada a temer porque o desconhecido é, embora o deneguemos e o esqueçamos, o espaço em que nos movemos.&lt;br /&gt;Se tivermos que terminar, que o façamos com glória, como toda a morte deve ser vivida, já que se trata do capítulo que torna toda a vida completa! E então, nada também há aí a temer.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Olhemos para isto de frente, como o Cabral olhou para o destino, sem se lhe colocar a questão da sobrevivência - tendo inclusive proibido-a à sua tripulação - porque o seu olhar pairava sobre o futuro e não sobre o fim.&lt;br /&gt;Venham os descobrimentos da ciência! Se tiverem que vir o caos e a loucura com eles, que venham. Não é, afinal, no desastre que já nos encontramos? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Por exemplo, o que é a ideia da Clonagem Reprodutiva Humana, além da metáfora para a recusa ao desaparecimento e para a simulação narcísica da existência?…como no cancro em que as células se replicam irrazoavelmente, num acrescento mortal de vitalidade…A ideia da C.R.H JÁ É isso tudo! E foram essas angustias todas que a desejaram e tornaram possível…vai acontecer, como é inevitável e óbvio, mas essa é a parte menos perigosa…&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Encaremos sempre de frente porque, só assim de frente, nada há a temer!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/587022535532538904-6096700090646737725?l=migueljcoelho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://migueljcoelho.blogspot.com/feeds/6096700090646737725/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=587022535532538904&amp;postID=6096700090646737725' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/587022535532538904/posts/default/6096700090646737725'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/587022535532538904/posts/default/6096700090646737725'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://migueljcoelho.blogspot.com/2008/04/de-frente.html' title='De frente'/><author><name>Miguel Coelho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15933314384177424603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-587022535532538904.post-3001496010137548005</id><published>2008-03-27T22:47:00.001Z</published><updated>2008-08-04T23:51:49.501+01:00</updated><title type='text'>A professora, o telemóvel e a menina</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:130%;"&gt;“Educare, no latim, era um verbo que tinha o sentido de “criar (uma criança), nutrir, fazer crescer. Etimologicamente, poderíamos afirmar que educação, do verbo educar, significa “trazer à luz a idéia” ou filosoficamente fazer a criança passar da potência ao ato, da virtualidade à realidade.”&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Já vi a cena da menina e da “professora” no youtube. Tive que ver porque não param de falar nisso…dizem que deu no telejornal…e sinto-me envergonhado. Não queria, mas sinto.&lt;br /&gt;Sinto-me envergonhado, não por aquilo que aconteceu, mas pela previsibilidade de toda a situação e por tudo aquilo que vai acontecer a seguir.&lt;br /&gt;Pois bem, então a menina lá acabou por arrancar o telemóvel da mão da professora no final…como lhe competia, claro! É certo que contou com a colaboração dos colegas, mas esses mesmos colegas não teriam interferido se a professora tivesse dominado a situação. Por isso, foi só meia colaboração. Digamos que resumiram-se a criar um ambiente em que era possível que se levasse o filme até ao fim. Não mais do que isso.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Claro que passarem as imagens no telejornal já não tem nada a ver com isto. Esse é outro filme. É um filme de terror, em que são também - e sobretudo - actores, os espectadores deste reality show. O objectivo é a disseminação pública da vergonha e é atingido…toda a gente se envergonha, por motivos diferentes certamente, mas sim, até eu. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;As reacções são diversas, mas nem tanto. Divergem apenas na posição que o espectador decide adoptar relativamente à vergonha que sente. Como é evidente, no telejornal nunca se explica seja o que for, oferece-se apenas a imagem enquanto verdade de si própria, tornando impossível qualquer espécie de representação da cena…e sinto-me envergonhado.&lt;br /&gt;Os mais lúcidos, recuam perante a cena, mas ainda assim, não conseguem escapar-lhe e então, como não sabem o que é que se passou para além daquele espectáculo que assistiram…desatam a supor. Começam a imaginar o que é que poderia ter acontecido antes, se fosse com eles, que explique a cena…e já estão no caminho que leva aos terrenos irreversíveis do delírio.&lt;br /&gt;Os supostamente menos lúcidos, não se obrigam a tanta responsabilidade e reagem violenta e imediatamente. Para esses não há diferença entre a cena e a realidade e tudo é como uma telenovela - por falar em telenovelas, um bom exemplo desta perda de distância, encontramos nos casos de agressividade dirigida na, via pública, contra os actores que representam uma determinada personagem de que não se gosta. Para esses, não há diferença entre personagem e actor e provavelmente estão mais próximos de uma possibilidade de realidade, do que os outros que supondo-se lúcidos, ficam num meio caminho entre não viver a cena, nem viver sem escapar de nela participar sem se aperceberem…e sinto-me envergonhado. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Do que é que se trata afinal? De várias coisas e podemos reflectir sobre algumas.&lt;br /&gt;A vergonha é, para mim, a primeira delas porque foi a que me atingiu primeiro. É perante o embaraço da possibilidade dos nossos filhos comportarem-se daquela maneira que as imagens nos colocam. E a reacção é imediata. Toda a gente se apressa em demarcar-se e insinua que se fosse sua filha, ou não faria aquilo, ou se fizesse, sofreria graves consequências, para “aprender” a não voltar a repetir. Mas esta reacção é previsível. Tão previsível, que até passaram as imagens no telejornal para a desencadear… &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;E a professora? Onde é que fica nesta história? “Coitada…foi vitima“. Então o que é que se faz? Sugere-se-lhe que exerça o direito a exigir uma forma de justiça que a restitua da dignidade perdida. E é o que fará, podem estar certos. É altamente provável que a “professora” vá apresentar queixa contra a menina e se o fizer, provável será também, que o veredicto seja exemplar! E faz-se justiça…e sinto-me envergonhado.&lt;br /&gt;Mas não fica por aqui. É previsível que na próxima semana no programa prós-e-contras - o último grito da simulação do debate público em Portugal - o tema seja “O estado da educação” ou qualquer aberração do género (peço desculpa antecipadamente se não for no prós-e-contras mas sim noutro programa, mas é que há já algum tempo que deixei de usar a TV..tenho internet e assim ao menos sou eu quem escolhe a verdade com que me enganar). &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;E então a coisa começa a ficar séria.&lt;br /&gt;Pode, no entanto, ficar mais séria se conseguirem persuadir os papás da menina a participarem na humilhação pública com vista à reabilitação da sua imagem enquanto pais. Aí a coisa fica mesmo séria, porque então a menina fica, final e completamente, sozinha e nem quero pensar no que lhe pode acontecer…e quando penso, sinto-me envergonhado.&lt;br /&gt;Mas pode ainda tornar-se realmente escandalosa. Para isso era preciso convencerem a “professora” a participar no programa. Claro seria necessário mais tempo para ser possível que a professora exorcise primeiro a parte da culpa que sabe que tem. E assim, só teríamos programa na outra semana…vamos ver como é que a comunicação social vai gerir estes tempos. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;Se optar por fazer disto um caso sério - é possível que opte, porque os professores são uma classe que pelo facto de ser capaz de se manifestar, torna-se um público apetecível - a professora irá estar lá em representação da classe, o que suscitará movimentos de identificação e de envolvimento que não podem ser desprezados. Será polémico…como as imagens…e aí veremos se é realmente esta a lógica interna de todo este processo. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Se se quiser falar de educação, não me interessa lá qual é a história desta professora em particular, interessa me antes perceber qual é a história dos professores em geral. E tem sido uma história triste.&lt;br /&gt;Começaram por ser os peões da guerra feita às crianças, pela sociedade, ao constituirem a pedra angular dum inferno particular chamado Escola. Mas o seu papel corruptor não se extinguiu aí. Mais recentemente, colaboraram na inversão completa de qualquer ideia de educação que pudesse ainda existir ligada à Escola. Tornaram o ensino, não um espaço de aprendizagem destinado aos alunos, mas um mercado de trabalho que dá emprego a muita gente, gente cuja principal função é ocupar o tempo das nossas crianças a ensinar-lhes que a alternativa é impossível.&lt;br /&gt;Estoiram com as nossas crianças, promovem os demasiado fracos de espírito para oferecer resistência e ostracizam os poucos que ainda ostentam, no rasgo de asa, a capacidade de se rebelar. Como poderiam não fazê-lo? Ser professor tornou-se um emprego e como todos os empregados, também os professores evitam a parte complicada do trabalho. E aí não se lhes pode apontar o dedo.&lt;br /&gt;É, aliás, prudente da sua parte que o façam pois o inferno escolar, sem o elemento sagrado da educação, torna-se um pouco mais infernal e insustentável para quem com ele tem que aprender a viver. Veja-se o elevado número de baixas psiquátricas entre a classe e fica-se com uma ideia geral, acerca do quanto a saúde se tornou impossível naquele espaço…e sinto-me envergonhado.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;O mais curioso e irónico disto tudo, é que tenha sido um telemóvel a desencadear a cena (e, já agora, a filmá-la). Logo um telemóvel, cujo propósito era, inicialmente, promover a comunicação. Mas hoje um telemóvel não é nada disso. Não me atrevo a alongar-me muito sobre o seu impacto social, mas posso pensar o que ele pode significar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Como qualquer tecnologia, trata-se de uma extensão do ser humano e as suas potencialidades transcendem em muito o âmbito comunicativo. Para quem se "conheceu com um telemóvel na mão", ele pode ser mesmo confundido com uma extensão física de si próprio e aquilo que a professora fez, foi "amputar" um bocado da menina (obviamente sem se apreceber). &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Um bocado que não é vulgar. Um bocado que concentra a sua identidade virtual, onde ela tem organizada e instanciada uma identiade reflexa daquela que a professora pode perceber e da qual depende todo o equilibrio entre a intimidade e a relação da menina com o mundo. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Um bocado no qual está oganizada toda a rede social da menina, toda a sua segurança contra a solidão - seja pela possibilidade de contactar o mundo, seja pela possibilidade de se ausentar dele nos mecanismos de diversão que oferece -, mas também a parte da sua intimidade que resulta dessa actividade social - todas elas, coisas que a escola se revelou um absoluto fracasso a ensinar a gerir.&lt;br /&gt;Todos sabemos que a professora não cresceu COM os telemóveis e todos calculamos que a menina não cresceu SEM os telemóveis, o que naturalmente faz com que esse seja o elemento disruptivo entre elas. Mas o motivo não foi esse. Essa terá sido, quando muito, o alibi para um acerto de contas. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;E que melhor palco para um acerto de contas, em tempo real, do que a sala de aula - a arena desta guerra feita às crianças a que chamamos Escola?&lt;br /&gt;Dá-nos jeito ter escolas, dá-nos jeito ter espaços onde aprisionar as crianças enquanto os papás ganham o pão, ou devo dizer, a renda da casa? Porque não juntar os 2 e ensinar os meninos que sem renda da casa não é possível ser-se feliz? E já agora, deixar bem claro que, quem não cumprir a sua obrigação de ser feliz, será "excluído" na nossa sociedade evoluída e garantir-lhe, antecipadamente, que será para sempre considerado defeituoso, ou devo dizer, inútil?&lt;br /&gt;Utilidade, parece ser, em contrapartida, coisa que as crianças reconhecem aos telemóveis, mas não reconhecem à escola - com toda a razão obviamente - Mas a escola não está lá para ser útil. Ela está lá para tornar os meninos úteis. Úteis aos professores, dando-lhes emprego; úteis à sociedade, progredindo na ilusão de uma carreira profissional que lhes permita cumprir as suas funções de bons produtores, mas sobretudo de bons consumidores; úteis ao estado, garantido que as regras do social são aprendidas e que os seus deveres cívicos serão utilmente cumpridos, pagando impostos, votando e zelando pela “segurança” alheia denunciando tudo o que à sua volta fira a boa ética popular.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;E se um dia a menina se farta da perspectiva da tanta utilidade que lhe está reservada e diz à “velha” para não se meter em caminhos que não conhece, a “velha”, se calhar o melhor que tem a fazer, é devolver aquela “propriedade privada” à menina, pedir-lhe desculpa de joelhos e rezar para que amanhã não seja despedida da empresa por atentar contra os princípios da instituição…só assim, talvez me passasse a imensa vergonha, que ainda sinto, mesmo depois de escrever isto.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/587022535532538904-3001496010137548005?l=migueljcoelho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://migueljcoelho.blogspot.com/feeds/3001496010137548005/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=587022535532538904&amp;postID=3001496010137548005' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/587022535532538904/posts/default/3001496010137548005'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/587022535532538904/posts/default/3001496010137548005'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://migueljcoelho.blogspot.com/2008/03/professora-o-telemvel-e-menina.html' title='A professora, o telemóvel e a menina'/><author><name>Miguel Coelho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15933314384177424603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-587022535532538904.post-2590214339734587418</id><published>2008-03-25T22:07:00.000Z</published><updated>2008-04-06T17:55:04.920+01:00</updated><title type='text'>Jean</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;"&gt;No dia 7, fez um ano sobre a morte do Jean. Nunca o conheci pessoalmente e chamar-lhe simplesmente Jean, evitando a parte do Baudrillard, é uma insolência a que me dou o direito. Podia arranjar muitas razões lógicas para o fazer, mas não é esse o propósito deste texto. Ele não pretende justificar o que quer que seja, mas simplesmente sinto-me com vontade de reflectir este luto que sinto terminar. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Faço-o publicamente, porque parece responsável fazê-lo, na medida em que o Jean marcou-me profundamente e nessa indelével inspiração, marcou instantaneamente todas as relações que estabeleço com o mundo. E isso torna o assunto público…chamem-lhe catarsis ou conjuração e provavelmente estarão certos…mas de que interessa isso? De que interessa estar-se certo? É provavelmente, de entre todas, a coisa que interessa menos…Quem tiver curiosidade, como eu, acompanhe-me!&lt;br /&gt;Chamo-lhe Jean e reflicto-o aqui, porque penso que este assunto é mais do domínio público do que do privado, já que a forma como as pessoas se referem entre si, é sempre do domínio público, por muito privadas que possam ser as razões que a determinem. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Chamo-lhe pois Jean, também porque a ele se referem normalmente como Baudrillard e eu quero acreditar que o fascínio que sinto, quando o leio, não é normal. Quero acreditar que é especial e é mesmo capaz de sê-lo! E não é despropositado, porque eu acredito nisso. Naturalmente que seria hipócrita disfarçá-lo e embora a hipocrisia não seja das coisas que habitualmente mais me perturba, este caso é especial e, além do mais, evitá-la até serve de alibi - Se há coisa com a qual não quero manchar o que sinto, é com fingimentos desnecessários. Jean, pois!&lt;br /&gt;Chamo-lhe Jean, porque é uma forma incorrecta socialmente de me referir a alguém que não conheço pessoalmente. E aí, é uma homenagem que lhe faço. Tudo o que faço, que sirva para estilhaçar o verniz, é uma homenagem aos homens que não se baralharam quanto à natureza da realidade. E este, percebi-o acima de todos - era o Jean, o “iconoclasta derradeiro“! &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O Jean não era um filósofo e isso chateou os filósofos. Assim como não era um sociólogo, o que aborreceu os sociólogos. Nunca professou um sistema de pensamento, nem sequer se interessou por construí-lo e só assim foi, paradoxalmente, possível fazê-lo, numa época em que tudo parecia inventado, em que tudo se disfarçava de operacional e integral e aí, traiu-se a si próprio - havia, afinal, um acontecimento que era ainda possível, era-o ele!…como é que poderia não ter aborrecido os circuitos académicos? Esses sim, exemplares fossilizados da decrepitude que adivinhava no circulo universitário. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O que o Jean era, era um artista, sem que alguma vez o tivesse assumido. O que, obviamente, chateou todos aqueles que ostentam o título, sem o poderem ser.&lt;br /&gt;Quando recordou o princípio da arte, como reclamação da ilusão radical de que via o mundo privar-se deliberadamente, todos aqueles que colaboravam no diluir da possibilidade ilusão na realidade integral, saltaram das torres de marfim. Torres que tinham construído para si próprios, com o marfim das ideias do génio. Eram os simulacionistas…imagine-se…um movimento artístico a tentar explorar a ideia da negação do seu próprio princípio…o que é que esperavam? Só a “conspiração da arte” era o ponto no “i” que derrubava o engano. Só então estava denunciada a espiral de nulidade estética para fins comerciais, só estão estava denunciada essa trans-estética da nulidade. E claro…isso aborreceu, ainda mais, os artistas - espécie impossível num mundo onde a arte tinha deixado de existir e de voltar a ser possível.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não havia energia nostálgica que a ressuscitasse (à arte) e a solução encontrou-a ele, ao aplicar a FORMA da ARTE à filosofia. Não era uma filosofia da arte, mas uma arte de filosofia e esse foi outro, dos muitos enganos em relação ao que dizia. Desprezou o conteúdo, porque sabia que ele é sempre perecível e que só a forma é indestrutível e foi assim que se fez Homem. Atentou contra tudo o que sedimentava a realidade e fê-lo com uma beleza tal, uma ironia tão superior, uma delicadeza tão poética, que os seus oponentes preferiram fingir-se surdos a ousar enfrentá-lo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Foi o caso do Foucault, que não teve a inteligência para saber que ignorar a publicação do mero artigozito que sobre ele tinha escrito (a revista em que o queria publicar era do Foucault e este, quando leu o artigo, remeteu-se ao silencio, ao contrário de toda a classe intelectual - até o Deleuze - que se mostraram contra a publicação do artigo) iria reverter-se sobre ele mesmo e “Forget Foucault” foi a resposta, que só terá sido inesperada para quem não sabia que o Jean era singular e que a coerência do seu pensamento, era um simples reflexo de uma coerência maior que parecia representar. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Quando atentava contra essas coisas que sedimentam a mediocridade do real, não o fazia por interesse, por procura de diferenciação, ou por outra razão séria qualquer que se possa pensar. Fazia-o por graça! Que é uma das poucas razões válidas para se fazer alguma coisa no mundo. Não estava angustiado, simplesmente zombava das tentativas desesperadas de abafar o desespero à sua volta. Zombava, porque essas tentativas eram perigosas…sempre que nos encontramos desesperados tornamo-nos perigosos e violentos, e essa foi uma das coisas que aprendi com ele - toda a violência é sintoma de insuficiência identitária - o que é compreensível hoje, pois que a ela (á identidade) estamos todos obrigados. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Como o fazia por graça, fazia-o completamente e sem responsabilidade e chamaram-lhe terrorista das ideias - supostamente uma censura centrada no potencial derrisor do seu pensamento, mas na verdade, temerária da revelação da sua própria inocuidade. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Assim, não posso lê-lo permanentemente, porque não tenho estrutura para isso. Tal exigia uma maturidade de espírito que ainda não tenho e podia tornar-se perigoso. Era, de resto, numa dessas fases de abstinência em que me encontrava, até ter ido ontem à FNAC e ter encontrado um dos livros dele que ainda não li: “The Perfect Crime”. Que começa assim:&lt;br /&gt;“This is the story of a crime - of the murder of reality. And the extermination of an illusion - the vital illusion, the radical illusion of the world. The real does not disappear into illusion; it is the illusion that disappears into the integral reality”.&lt;br /&gt;Terá sido, eventualmente, por ter lido isto que me apeteceu esclarecer o que não é conformidade na minha relação com o Jean. Não o defendo por se ter tornado parte do que sou, ofereço-o à consideração de quem quiser…Não o integrei sistematicamente no meu pensamento, entusiasmei-me a escrever na sequência de o ter lido, sobretudo nos momentos em que julguei não o ter compreendido - é me sempre mais inspirador aquilo que não compreendo, sinto-me sempre mais livre e próximo da criação. Nem sequer acredito nele, porque ensinou-me a não o fazer, com o deliberado exagero poético que fazia questão de incluir na expressividade irónica com que dava vida às suas ideias…perturbante…magistral! &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Há quem se prive ao culto, porque vê nisso um sinal de fraqueza. Mas o que não vê, é que negar-se a qualquer coisa é já em si uma forma de culto. Das piores: é o culto do nihilismo.&lt;br /&gt;A capacidade de contemplar e de admirar tem sido a potencia constante na ontogénese do processo cultural e é da incapacidade de admirarmo-nos e de contemplar, que transparece a condenação à morte da cultura…e o que, é mais dramático, é que já nem sabemos se o saberemos dramatizar...&lt;br /&gt;Não tenho medo de admirá-lo publicamente, porque com ele aprendi a contemplar o mundo e imediatamente aprendi também, que publicitar uma admiração é uma forma de tentar partilhá-la.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/587022535532538904-2590214339734587418?l=migueljcoelho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://migueljcoelho.blogspot.com/feeds/2590214339734587418/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=587022535532538904&amp;postID=2590214339734587418' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/587022535532538904/posts/default/2590214339734587418'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/587022535532538904/posts/default/2590214339734587418'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://migueljcoelho.blogspot.com/2008/03/jean.html' title='Jean'/><author><name>Miguel Coelho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15933314384177424603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-587022535532538904.post-7429983427506212612</id><published>2008-03-18T23:51:00.001Z</published><updated>2008-04-03T12:54:39.771+01:00</updated><title type='text'>Transmutação</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;O Richard Feynman uma vez disse uma coisa que traduz o sentimento generalizado que consigo perceber na classe cientifica que se diz ateia. Ele disse que não precisava de acreditar em Deus, porque não o angustiava saber que estava sozinho no Universo. Parece que de facto a classe cientifica destronou a ideia do divino e encontrou explicações para os fenómenos, mais tangíveis ao entendimento humano. Ora, tornar as coisas mais tangíveis ao entendimento humano seria, em todo o caso, torná-las traduzidas, alteradas de forma a que possam ser entendidas. Logo, diferentes daquilo que são num plano divino. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mas o Feynman não disse tudo. E o que ele não disse, foi o porquê de esse conhecimento que lhe ditava que estivesse sozinho no Universo, não o angustiar. E aqui, podemos especular, o que equivale a especular acerca da razão pela qual a classe cientifica, em geral, não se perturba com tamanha ameaça. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Se ao homem não houver exterioridade, a partilha é impossível e isso é, certamente ameaçador para a classe cientifica, na medida em que todo o seu processo interno, só é possível, porque obedece à lei da partilha. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O Feynman não precisava de Deus, possivelmente, porque terá encontrado um propósito para as coisas, que lhe parecia dispensar a participação do divino. Ele encontrou uma coerência interna (no comportamento da matéria) tal, que lhe bastou para perceber uma razão de ser para tudo quanto existe. E se assim foi, o que ele encontrou, foi aquilo a que os crentes costumam chamar Deus. Se assim foi, foi de facto genial, porque descobriu uma expressão de qualquer coisa que ele próprio não precisava que existisse. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Terá sido então mais autêntica a sua descoberta, porque ela não surgiu como uma estratégia para preencher uma lacuna, desse tipo de lacunas que remetem os assombrados ao delírio e à re-criação tosca.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas o Feynman era um homem do processual e as regras sob o jugo das quais conheceu o mundo, encontravam nelas inscritas a absoluta necessidade de finalidade para as coisas. A determinante urgência de que todos os processos produzam um resultado e que tudo, possa ser visto como resultado de um processo. “Porque não Deus?” Terá sido a sua questão, pelo menos por momentos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Então, quando percebeu a perfeição com que a matéria parece obedecer a um conjunto de regras - melhor dizendo: quando percebeu um conjunto de regras que descreve o comportamento da matéria com uma precisão magistral - deslumbrou-se…e isso bastou-lhe. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mas o que ele nunca foi capaz foi de responder à questão do “Why”, que se não repetisse permanentemente, até poderíamos acreditar que falava a sério, quando dizia que dela se tinha demitido, dando origem a um novo tipo de ciência. Uma mais des-almada, acrescentariam alguns que pensam como eu. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Essa questão acompanhou-o e ele denegou-a sempre, porque além do processual, estava um terreno ao qual se não permitia procurar entender. É que no processual que ele bem conhecia, até porque nele estava inscrito como modelo, havia um propósito que não ousava colocar em questão. Coisa, ao que outros chamam dogma - o dogma de que o processo é a única verdade. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não…ele nunca se sentiu só. O que ele teve foi terror, de olhar nos olhos do Outro que ele construiu como desprezível, e de se apaixonar…talvez porque a expressão desse olhar já lhe tivesse aquecido o coração. Talvez porque a expressão desse olhar o instigava a cumprir-se. E se o fez, então foi brilhante! E com ele será toda a ciência…mas só quando se cumprir.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/587022535532538904-7429983427506212612?l=migueljcoelho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://migueljcoelho.blogspot.com/feeds/7429983427506212612/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=587022535532538904&amp;postID=7429983427506212612' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/587022535532538904/posts/default/7429983427506212612'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/587022535532538904/posts/default/7429983427506212612'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://migueljcoelho.blogspot.com/2008/03/transmutao.html' title='Transmutação'/><author><name>Miguel Coelho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15933314384177424603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-587022535532538904.post-2777204774951710266</id><published>2008-03-01T23:18:00.000Z</published><updated>2008-04-06T11:40:04.786+01:00</updated><title type='text'>A indiferença do Miguel</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;“Todos diferentes, todos iguais”. Mas diferentes do quê? Iguais ao quê?&lt;/strong&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;“Todos iguais, no direito a essa diferença entre si”. Mas o direito é uma coisa dos homens - e nem sequer é de todos - e essa igualdade, que se pretende, é de definição - de qualidade. E não será ainda de questionar: se proposto, será que optariamos todos por exercer o direito a “essa” diferença? A "essa forma de diferença", predefinida na relação consigo própria, no interior de um sistema de pensamento que se supõe humanizado e humanista? Como se a humanidade e nela cada um dos seus participantes, pudessem ser sistematizados num pensamento só, num conceito operacional e ideal… &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Se somos essencialmente iguais em alguma coisa, não é certamente nos direitos, que são, por mt que custe admitir, apenas uma ilusão especulativa. E é aliás de muito mau tom, misturar aquilo que a humanidade É, com esquemas racionais construídos pelos homens...&lt;br /&gt;Uma coisa é certa, nada nesses esquemas racionais que construímos, nos tornou essencialmente diferentes no que quer que seja. Podemos pensar que a experiência humana dispõe de elementos diferentes em épocas diferentes, que essas experiências poderão traduzir-se em padrões mentais diferentes, fluxos emocionais diversos, formas de socialidade e de não-socialidade características, etc…mas e a dôr? É a mesma! A alegria? A mesma! A felicidade? A mesma…ilusão. Tudo isso é ilusão! E talvez nisso sejamos efectivamente iguais: estamos convencidos do que somos, por diversos motivos, mas talvez a única circunstancia em que nos encontramos simultaneamente cumplices e reféns, seja nessa ilusão colectiva acerca de nós próprios e do mundo. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Não me belisca o pensamento de não ser diferente. Porque sei que não o sou. Pelo contrário, sou indiferente. pois só sendo indiferente percebo-me qualquer coisa. O jogo das diferenças é o mesmo que o das igualdades e anula-se a si mesmo. Quando se joga esse jogo, perde-se o sentido crítico das coisas. E sem critica não há verdadeiramente identidade.&lt;br /&gt;Porém, não me suponho individual. Sonho-me, por vezes...talvez...Mas não estou, de forma alguma, convencido de ser um ser individual, em alguma outra perspectiva além da de ser, eu próprio, toda a humanidade. Que é, evidentemente, a mesma que me segreda que a humanidade inteira, sou eu próprio.&lt;br /&gt;Claro que dizer isto é uma heresia, nos tempos modernos. Claro que este discurso é “esquizofrénico” e que negligencia a obrigação à individuação…e é por isso que é herético, porque a heresia tomou hoje o aspecto da doença. Mas mais doentio que isto será, naturalmente, ter que chamar doença (para não dizer desumanidade) à diferença do OUTRO, para garantir a coerência na saúde, do MESMO. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Todas as frases que mexem com questões profundas de identidade, são perigosas e ao tornarem-se slogans, vêm o seu conteúdo tornar-se artificial e multiplicado. É porque é uma multiplicação, ao infinito, de uma artificialidade, que a frase “Todos diferentes, todos iguais” é inócua e perigosa…porque a simulação da profundidade da declaração, progride no sentido destruidor da nulidade - e transpira a nihilismo.&lt;br /&gt;Todos esses pensamentos idealistas e aparentemente geniais, nunca criaram mais do que a ilusão da separação das coisas, quando vamos tendo cada vez mais confirmações de que elas são unas e que, se têm uma ordem, ela é implícita e não explícita. Todas essas verdades absolutas, nunca nos conduziram a outra coisa que não, no limite, à separação e ao conflicto. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;A medida profiláctica para a irritação causada na superfície da relação humana? “Tolerância à diferença”!&lt;br /&gt;Tolerância?? Mas o que se tolera são os prejuízos, não são as características…Então das duas uma, ou indicia que a diferença é prejudicial, ou que o OUTRO não tem características, mas só perigos. É muito infeliz a forma vulgar como habitualmente se usa a palavra “tolerância“.&lt;br /&gt;Mas se virmos bem, na realidade não é de diferença aquilo de que ali se trata. Imaginar uma diferença seria imaginar uma característica distinta, ao nível daquilo que é essencial. Então diferenças da nossa cultura, encontramo-las em processos que não respeitem as nossas regras essenciais…como por exemplo, os direitos humanos ou a democracia. E essas são as coisas que não só não toleramos, como chegamos a acreditar que justificam que as combatamos...O resto, aquilo que cabe como aceitável, não é diferença, mas tão-só semelhança.&lt;br /&gt;Não sou sensível ao discurso ideal, porque estou farto! Não sou sensível ao discurso do banal, porque não mo admito! Tive que inventar um discurso…se toleras? É contigo. Se o achas diferente? Estás enganado. Se o consideras? És SIM(partilha)-PÁTICO(pathos)!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/587022535532538904-2777204774951710266?l=migueljcoelho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://migueljcoelho.blogspot.com/feeds/2777204774951710266/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=587022535532538904&amp;postID=2777204774951710266' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/587022535532538904/posts/default/2777204774951710266'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/587022535532538904/posts/default/2777204774951710266'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://migueljcoelho.blogspot.com/2008/03/indiferena-do-miguel.html' title='A indiferença do Miguel'/><author><name>Miguel Coelho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15933314384177424603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-587022535532538904.post-2770681830568048613</id><published>2008-02-17T12:09:00.000Z</published><updated>2008-03-02T15:17:36.487Z</updated><title type='text'>30 seconds "on" mars</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Dramas modernos, dramas antigos, dramas de sempre, dramas para sempre..a liberdade..sempre a liberdade…conjugação impossível da subjectividade e da norma. Reflexões profundas, reflexões infundas, reflexões ressentidas e sérias…estes jornalistas…&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Dia 15 fui ver “30 seconds to mars” ao coliseu e claro, o Jared faz os truques todos que pode e sabe. Ele não é apenas um músico ou um actor. Ele é uma conjunção das duas coisas o que o transforma em qualquer coisa nova. A simulação é tão evidente, o cliché tão propositadamente marcado…tenta agarrar o público e levar a cena ao limite da sedução.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E temos metade da cena. Um símbolo premeditado com todo o cuidado, as palavras medidas e metidas no momento exacto, as contenções e libertações espasmódicas, a gestão do espaço reservado para a manifestação do público…tudo perfeito! Tão perfeito que a artificialidade transpira por todo o lado, mas é mais honesto assim! Não há cá fingimentos de espontaneidade. O “this is the best show we have ever done” confunde-se com o profissionalismo com que grita “it´s a beautiful lie” e não há diferença entre os momentos. É tudo assumido, sem pretenções de ir para além do que sabem fazer, mas aquilo que fazem é um produto perfeitamente artificial e artificialmente perfeito! Mas esta continua a ser só metade da cena…&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Depois estou eu, no público, com 3 amigos a assistir e nós já não somos nenhuns míudos. Já dobrámos a adolescência e cada um de nós os 4 sabe o que nos espera, o histerismo, a simulação, etc, e cada um ao seu estilo, vai apreciando a situação. Um está pela música e vê o recinto como consequência daquilo que realmente importa - o que se passa em cima do palco. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O outro, mais ingénuo, quer acreditar que por um momento, alguma daquelas coisas que se vão passando é autêntica, mas como já viu muitas daquelas coisas e provavelmente apanhou grandes desilusões quando percebeu que nada daquilo é autentico - leia-se, sentido - já não se permite embarcar e a critica exaustiva é a sua última defesa. E finalmente, há o outro, que é o que conhece realmente o mundo do espectáculo, porque trabalha nele. E este não pode embarcar, porque conhece os bastidores da cena. Para ele é como ir assistir a um show de ilusionismo, sabendo à partida como se fazem os truques. Mas do alto da sua clarividência (que é real!) diz uma coisa espantosa: “É verdade. Isto que ele tá a dizer, que somos o melhor público e não sei o quê mais, é mesmo verdade.”. Ele não explicou tudo, porque não precisava, mas a razão pela qual disse aquilo, sei-o eu, porque já falámos sobre isso noutras ocasiões, foi que ele já andou pelo mundo em tournée, a trabalhar com outras bandas e sabe que o público português é diferente, porque viu essa diferença em directo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E qual é a diferença? Somos mais fanáticos, somos mais histeriónicos, criámos a ilusão de que gostamos mais das bandas e que somos especiais e então agimos de acordo com tal…podemos pensar em várias razões.&lt;br /&gt;O Agostinho da Silva dizia uma coisa fantástica quando lhe perguntavam se achava que os Portugueses eram “de facto” os escolhidos para fazer a revolução do V Império: “Não sei se são…mas se não forem os eleitos…elejam-se!” E efectivamente parece que quando “vestimos a camisola” atribuímos a nós próprios características novas - toda a gente sabe que isto é verdade, pelo menos no carnaval, quando a máscara parece que se cola e às tantas já não somos “bem” nós quem está ali - dizemos, com graça, mas com propósito, que estamos a “incarnar“ um personagem...e é verdade!&lt;br /&gt;Quando o Jared diz “you are de best crowd we have ever had” o que ele não sabe é que nós sabemos que para ele é mentira, mas ainda assim, decidimos acreditar! E aqui é ele quem fica sem chão…Nós não acreditámos porque fomos enganados, nós acreditámos porque decidimos acreditar, porque decidimos que naquele momento valia a pena acreditar para levar a experiência um pouco mais além...para que a sedução fechasse o seu ciclo e fosse completa. Nesse momento, não fomos nós quem foi seduzido. Foi ele e a banda…e não é a primeira vez que isto acontece em Portugal.&lt;br /&gt;Ao oferecer-se como objecto de sedução ao desejo do público, o que o Jared não sabia é que as regras são uma coisa que os Portugueses são geniais a transgredir e por isso quando pensava que estava a controlar o espectáculo porque controlava as suas regras, porque jogava com uma ilusão da qual podia sair em qualquer instante, estava absolutamente enganado. As pessoas decidiram tomar aquilo como real e não foi histeria, foi simulação! Ele pôs o desafio e nós aceitámos e ultrapassámos e eu só percebi isso quando vi os vídeos no youtube.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O Ricky tem razão…os Portugueses são diferentes. São diferentes, porque são inteligentes e percebem as oportunidades - sobretudo os mais jovens. São diferentes porque não acreditam mais ou menos nas coisas. Ou não acreditamos, de todo, ou quando acreditamos, fazemo-lo de uma maneira tal que mesmo que as coisas sejam apenas uma ilusão nós obrigamo-las a concretizarem-se. Foi sempre assim ao longo da nossa história.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E assim, embora tenha sido, obviamente, o público quem viveu mais intensamente o concerto de dia 15, tenho a sensação que ele vai ficar durante mais tempo presente na memória do Jared do que na nossa. Provavelmente daqui a uns anos quando falarmos do concerto, nós diremos “sim, foi giro” e o Jared dirá “sim, foi especial”. Porque nós é que somos diferentes…e ele é “só” um upgrade no circuito da simulação…mas essa é outra história…&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/587022535532538904-2770681830568048613?l=migueljcoelho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://migueljcoelho.blogspot.com/feeds/2770681830568048613/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=587022535532538904&amp;postID=2770681830568048613' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/587022535532538904/posts/default/2770681830568048613'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/587022535532538904/posts/default/2770681830568048613'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://migueljcoelho.blogspot.com/2008/02/30-seconds-on-mars.html' title='30 seconds &quot;on&quot; mars'/><author><name>Miguel Coelho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15933314384177424603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-587022535532538904.post-7715710499539222440</id><published>2007-12-30T19:10:00.001Z</published><updated>2009-02-13T21:11:19.211Z</updated><title type='text'>Sobre o indesejável</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;“In a culture like ours, long accustomed to splitting and dividing all things as a means of control, it is sometimes a bit of a shock to be reminded that, in operational and pratical fact, the medium is the message. This is merely to say that the personal and social consequences of any medium - that is any extensions of ourselves - result from the new scale that is introduced into our affairs by each extension of ourselves, or by any new tecnology.”&lt;br /&gt;Era assim que o McLuhan entrava, em 1969, na sua abordagem aos media em “Understanding the media: the extensions of man”. Assim, de rompante!&lt;br /&gt;Referia, então e imediatamente, 2 processos fundamentais do nosso desenvolvimento actual: A tendência para a fragmentação do conhecimento e a forma como as tecnologias, consistindo em extensões dos nossos sentidos e do nosso corpo, participam activamente na nossa percepção da realidade e configuram a nossa relação com ela. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Considerando o primeiro aspecto, que é talvez de ambos os mais evidente, encontramos expressões dessa tendência para a fragmentação na profusão de disciplinas a serem criadas actualmente, seja através do cruzamento das disciplinas mais clássicas, seja através da descoberta de novos campos de pertinência, que possam vir a ser disciplinados.&lt;br /&gt;Mas esta tendência não é apenas um acting out de todo o movimento teórico. Ela encontra-se mesmo inscrita no coração de cada disciplina e manifesta-se por intermédio da progressiva ramificação que cada sistema disciplinar tende a desenvolver, em direcção a uma cada vez maior especialização. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;É esta a forma (e não a fórmula, que é uma coisa completamente distinta) do nosso avanço sobre a realidade - a forma de uma expansão sem limites que, podemos mesmo especular, tem como objectivo secreto o derrube de todos os limites. Avançamos em todas as direcções, ao mesmo tempo e cobrindo todos os espaços de inferência possíveis.&lt;br /&gt;Por outro lado, esta expansão é condicionada (ou potenciada - o que é apenas uma das formas possíveis de condicionamento) pela introdução progressiva de tecnologia nesse processo de esclarecimento. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Quando o McLuhan dizia que “the medium is the message” não estava apenas a referir-se ao fenómeno informativo enquanto forma de entretenimento, mas também e sobretudo, ao facto de que cada extensão do nosso corpo, se por um lado potencia a função que nele pretende aumentar, por outro torna-nos menos envolvidos na realização dessa mesma função.&lt;br /&gt;Por exemplo, se por um lado, a roda potencia a função do pé, resultando num aumento da mobilidade territorial, por outro lado, torna-nos menos envolvidos com o próprio território, alargando nele as dimensões dos pontos de passagem e reduzindo a pólos as suas áreas onde a relação com o mundo acontece (por exemplo as cidades).&lt;br /&gt;Podemos até levantar a hipótese de ter sido a roda, o próprio instrumento da clivagem derradeira entre o rural e o urbano - e se o considerarmos, então podemos perceber claramente que o motivo porque tal aconteceu foi porque a roda é efectivamente uma extensão do nosso corpo e porque, como tal, participou directamente na percepção da realidade e criou essa ilusão concretizada da dicotomia rural/urbano (digo concretizada porque se tornou real).&lt;br /&gt;Assim, também cada nova tecnologia integrada oferece uma ambígua possibilidade de potenciação/anestesia ao nível do nosso envolvimento no mundo. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;A questão que neste ponto se me coloca, é precisamente a da definição de tecnologia enquanto media. É que nesta perspectiva, as próprias disciplinas se tratam de tecnologias e como resultado disso temos que a nossa construção da realidade, não apenas se alicerça numa base disciplinar, como também que seja ela mesma - a própria realidade - uma disciplina e por conseguinte, uma tecnologia e por conseguinte, uma extensão de nós próprios e por aí adiante…E quando a realidade se torna uma disciplina, ou melhor, quando nós sentimos a realidade como uma disciplina, interiormente temos a sensação de que a realidade é uma forma de ficção. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Em História esta tomada de consciência é muito manifesta na actual tendência positivista/revisionista, que pretende não apenas reduzir a História a uma versão “verdadeira” da realidade, mas também e através desse mesmo movimento, consolidá-la como processo objectivo, racionalizável, causal, etc…ou seja, compreensível e completo.&lt;br /&gt;Mas a História, como extensão da memória, não expande apenas a capacidade de recordar, mesmo as coisas que aconteceram antes de existirmos. Ela torna-nos menos sensíveis ao presente, porque tal como o horizonte da roda é o território, o horizonte da História é o tempo.&lt;br /&gt;Procuramos razões históricas para as coisas, procuramos repetições de movimentos, acontecimentos, conjunturas, estruturas, texturas, sentimentos, etc…procuramos interpretações pragmáticas, procuramos interpretações sensatas, procuramos enfim, desesperadamente, ressuscitar o cadáver da História, porque sabemos que estamos perdidos.&lt;br /&gt;Ao substituir-se à memória individual, ou melhor ao relativizá-la num horizonte de memória mais alargado (o tempo histórico), a História tornou-se a única referência consensual, que não admite oposição. Não porque não possa ser contestada ou criticada, mas precisamente porque ao deixar-se contestar e criticar, ela reescreve-se e salva-se pela exumação constante, pela redibição pública e pelo exorcismo perpétuo de tudo o que a actualidade desaprova. E aqui não há novidade alguma, sempre foi assim e nós sempre o soubemos.&lt;br /&gt;É por isto que a História se presta tanto à ficção e é por isto também, que a ficção se tem vindo a tornar um processo histórico. E acontece mesmo que a indistinção entre elas resulta numa nova forma de História que podemos ver, por exemplo, nas tais descrições de repetições de ciclos, de acontecimentos, de movimentos, etc, que se tratam de replicações de padrões, antes injectados, ao longo de toda a secularização da disciplina. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Em 1884, quando o Stevenson escrevia que “the nouvel, which is a work of art, exists, not by it´s resemblance to life, which are forced and material, as a shoe must still consists of leather, but by it´s immeasurable difference from life, which is designed and significant, and is both the method and the meaning of the work.”, não podia ser mais esclarecedor…&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Parece-me, efectivamente, que este padrão também se manifesta noutras disciplinas. Esta denegação do indesejável, seja pela ressureição do cadáver da História e pela sua permanente reabilitação; seja pelo combate obsessivo dos sintomas da doença (os seus aspectos mais indesejáveis) no campo da saúde; seja pelo aperfeiçoamento dos bens comercializáveis, através de uma nova gama de produtos cujos aspectos negativos são anulados ou reduzidos (toda uma nova gama, com tendência para se substituir à tradicional: coca-cola zero, manteiga sem gordura, melancias sem pevides, café descafeeinado, jornais grátis, low cost flights, etc…).&lt;br /&gt;Mas mais longe, no campo da física, na exploração de wormholes que nos permitam viajar no tempo e impedir que determinados acontecimentos tenham lugar. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;No campo da biologia e da medicina, através de técnicas de manipulação genética que permitam eliminar os aspectos (genes) indesejáveis que decorrem do processo reprodutivo, mas ainda mais na higienização do próprio conceito de “reprodução“, através da introdução do padrão da clonagem - que é uma forma de extinguir definitivamente o aspecto mais indesejável da própria vida nas sociedades ocidentais: a execução capital do conceito de Morte.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Claro que tudo isto tem custos. E o custo é a reversão que toda a hipótese contém latente e reservada, para o caso de perder a sua finalidade. É como uma espécie de mecanismo de auto-destruição.&lt;br /&gt;E a reversão da confusão entre realidade e História é o desaparecimento da própria realidade e da História como nós a conhecemos; assim como a reversão do combate químico da sintomatologia está no aumento, não só dos estados diatrogénicos, mas também das doenças causadas pela administração de fármacos, que hoje é uma das principais causas de doença e de morte.&lt;br /&gt;No campo da produção? Não é evidente o novo padrão de consumo que procuramos? Um padrão que não tenha consequências, para que possamos consumir sem regras, sem limites. Não é evidente que café sem-cafeeina não é café? Que manteiga sem gordura, não é manteiga? Não é evidente que aquilo que estamos a consumir não são as coisas em si, mas sim a sua ideia?..o seu simulacro?…O perigo não está na falta de açucar da coca-cola zero, o perigo está na libertação do consumo que o “zero” ou o “light” representam. É exactamente aí que se dá a reversão, não no exagero do consumo, mas na abolição das fronteiras que a “estratégia light” promete. É esse também o núcleo de onde parte a nossa obsessão com a ecologia e será precisamente esse novo poder que fará da ecologia, a curto prazo, a maior empresa mundial - a simulação definitiva do mundo e da nossa preocupação com ele.&lt;br /&gt;E viajar no tempo e mudar o rumo dos acontecimentos...para quê? Que ingratidão fundamental é essa que nos impede de existir e que nos compele para a rectificação exaustiva? Que ressentimento essencial é este que faz com que tudo nos pareça opressor? Agora até o tempo…e se chegarmos a viajar, onde estará a reversão? No preciso momento em que passado e futuro co-existirem e por conseguinte, se anularem, retirando à dimensão temporal o seu princípio organizador dos acontecimentos.&lt;br /&gt;Na manipulação genética? Estará no extermínio da alteridade, da dificuldade e da dor como motores da vida e do crescimento…mais longe que isto, só vai a clonagem (“reprodutiva humana“ - para os que se preocupam apenas com o conteúdo, aqui fica o preciosismo)….onde é a própria Morte que é finalizada e com ela, necessariamente também toda a Vida enquanto processo singular de existência e de consciência de existir.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Mas nada nesta forma de ver as coisas faz de mim anti-moderno. Nada disto me traduz como céptico do desenvolvimento (é estúpido ser-se céptico em relação a novas possibilidades, já que, depois de se terem tornado exequíveis, elas encontrarão maneira de acontecer). O que eu procuro é um espaço intersticial exterior a toda a disciplina. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;Não um espaço de complementaridade, ou um espaço de harmonia, ou mesmo um espaço de felicidade, porque esses espaços não existem - eles são funções do nosso idealismo e é por isso que se revelam quase sempre decepcionantes - porque a realidade fica sempre aquém do ideal…felizmente…&lt;br /&gt;E esse espaço intersticial exige-me uma nova forma de olhar para o mundo. Exige-me que assuma o sacrifício do passado e nele da história. Exige-me o sacrifício do presente e nele, das imagens e símbolos que deixaram de poder ser desviantes, mas que passaram a ser o seu contrário - elementos de conversão. E exige-me, finalmente, o sacrifício de todas as esperanças no futuro! Enquanto houver esperança, há um projecto para o futuro e se há coisa que não ouso insinuar é que tenho um projecto para a humanidade…porque não tenho! E quem não faz prospectos não precisa de retrospectos. Não quero um mundo bom, nem quero um mundo melhor. E é aí que o interstício se torna possível. Aí na “grande” indiferença…aí, na simultânea interioridade ao mundo, à qual nenhum de nós escapa, e na exterioridade à disciplina, é possível esse espaço, onde a fragmentação abre novos interstícios que são simultaneamente o reverso de um contacto com um mundo desconhecido que é cada vez maior…como uma esfera que insufla e que vê a sua fronteira com o inominável, aumentada.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Aí, talvez um dia possamos ver coincidir dois princípios que hoje vemos antagónicos, mas que eu acredito um dia terem sido um só: Liberdade e Destino!&lt;br /&gt;A abolição da esperança será o sinal de que estaremos prontos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/587022535532538904-7715710499539222440?l=migueljcoelho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://migueljcoelho.blogspot.com/feeds/7715710499539222440/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=587022535532538904&amp;postID=7715710499539222440' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/587022535532538904/posts/default/7715710499539222440'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/587022535532538904/posts/default/7715710499539222440'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://migueljcoelho.blogspot.com/2007/12/sobre-o-indesejvel.html' title='Sobre o indesejável'/><author><name>Miguel Coelho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15933314384177424603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-587022535532538904.post-2013829594436435080</id><published>2007-12-25T20:07:00.000Z</published><updated>2008-04-03T13:04:01.224+01:00</updated><title type='text'>Sem-Abrigo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Gostava de fazer uma proposta, agora que passaram já 4 anos de envolvimento com as pessoas sem-abrigo. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Longe de compreender completamente o fenómeno, até porque trata-se de um fenómeno que não é completo, sinto-me em condições de sugerir uma outra forma de abordagem diferente da compreensiva. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Se atendermos ao que significa a “compreensão”, podemos reconhecer um aspecto totalitarista na própria ontogénese do processo. Compreender é tornar completo, ou melhor, é tomar algo como sendo completo, de maneira a que possa ser percebido como um todo inclusivo. Como sendo um todo com contornos definidos ao ponto de o podermos assumir como sendo completo. É, finalmente, apreender uma complexidade, dentro de um campo comum. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mas no processo da compreensão subjaz outro aspecto, ainda mais fundamental, que o torna inadequado para que possa ser utilizado como técnica de abordagem do fenómeno das pessoas sem-abrigo. É que o próprio acto de tentar compreender, consiste num movimento protagonizado pelo sujeito em direcção ao objecto.&lt;br /&gt;Esse movimento é demasiado complexo para o tentar reflectir aqui, mas há traços nele sobre os quais é possível fazer uma breve análise. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Por exemplo, podemos perceber que o sujeito não tem outra forma de compreender o objecto sem passar pela identificação com ele. E nessa identificação projectiva, aquilo que é projectado sobre o objecto é, numa linguagem poética, a própria luz sujeito.&lt;br /&gt;É à sua própria luz interior (tenha ela uma tonalidade racional, emocional, etc) que o sujeito procura compreender e nesse preciso instante é inaugurada a degradação do objecto. Ao reduzi-lo à sua própria luminosidade e ao crê-lo posteriormente compreendido, o sujeito ignora a sua dimensão radical, que é a transcendência da sua própria ipseidade. Diga-se que a alteridade do outro constitui um obstáculo intransponível que é justamente a base da sua própria liberdade. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;É evidente que há um duplo risco no exercício da compreensão. Primeiro, o de reduzir o objecto à luz do sujeito e segundo, e este sim muito mais perigoso, quando daquele exercício resulta a convicção de haver efectivamente compreendido a sua verdade.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;No contexto das pessoas sem-abrigo, joga-se um jogo de representações interessantíssimo, que assume a forma de um duelo.&lt;br /&gt;De um lado temos o social, como um bloco, com a sua própria economia simbólica que é parturiente da representação de um grupo de pessoas que subitamente viu-se “elevado” à condição de sem-abrigo.&lt;br /&gt;Do outro lado, temos as pessoas sem-abrigo, que embora sejam representadas como excluídas do social, são obviamente participantes, tão activas como as outras, na composição do tecido social. Seja como componente concreto, através da irradiação da actividade social que em torno de elas é disponibilizada, seja como componente simbólico, que reflecte de volta ao social as suas próprias representações sobre a “condição de ser sem-abrigo”, mas também e sobretudo, sobre a “condição de não ser sem-abrigo”.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Se estas pessoas fossem realmente excluídas, então seríamos obrigados a admitir que ao participarem, tão activamente como as outras, na constituição do social, seriam expressão de uma exclusão maior, que poderia ser tão grande como a totalidade do social - sim, no momento em que consideramos a hipótese da definição de “inclusão” não ter relação com a participação dos indivíduos no social, abrimos também espaço para uma nova definição do conceito de “exclusão” (ou, quem sabe, talvez até para o desejável abandono, definitivo, do termo).&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Noutro campo (que, se calhar, até nem é realmente outro...) a fórmula repete-se:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;E se, por hipótese, a instantaneidade da imagem dispuser as circunstancias interpretativas de forma a que a representação dos acontecimentos, não seja possível no processo compreensivo? E se a imagem impuser o veredicto? Melhor colocando a questão: e se a imagem se assumir como veredicto da realidade? Se o espaço e tempo exigidos para que se possa formar uma representação da realidade, forem abolidos, então a representação é absorvida pela imagem e com ela se confunde. E então, podemos questionar se não será todo o princípio de realidade que se encontra posto em causa…&lt;br /&gt;Este estado das coisas é muito evidente nos efeitos prodigiosos dos mass media em geral, mas da TV em particular - já que lida directamente com a imagem.&lt;br /&gt;A imagem veiculada pela TV, mais manifestamente quando chancelada de informativa, é assimilada como a verdade do acontecimento, porque é disso que trata a informação: da verdade. Assim, demitimo-nos imediatamente de interpretações ulteriores, pois parece-nos obviamente desperdício de tempo questionar o significado de uma verdade.&lt;br /&gt;Assim, a representação da cena social assume uma forma de obscenidade, pois é a visibilidade que lhe confere significado. Já não há espaço ou propósito para a reflexão porque a reflexão é um movimento no sentido oposto, ou seja o distanciamento da visibilidade para que a consciência do significado do acontecimento possa ocorrer.&lt;br /&gt;A imagem torna-se obscena a partir do instante em que nela existe uma profusão de elementos cuja única função é a de assumir o trabalho da sua própria representação. É como se a imagem se estivesse a ler a si própria e tivesse deixado de haver espaço para a participação do sujeito - aí é a obscenidade, aí no puro e irrazoável acrescento de visibilidade. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;O Jean diz que o princípio do mal (como conceito não-moral, não-religioso, não-ético) é dual e que força as coisas ao extremo. Que as compele a proliferarem irrazoavelmente para além da sua finalidade. E é precisamente o que se passa no caso das imagens difundidas nos serviços informativos. Elas estão lá como uma fatalidade à qual já não podemos opor a sua representação (nem mesmo como sentido crítico).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Regressando ao tema, é fundamental reenquadrar as coisas e admitir a hipótese das representações invocadas para “compreender” o fenómeno das pessoas sem-abrigo não se tratarem na realidade de representações, mas sim de uma transcrição imediata das imagens difundidas. Só assim podemos despistar os paradoxos levantados em relação a este fenómeno.&lt;br /&gt;E é urgente que o façamos, porque que há posições que nascem desta confusão entre imagem e representação - entre o acontecimento e a sua verdade configurada pela visibilidade que é transmitida - que vão ao ponto absurdo de considerar que existe qualquer coisa como uma identidade de sem-abrigo. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Posições a partir das quais as pessoas deixam de ser vistas como pessoas para passarem a “ser sem-abrigo”. Estas posições são, por conseguinte, o argumento perfeito contra a utilização do processo compreensivo como técnica de abordagem deste fenómeno. Nelas se traduz mesmo um pensamento mágico, na forma de uma denegação peremptória, de tudo aquilo que está para além do alcance da luz do sujeito. Elas são a confirmação de que no processo compreensivo, não há subjectividade além da luz do sujeito e a “coisificação” de um grupo de pessoas numa categoria (“os sem-abrigo”) são o retrato instantâneo - a metáfora concretizada - da impotência, mas ainda mais da impostura, na relação entre sujeito e objecto. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;É como se houvesse uma carta, guardada na manga, para o caso da derrota se impor. “Para os que não se querem reintegrar, não há esperança, porque já se “tornaram” sem-abrigo“ (leia-se deixaram de “estar” e passaram a “ser“). &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mas a impostura vai mais longe. E ao fingir-se humilde, assumindo essa declaração como uma limitação das suas capacidades (uma limitação que foi desde sempre auto-imposta), procura apagar os vestígios da traição que perpetrou para com o seu objecto (como uma forma de vingança) no momento em que este lhe desiludiu as expectativas. O que não é surpreendente, pois não deve ser fácil assumir que o erro não está do lado das pessoas sem-abrigo e que portanto, só pode estar do nosso lado - logo do nosso, que os queremos compreender…&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E a sugestão que me sinto em condições de fazer ao fim de 4 anos, é a de que, se quisermos abordar este fenómeno, aprendamos primeiro a desaparecer. Que aprendamos a apagar a nossa luz, para que a luz do outro possa aparecer. É um pouco aquilo que o R.Barthes defendia em relação ao fotógrafo que devia desaparecer por trás da objectiva para que o objecto pudesse aparecer na sua singularidade.&lt;br /&gt;Ele sugeriu que a singularidade da foto não está no seu studium (aquilo que é resultado da sua relação com um sistema de significação tradicional) mas sim no seu punctum (aquilo que nela é irredutível e que explode, atingindo-nos sem que possamos definir, com precisão, a partir de onde).&lt;br /&gt;A minha sugestão segue essa orientação. Que apaguemos em nós, não apenas aquilo que acreditamos serem as representações sociais, mas mesmo aquelas que são as imagens obscenas da aparente degradação do(s) outro(s). Mais! Que apaguemos mesmo a luz da emoção, ou da razão, que projectamos sobre o outro, para que ele possa finalmente refulgir e revelar, por si, os seus contornos.&lt;br /&gt;Não acredites, seja no que for, que vejas na TV sobre pessoas sem-abrigo - sugiro-te mesmo que recuses as imagens destas pessoas quando surgirem na TV - e estaremos todos mais preparados para olhar para elas e para inventarmos novas formas de interpretação.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;São pessoas efectivamente e nestes 4 anos tem sido esse o facto mais evidente no meu envolvimento. Não são um grupo, não são uma consequência, nem podem ser compreendidas num conceito, já que são demasiado heterogéneas entre si- não só as suas histórias de vida, como também as suas características.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Há problemáticas envolvidas e as problemáticas sim, podem dar um bom uso ao processo compreensivo. Temos casos em que a vida na rua é resultado da potenciação dos constrangimentos subjacentes a uma problemática, quando levados até ao seu limite - o grau zero da problemática. Na população toxicodependente é onde este aspecto é facilmente reconhecido, sobretudo graças à obscenidade da sua exposição mediática, mas também graças à perigosidade que lhe é inerente e que contribui para esse excesso de visibilidade.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Há dificuldades, que nem sempre correspondem às que à luz da nossa própria existência esperávamos encontrar. Mas elas só se revelam quando aprendemos a desaparecer à sua frente. Quando aprendemos a abdicar de tudo aquilo que faz de nós, investigadores e destas pessoas, objecto de investigação. Porque até esse momento, aquilo que temos é uma imagem, sem reflexo, mas pura emanência do nosso movimento projectivo.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;E há ainda uma última coisa: há alteridade. Essa forma específica de alteridade, parece-me hoje, um núcleo radical que só passa-ao-acto na privação - ambiência da qual nos privámos, ironica mas deliberadamente. E o medo da “privação” enquanto circunstancia, ou melhor, o “evitamento de todas as formas de privação“, torna-se sintoma fóbico da neurose colectiva, quando a privação surge como imagem. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;É isso que nos separa daquele mundo: é que no nosso a regra é a acumulação (já não de bens ou de virtudes, mas simplesmente de símbolos) e naquele é o constrangimento (e nele a estratégia torna-se usar a sua imagem de “indivíduos privados” como oposição violenta - como uma forma de demarcação e de preservação da intangibilidade identitária - como técnica de relançar o duelo).&lt;br /&gt;E se quisermos aceitar o duelo, a opor a esta abjuração, a esta confissão publica da indignidade como defesa última contra a perda da identidade, só nos resta o sacrifício do nosso próprio sistema de valores - ou eventualmente, até o sacrifício do nosso princípio de realidade, pois a fronteira com a realidade da privação não admite bagagens (intelectuais que sejam).&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Para ser-se um técnico de intervenção, impõe-se nesse momento que deixemos de ser técnicos de intervenção e que nos tornemos técnicos da desconstrução da própria imagem do técnico. E tamanha prova de confiança dissipará qualquer suspeita de “cartas na manga” e será sempre uma linguagem que quem vive na privação entenderá, porque ela é a própria linguagem do privado - a capacidade de co-existir com a ausência.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/587022535532538904-2013829594436435080?l=migueljcoelho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://migueljcoelho.blogspot.com/feeds/2013829594436435080/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=587022535532538904&amp;postID=2013829594436435080' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/587022535532538904/posts/default/2013829594436435080'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/587022535532538904/posts/default/2013829594436435080'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://migueljcoelho.blogspot.com/2007/12/sem-abrigo.html' title='Sem-Abrigo'/><author><name>Miguel Coelho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15933314384177424603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-587022535532538904.post-558026489981457502</id><published>2007-10-27T00:12:00.001+01:00</published><updated>2007-10-27T00:12:57.226+01:00</updated><title type='text'>Duvida!</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Tal como o destino secreto da informação é desinformar, informando, também a esperança intima de todas as regras é a sua transgressão. É esse o seu propósito, pois só aquilo que admite, merece e pode ser destruído ou ultrapassado, é real.&lt;br /&gt;Assim, sempre que se defende algo que se pretende absoluto ou eterno, está-se mais próximo do delírio do que da lucidez. E, por conseguinte, é com delírio que se lida quando a informação nos é apresentada como verdade inquestionável. A dissidência da verdade estará sempre mais próxima do mundo e será sempre ela que nos resgatará das modalidades catalépticas do existir. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/587022535532538904-558026489981457502?l=migueljcoelho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://migueljcoelho.blogspot.com/feeds/558026489981457502/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=587022535532538904&amp;postID=558026489981457502' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/587022535532538904/posts/default/558026489981457502'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/587022535532538904/posts/default/558026489981457502'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://migueljcoelho.blogspot.com/2007/10/duvida.html' title='Duvida!'/><author><name>Miguel Coelho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15933314384177424603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-587022535532538904.post-8492124228329008632</id><published>2007-10-26T23:31:00.001+01:00</published><updated>2007-10-26T23:34:58.930+01:00</updated><title type='text'>...do texto hermético</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O hermetismo de um texto, ergue e protege a sua dimensão sedutora. É, nele, aquilo que nos escapa e que nesse movimento nos arrebata para fora de nós próprios, para fora do nosso modelo. O hermetismo na escrita não traduz apenas a atitude do escritor, ele é, pelo contrário, a expressão daquilo que o próprio escritor não pode de antemão prever intraduzível.&lt;br /&gt;É possível que haja confusão e é até possível que um texto se construa a partir de um princípio fundamentalmente hermético. É mesmo possível que escrevendo hermeticamente o autor procure deliberadamente proteger o segredo do texto da violação compreensiva de quem o lê.&lt;br /&gt;E há formas, mais ou menos elegantes de o fazer. A prolixidade não o será certamente, porque a prolixidade só pode significar uma de duas coisas: ou a desorganização mental ou a fragilidade argumentativa de quem escreve. Mas temos, por exemplo, a estratégia estilística (não confundir com estética).&lt;br /&gt;Um estilo é uma forma singular e por isso incomparável. E porque é incomparável, quando nos deparamos com um estilo, encontramo-nos subtraídos do horizonte formal que permitiria decifrá-lo por analogia ou contraste.&lt;br /&gt;O estilo com que se escreve traduz, por vezes, mais acerca da mensagem do texto, do que o seu próprio conteúdo e terá eventualmente sido essa sua possibilidade que desbravou o caminho por onde a poesia irrompeu no ambiente literário. Ele é, como se percebe na poesia, anterior ao próprio sentido do texto e é por isso que certos autores nos fascinam, até mesmo nos seus trabalhos aparentemente mais superficiais.&lt;br /&gt;Usar a escrita hermética para defender uma ideia constitui uma espécie de traição. Jogar com o fascínio como técnica de exortação é não jogar com as regras do jogo, ou melhor, é jogar na arena da argumentação com as armas da simulação, o que se for bem feito, garante antecipadamente a conquista da convicção do destinatário. Mas essa será sempre uma conquista efémera que só perdurará enquanto o efeito da ilusão se mantiver, o que, diga-se de passagem pode ser uma eternidade, mas nunca traduzirá a inscrição da ideia no interior do outro e por conseguinte, será sempre, ainda que eternamente, uma decepção enquanto ideologia constituída - é que uma ideologia só o é verdadeiramente quando se torna susceptível de ser partilhada.&lt;br /&gt;E este é o drama da elite intelectual. A impossibilidade da partilha generalizada. É verdade que é o produto da sua actividade que configura a realidade, mas porque essa será sempre uma realidade estrangeira, nela apenas se reconhecerá a familiaridade do quotidiano e da sua vertente banal. Esta será porventura a armadilha: na tentativa de expandir irrazoavelmente as suas geniais compreensões, os intelectuais com-preendem o mundo globalizando-o, tornando-o total e sistemático como um circuito fechado. E nesse mundo tão “extraordinário” os seus “vulgares” destinatários, apenas terão lugar como prisioneiros e não como usufrutuários.&lt;br /&gt;É urgente abandonar a posição sobranceira que tem naturalmente ocupado a inteligentsia - digo “naturalmente” porque é natural que a inteligência se isole e se fascine consigo própria - porque tem sido ela que tem estimulado o culto da banalidade e o generalizado afastamento social de tudo o que é sublime. E se assim é, a inteligencia afasta mais do que aproxima e (dis)trai-se no seu destino.&lt;br /&gt;Tornar pública uma ideia e pretender publicamente defender o seu segredo é paradoxal e sinal de uma fraqueza que habitualmente não é característica de quem quer partilhar aquilo que lha vai na alma. Porque quem partilha é que é inteligente e a vantagem de ser-se inteligente só o é (vantajoso) se o for só de vez em quando.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/587022535532538904-8492124228329008632?l=migueljcoelho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://migueljcoelho.blogspot.com/feeds/8492124228329008632/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=587022535532538904&amp;postID=8492124228329008632' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/587022535532538904/posts/default/8492124228329008632'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/587022535532538904/posts/default/8492124228329008632'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://migueljcoelho.blogspot.com/2007/10/do-texto-hermtico.html' title='...do texto hermético'/><author><name>Miguel Coelho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15933314384177424603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-587022535532538904.post-2833124816372570044</id><published>2007-10-26T23:30:00.001+01:00</published><updated>2007-11-16T22:12:02.089Z</updated><title type='text'>Ela</title><content type='html'>...qualquer coisa do que ela era inscreveu-se em mim tão completamente, que já deixou de ser uma inscrição e tornou-se qualquer coisa de permanente...uma forma de ser, por assim dizer...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/587022535532538904-2833124816372570044?l=migueljcoelho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://migueljcoelho.blogspot.com/feeds/2833124816372570044/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=587022535532538904&amp;postID=2833124816372570044' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/587022535532538904/posts/default/2833124816372570044'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/587022535532538904/posts/default/2833124816372570044'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://migueljcoelho.blogspot.com/2007/10/ela.html' title='Ela'/><author><name>Miguel Coelho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15933314384177424603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-587022535532538904.post-7297615994677971450</id><published>2007-10-26T23:28:00.000+01:00</published><updated>2007-10-27T00:01:27.828+01:00</updated><title type='text'>Aforismo II</title><content type='html'>...e a relação? de onde nasceu?...de uma ideia de destino...de uma ideia de partilha de um destino?&lt;br /&gt;...ou foi o destino q nasceu da relação?...foi o destino q surgiu como egregora da afectividade?...e n tem nada a ver com ideias...&lt;br /&gt;...concebe-los separados é, todavia, tão absurdo como a própria ideia de procurar concebê-los...&lt;br /&gt;...mas ao q parece, nada disto tem o q quer q seja a ver com ideias..ao q parece e seja como for, estamos destinados a relacionarmo-nos...de forma lúcida, de forma trans-lúcida, ou até de forma delirante q seja....&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/587022535532538904-7297615994677971450?l=migueljcoelho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://migueljcoelho.blogspot.com/feeds/7297615994677971450/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=587022535532538904&amp;postID=7297615994677971450' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/587022535532538904/posts/default/7297615994677971450'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/587022535532538904/posts/default/7297615994677971450'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://migueljcoelho.blogspot.com/2007/10/aforismo-ii.html' title='Aforismo II'/><author><name>Miguel Coelho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15933314384177424603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-587022535532538904.post-5729322645674205892</id><published>2007-10-26T23:27:00.000+01:00</published><updated>2007-10-26T23:36:03.186+01:00</updated><title type='text'>Aforismo I</title><content type='html'>"Não sejas egoísta...sê conforme à minha fantasia egoísta, de não haver espaço para o egoísmo..." - perante a estupidez...sempre a reflexão!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/587022535532538904-5729322645674205892?l=migueljcoelho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://migueljcoelho.blogspot.com/feeds/5729322645674205892/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=587022535532538904&amp;postID=5729322645674205892' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/587022535532538904/posts/default/5729322645674205892'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/587022535532538904/posts/default/5729322645674205892'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://migueljcoelho.blogspot.com/2007/10/aforismo-i.html' title='Aforismo I'/><author><name>Miguel Coelho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15933314384177424603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-587022535532538904.post-4248930765899019458</id><published>2007-10-26T23:26:00.000+01:00</published><updated>2007-10-26T23:37:06.671+01:00</updated><title type='text'>Siga!</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Estar pronto para partir. Estar sempre pronto para partir! É uma forma de existir. É só uma forma de existir, mas é uma forma delicada. Estar pronto para abandonar tudo, é a prova última de cumplicidade e de confiança. É a prova da afinidade com o processamento do mundo, que não é extático, nem se move dentro da restrição.&lt;br /&gt;Que “nada nos pertença” é daquelas frases que conjugam duas naturezas paradoxais e que é, por isso da ordem da magia. Conjuga a nostalgia com a extrema antecipação, perante a imediata recordação e a absoluta necessidade de evolução. Como podemos evoluir dentro da posse, sem ser pela acumulação? Mas será ainda a acumulação uma forma de evolução, ou é antes uma armadilha no caminho que prossegue? Daquelas que nos prende e sobre as regras das quais nos mantemos completamente ignorantes…&lt;br /&gt;É ela que impede de prosseguir, como é a obrigação de responder perante a chantagem da identidade, que impede de ser diferente.&lt;br /&gt;É a posse que define a nossa entrada numa economia de identidade. É a posse que instala a indistinção entre aquilo que é prótese e aquilo que é original. Já não tem nada a ver com o que é…ultrapassou-o. Liga-se mais com aquilo que quer ser e é porque trás a velha dicotomia entre “ser” e “ter” à baila, que se torna profícua. É porque joga no campo da ilusão e porque esbate a fronteira entre o ser e o ter, que desconfigura o edifício das necessidades. E é uma confusão!&lt;br /&gt;E então, como tenho uma identidade, adquiro imediatamente um destino, porque senão não faria sentido ser alguém. É com esse destino que me comprometo e para lá chegar, a posse é incontornável. É um ciclo fechado.&lt;br /&gt;A rede é ubíqua, transparece nos sonhos e esconde-se na vigília, por detrás até da própria linguagem. Repara na forma como nos referimos às pessoas de quem gostamos: os "nossos" amigos, a "nossa" família, o "meu" irmão, a "minha" namorada…&lt;br /&gt;"É social!" Claro que é social! Também a linguagem é social. Sem sociedade, a linguagem não se teria tornado numa dessas formas radicais que nos permitem ainda uma superfície de contacto com o mundo. Não seria, correndo o risco de cometer pleonasmo, uma singularidade insubstituível e portanto, única.&lt;br /&gt;Mas o social é anterior à posse. Como, de certa maneira, a linguagem é anterior ao social. Ela simplesmente, como tantas outras formas radicais (como a arquitectura, a física, a música, etc,) opera aqueles movimentos secretos que organizam o paradoxo e fazem coincidir o passado com o futuro. Ela era um prenúncio do social, como pode ser um prenúncio do fim do social. Ela adivinha o que vem a seguir, porque ela sintetiza os nossos desejos acerca do que vem a seguir e traduz, em directo aquilo que É agora. Esbate portanto, a barreira temporal e torna os processos reversíveis. Simétricos. Subjuga a causalidade e obriga-nos a funcionar segundo outras regras, onde o paradoxo e o segredo são muito mais úteis como competências, do que a potência preditiva. E é assim, imprevisível. Como o mundo...&lt;br /&gt;É uma superfície de contacto porque se rege por uma lei mais afim da do mundo a acontecer do que a da causalidade. Ela não pertence a quem quer que seja. É verdadeiramente universal! Exprime-se por intermédio de outras singularidades, que são as línguas, que nasceram em espaços territoriais e culturais, mas que nunca se confinaram a eles, porque são-lhe transcendentes. E algumas, as mais singulares, nunca se desconfiguraram com essa transcendência, porque são simultaneamente radicais, irredutíveis!&lt;br /&gt;Falar uma língua é existir! Falar bem uma língua é existir bem!&lt;br /&gt;Se calhar foi por isso que o Pessoa decretou que a nossa pátria fosse a nossa língua. Essa frase é, provavelmente, de todas a mais genial em defesa de Portugal. Porque coloca, num movimento só, Portugal fora do jogo da posse e aliado fundamental daquilo que em si há de mais singular. Mas veio de um poeta…como não poderia um poeta deixar de ver a salvação daquilo que ama, num campo que não fosse o da “sua” poesia?... E no entanto, isso não deixa de ser verdade! É possível ser-se livre dentro da restrição e a liberdade aí adquire um novo fulgor, porque já não é refém da ausência de barreiras, mas porque descobre o caminho no seu interior.&lt;br /&gt;Se da ligação do poeta com a poesia nasceu a possibilidade de descobrir um caminho para a preservação do seu amor (à pátria e á língua) isso diz-nos que nem a posse nos possui. Que é possível dispor os dados de maneira a sair poker. Mesmo num jogo de dados. Só ainda não sabemos como, mas o poeta soube-o e é por isso que foi genial.&lt;br /&gt;Estar pronto para partir. Estar sempre pronto para partir, como o poeta esteve pronto para por em questão a definição da pátria que pariu a nossa língua, para a ela a converter. Estarmos sempre prontos para por em questão as convicções que nos tornam aquilo que somos, para convertê-las em nós próprios. Somos nós que somos singulares. E por isso nunca nos podemos perder, porque somos o nosso próprio caminho…sem juízos de valor…de que valem eles? De que vale decidir se o caminho foi bom ou mau? Nem adiantou de nada, nem nos transformou em nada melhor ou pior, ou sequer radicalmente diferente. Porque o caminho é aquilo que é…e se é assim, não é bom, nem mau.&lt;br /&gt;Por isso, Siga!!! Se surgir algo melhor: Segue! Senão: Segue na mesma…sem olhar para trás, que aquilo que lá vemos, vamos percebendo com o tempo, não é nada daquilo que parecia casualmente.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/587022535532538904-4248930765899019458?l=migueljcoelho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://migueljcoelho.blogspot.com/feeds/4248930765899019458/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=587022535532538904&amp;postID=4248930765899019458' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/587022535532538904/posts/default/4248930765899019458'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/587022535532538904/posts/default/4248930765899019458'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://migueljcoelho.blogspot.com/2007/10/siga.html' title='Siga!'/><author><name>Miguel Coelho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15933314384177424603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry></feed>
